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Indústria do tabaco transforma resíduo em fertilizante orgânico e impulsiona economia circular no campo
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Resíduo do tabaco ganha novo destino sustentável no campo
O pó de tabaco, resíduo gerado durante o processamento das folhas, passou a ter uma nova função ambiental e produtiva: servir como matéria-prima para a fabricação de fertilizante orgânico. A iniciativa é conduzida pelas empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), em parceria com a Fundação para Proteção Ambiental de Santa Cruz do Sul (Fupasc), responsável pela produção do insumo Fertileaf.
Em 2025, foram recicladas 22.991 toneladas do material, volume que será utilizado para fertilizar lavouras da safra 2025/26. Desde o início do projeto, em 2014, já foram reaproveitadas mais de 175 mil toneladas de pó de tabaco — resultado direto da aplicação de práticas de economia circular dentro da cadeia produtiva do setor.
O produto é registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e certificado pela Ecocert, atendendo aos critérios para uso em produção orgânica, de acordo com normas nacionais e internacionais.
Processo sustentável reforça economia circular no agronegócio
Após o processamento, o fertilizante retorna às unidades industriais, que fazem a distribuição aos produtores por meio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT). Assim, o material volta às propriedades como insumo agrícola, completando o ciclo da economia circular sustentável — onde o resíduo de um setor se transforma em recurso produtivo para o próprio campo.
A assessora técnica do SindiTabaco, Fernanda Viana Bender, destaca o compromisso ambiental do setor:
“A reciclagem dos resíduos é uma ação permanente. No caso do pó de tabaco, o processo cumpre todos os requisitos da economia circular sustentável, com forte envolvimento das equipes técnicas e industriais.”
Como o pó de tabaco se transforma em adubo orgânico
Para a produção do Fertileaf, o pó de tabaco é misturado a cinzas de caldeiras a lenha (cerca de 3%) e a um consórcio de micro-organismos, responsáveis por acelerar a fermentação e estabilização do composto.
De acordo com Sebastião Bohrer, engenheiro ambiental e coordenador de Sustentabilidade da Fupasc, as cinzas têm papel essencial no ajuste do pH, enquanto os micro-organismos promovem a degradação biológica dos resíduos.
“O pó e a cinza são umidificados e dispostos em um sistema coberto de leiras, onde ocorre o processo de compostagem e estabilização até que o material se torne um fertilizante seguro e eficiente”, explica.
Tecnologia limpa e produção 100% sustentável
O processo de compostagem é realizado em área totalmente coberta, sem geração de resíduos líquidos, e segue o método de fermentação em estado sólido, com ciclo fechado e controle diário de temperatura e qualidade do composto.
A Fupasc utiliza 100% de energia solar em suas operações e reaproveita toda a água utilizada, proveniente da captação de chuva. Em até 120 dias, o fertilizante está pronto para ser devolvido às empresas e distribuído aos produtores rurais.
Fertileaf: fertilizante orgânico com certificação e inovação
O Fertileaf é classificado como fertilizante orgânico Classe A, com registro no MAPA (EP RS-3713-3), resultado de 20 anos de pesquisas e aprimoramentos tecnológicos. O insumo é aprovado para uso na agricultura orgânica, graças à certificação Ecocert, e foi desenvolvido com base nos princípios da biotecnologia e da sustentabilidade ambiental.
Além de promover melhoria da fertilidade do solo, o produto contribui para aumentar a produtividade das lavouras e reduzir o descarte industrial, representando um modelo de referência em economia circular dentro do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Milho ganha força com demanda aquecida e exportações, mas clima segue no radar para a safra 2026/27
O mercado brasileiro de milho vive um momento de sustentação dos preços, impulsionado pela demanda doméstica aquecida, pelo ritmo das exportações e pelas incertezas climáticas que cercam a próxima safra. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um ambiente de maior atenção dos agentes do mercado diante dos desafios para o ciclo 2026/27.
Mesmo com o avanço da colheita da segunda safra, considerada uma das mais importantes para o abastecimento nacional, os preços seguem encontrando suporte na forte demanda dos setores de proteína animal, etanol de milho e exportação.
Segundo os analistas, a dinâmica do mercado indica que a disponibilidade do cereal deve aumentar nos próximos meses, mas fatores climáticos e logísticos continuarão influenciando a formação dos preços.
Demanda doméstica continua sendo principal sustentação
A indústria de carnes, especialmente os segmentos de aves e suínos, mantém elevado consumo de milho para ração. Além disso, o crescimento da produção de etanol de milho segue ampliando a participação do cereal na matriz energética brasileira.
Esse cenário contribui para absorver parte importante da oferta gerada pela safrinha, reduzindo a pressão de baixa sobre os preços mesmo em um período de maior entrada do produto no mercado.
As exportações também permanecem como um componente relevante para o equilíbrio entre oferta e demanda, favorecidas pela competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.
El Niño aumenta preocupação com a próxima temporada
Embora o cenário atual seja relativamente confortável para o abastecimento, o mercado já começa a monitorar os impactos do fenômeno El Niño sobre a safra 2026/27.
De acordo com o Itaú BBA, a confirmação do fenômeno climático eleva os riscos para o calendário agrícola brasileiro, especialmente em regiões do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
A preocupação está relacionada principalmente à possibilidade de irregularidade das chuvas e ao encurtamento da janela ideal de plantio da próxima safra, fatores que podem comprometer o potencial produtivo do cereal.
Além dos desafios climáticos, os produtores também enfrentam um ambiente de custos ainda elevados, exigindo maior planejamento e gestão de risco para a próxima temporada.
Oferta da safrinha deve ampliar disponibilidade do cereal
Com o avanço da colheita da segunda safra, a tendência é de aumento gradual da oferta física de milho no mercado interno durante os próximos meses.
Apesar desse movimento, a expectativa é de que a demanda consistente limite quedas mais acentuadas nas cotações, especialmente em regiões com forte presença da indústria de proteína animal e das usinas de etanol de milho.
Outro fator que segue no radar é o comportamento do dólar, que influencia diretamente a competitividade das exportações brasileiras e a formação dos preços domésticos.
Mercado deve seguir atento ao clima e ao cenário global
Além das condições climáticas no Brasil, os agentes acompanham o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, principal produtor mundial do cereal. Alterações no potencial produtivo norte-americano podem gerar reflexos diretos nos preços internacionais e, consequentemente, no mercado brasileiro.
Para o Itaú BBA, o milho entra no segundo semestre com fundamentos relativamente positivos, mas em um ambiente que exige atenção redobrada ao clima, à evolução da demanda e ao comportamento das exportações.
Diante desse cenário, a gestão comercial e o monitoramento dos riscos climáticos serão determinantes para produtores e investidores do setor ao longo dos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

