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Importações chinesas de soja caem a nível histórico, mas exportações brasileiras atingem recorde

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As importações de soja pela China atingiram recentemente o menor nível em 12 anos, gerando surpresa entre analistas e operadores. Estimativas indicam que o ritmo de consumo no país pode continuar lento até meados do ano, mesmo com o Brasil colhendo uma safra recorde e registrando volumes históricos de exportação para o mercado chinês.

Divergência entre dados de importação e exportação

Um ponto importante é que os dados de importação da soja divulgados pela alfândega chinesa não têm se alinhado aos dados de exportação dos principais fornecedores. Essa discrepância foi tão significativa que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) abandonou o uso dos números chineses para suas projeções no ano passado.

Outro fator que pode ter influenciado os números recentes é que, em períodos anteriores, os compradores chineses chegaram a utilizar estoques extras de soja dos EUA para suprir a demanda, mas isso pode não estar acontecendo agora.

Panorama das importações e exportações recentes

Entre março e abril, a China importou apenas 9,6 milhões de toneladas de soja, queda de 32% em relação ao ano anterior — o menor volume para o período desde 2013.

Nos primeiros sete meses da safra 2024-25, as importações chinesas ficaram no menor nível dos últimos seis anos.

O ritmo lento também é influenciado por prazos longos de desembaraço aduaneiro, um problema antigo para os importadores do país.

Apesar desses dados, o Brasil colheu uma safra recorde de soja, mas atrasos na colheita e desafios logísticos postergaram o aumento dos embarques, que normalmente começam em fevereiro. Mesmo assim, entre fevereiro e abril, as exportações brasileiras para a China alcançaram um recorde, 13% superiores ao ano passado.

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Por outro lado, desde o início do ano comercial dos EUA, em setembro, as exportações americanas de soja para a China registraram seu menor volume em 12 anos, exceto durante os dois anos da guerra comercial entre os países. Além disso, as exportações brasileiras para a China entre setembro e janeiro caíram quase 40% em relação ao ano anterior.

Impactos no mercado chinês

Esses números baixos de importação prejudicaram o processamento doméstico de soja na China, limitando a oferta de farelo para a indústria local. Acredita-se que os compradores chineses podem ter subestimado o impacto da grande safra brasileira e compensado parcialmente com compras extras da soja americana.

Contudo, devido às discrepâncias nos dados oficiais, analistas recomendam cautela ao interpretar os números da alfândega chinesa, acompanhando mensalmente as atualizações para confirmar se os recordes de exportação estão refletidos nas estatísticas.

Previsões e incertezas para o segundo semestre

Especialistas projetam que as importações chinesas em maio e junho devem alcançar cerca de 11 milhões de toneladas mensais, um aumento de 3% em relação ao ano anterior e um novo recorde para o período. Mesmo assim, isso manteria as importações acumuladas do ano em níveis baixos para os últimos seis anos, faltando apenas três meses para o encerramento do ano comercial.

Essa situação é peculiar, uma vez que a China responde por mais de 70% das exportações brasileiras de soja, que estão previstas para atingir volumes recordes neste ano. O início tardio da colheita brasileira e uma possível desaceleração em maio podem estender os altos volumes de exportação até meados do ano.

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Nesta semana, a China revisou sua estimativa de importação para a safra 2024-25, elevando-a de 94,6 milhões para 98,6 milhões de toneladas.

Divergências nas projeções oficiais

Apesar dessa revisão, a expectativa é que as importações chinesas no terceiro trimestre caiam 9% em relação ao recorde do ano anterior, de acordo com as estimativas para maio e junho — um cenário que não parece totalmente compatível com o otimismo sobre as exportações brasileiras.

O USDA projeta as importações da China para 2024-25 em 108 milhões de toneladas, abaixo dos 112 milhões do ano anterior. A agência tem mantido suas estimativas acima dos números oficiais chineses, baseando-se em dados dos exportadores, que indicam subnotificação nas estatísticas da China.

Na prática, as importações chinesas têm surpreendido para cima, já que a meta revisada recentemente para 2024-25 representa um aumento de 9% sobre a temporada anterior.

Impactos para os exportadores dos EUA e a estratégia chinesa

Para os exportadores americanos, a notícia é menos positiva. O início tardio das exportações brasileiras estende o período de volumes elevados até setembro ou outubro, quando tradicionalmente começa a temporada de embarques nos EUA, diminuindo o espaço para os EUA no mercado chinês.

Essa dinâmica favorece a China na sua estratégia de reduzir a dependência da soja americana, um movimento que pode fortalecer Pequim na disputa comercial com Washington.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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