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Liliane Santos da Silva vence na categoria Pesca Amadora ou Esportiva
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Nesta semana, estamos apresentando as 11 vencedoras do Mulheres das Águas, prêmio que reconhece histórias inspiradoras na pesca e na aquicultura. Hoje, apresentamos Liliane Santos da Silva, ganhadora na categoria Pesca Amadora ou Esportiva.
Ao longo de sua trajetória, Liliane construiu uma relação profunda com as águas como espaço de identidade, lazer, aprendizagem e autonomia. Desde jovem, aprendeu com familiares e com outras mulheres do território a importância da pesca amadora como prática tradicional, de convivência com o rio e de respeito ao ciclo natural dos peixes.
Com o tempo, ela transformou esse conhecimento em ação coletiva, tornando-se referência entre pescadoras amadoras da região e incentivando outras mulheres a ocuparem um espaço historicamente dominado por homens. Segundo Liliane, a pesca amadora nunca foi apenas lazer.
“É um espaço de autonomia, cura, memória e resistência. Em um território onde as mulheres historicamente tiveram sua presença invisibilizada nas práticas ligadas ao rio, escolhi ocupar esse espaço com responsabilidade e, principalmente, abrir caminhos para que outras mulheres também se reconheçam como parte essencial das águas”, ressaltou.

- Pescadora adota práticas sustentáveis no dia a dia da pesca esportiva.
Exemplo para as mulheres
Liliane realiza um trabalho contínuo com oficinas e rodas de conversa sobre pesca responsável, práticas sustentáveis e o papel das mulheres nas águas. Nessas atividades, compartilha conhecimentos recebidos da família — como leitura do rio, técnicas básicas, cuidado com o peixe, captura responsável e respeito ao defeso — com jovens, meninas e mulheres que desejam aprender ou aprimorar sua autonomia na pesca amadora.
“Esses encontros têm sido espaços seguros de fala, escuta e fortalecimento emocional, permitindo que mais mulheres se sintam confiantes para ocupar o rio, um ambiente historicamente marcado pela presença masculina”, afirmou.
Além disso, ela mobilizou pescadoras de diferentes idades para a criação de um grupo local de fortalecimento feminino na pesca esportiva. Nesse espaço, promove trocas de saberes, oficinas de primeiros passos na pesca para meninas e mulheres iniciantes, momentos de lazer seguro nas margens e igarapés, bem como rodas de conversa sobre autoestima, direitos e liderança.
Liliane também desenvolve atividades informais de orientação para meninas e adolescentes, incentivando o protagonismo feminino na relação com o rio. Segundo ela, muitas jovens que antes tinham receio de participar de pescarias hoje se sentem parte dos grupos, compreendem as regras de manejo, manuseiam os equipamentos com autonomia e se expressam com mais segurança sobre suas experiências. “Esse fortalecimento feminino é um dos impactos mais significativos do meu trabalho.”
A pescadora reafirma diariamente que as águas também são território das mulheres. Sua trajetória mostra que a pesca amadora, quando guiada por respeito, cuidado e coletividade, transforma vidas e abre caminhos para que outras mulheres se sintam pertencentes, capazes e livres.
“Com o tempo, minha atuação passou a inspirar outras mulheres da região, e hoje temos um número crescente de pescadoras amadoras na comunidade. Essa mudança representa uma conquista coletiva: mulheres ocupando o território das águas com respeito, liberdade, lazer e consciência ambiental”, destacou.
Ela acredita que sua maior conquista é ver mulheres que antes apenas acompanhavam suas famílias agora conduzindo suas próprias pescarias, ensinando outras meninas, cuidando do rio e se reconhecendo como parte essencial desse território.
“A pesca amadora, para mim, é mais que lazer: é um caminho de autonomia, de memória familiar e de proteção das águas que sustentam nossa vida na Terra do Meio. Minha história representa a resistência das mulheres ribeirinhas, seu vínculo espiritual com as águas e sua capacidade de multiplicar saberes com generosidade e coragem”, reforçou.
“Ganhar o Prêmio Mulheres das Águas significa valorizar não só minha trajetória individual, mas também a força das mulheres da Comunidade Triunfo e de todo o Rio Iriri. É uma forma de mostrar ao Brasil que as mulheres da floresta têm papel fundamental no cuidado com as águas, na transmissão de saberes e na construção de um futuro sustentável. Esse prêmio representa uma luta coletiva: a luta das mulheres que se reconhecem nas águas, que protegem o que é vivo e que transformam seu território com pequenas ações que geram grandes impactos.”

- Liliane em uma de suas oficinas para mulheres.
Pesca sustentável
Liliane também se preocupa com a sustentabilidade na pesca amadora e esportiva. Ela realiza a prática com foco no manejo responsável, respeitando períodos de defeso, tamanhos mínimos e técnicas de captura e soltura.
Participa de oficinas e rodas de conversa sobre preservação das espécies e conservação dos ambientes aquáticos, contribuindo para o fortalecimento da consciência ecológica entre jovens e adultos.
Ela também atua em ações comunitárias, organizando mutirões de limpeza das margens dos rios, planejando pequenas expedições de pesca consciente e articulando parcerias com coletivos, associações e escolas locais para promover atividades educativas sobre conservação dos recursos hídricos.
Além disso, realiza com frequência ações de cuidado das margens do Rio Iriri, mobilizando moradores, especialmente jovens, para recolher resíduos, conscientizar sobre o descarte correto e refletir sobre o impacto da poluição nos peixes, nas famílias e na qualidade da água.
Essas ações têm gerado mudanças visíveis, como a redução do lixo em áreas usadas para lazer e pesca, além de maior envolvimento comunitário no cuidado ambiental.
Outro impacto importante é a sensibilização de famílias inteiras sobre práticas sustentáveis. Ao envolver crianças, jovens e mães nas oficinas e nos mutirões, Liliane contribui para que a Comunidade Triunfo fortaleça uma cultura de cuidado com o Iriri e de valorização da pesca não comercial como espaço de convivência, saúde mental e fortalecimento de vínculos.
“Minha trajetória como pescadora amadora na Comunidade Triunfo, às margens do Rio Iriri, nasceu das mãos e dos ensinamentos da minha família. Cresci acompanhando o movimento das águas, aprendendo desde cedo o respeito pelo tempo do rio, pelos ciclos dos peixes e pela importância de cuidar da natureza que sustenta nossa vida. O que começou como tradição familiar tornou-se, ao longo dos anos, uma atuação consciente, educativa e de fortalecimento das mulheres do território”, concluiu Liliane.
Sobre o Mulheres das Águas – O prêmio foi criado em 2023 para reconhecer o trabalho de mulheres que se destacam na pesca e aquicultura, promovendo práticas sustentáveis e, principalmente, o empoderamento das mulheres que vivem das águas. Esta edição será realizada no dia 18 de março, no Teatro Nacional, em Brasília.
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Atacado e exportação estabelecem ritmo recorde em agosto
Os preços da carne de frango voltaram a subir no mercado interno, enquanto as exportações brasileiras iniciaram agosto no maior ritmo diário já registrado. A combinação de estoques ajustados, recuperação do consumo doméstico e forte procura internacional dá sustentação às cotações neste começo de mês.
Na quinta-feira (13.08), o frango congelado foi negociado no atacado da Grande São Paulo a R$ 7,20 o quilo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O valor acumula alta de 0,84% desde o início de agosto.
A reação ocorre depois de um período de pressão sobre os preços no fim de julho e nos primeiros dias deste mês. O recebimento de salários aumentou o poder de compra das famílias, enquanto a volta às aulas impulsionou a procura por uma proteína amplamente utilizada no consumo doméstico, em restaurantes e na alimentação escolar.
Os estoques também estão relativamente ajustados à demanda. Esse equilíbrio reduz a necessidade de concessão de descontos por atacadistas e frigoríficos e ajuda a conter a pressão provocada pela maior oferta nacional de carne de frango.
A melhora no atacado, entretanto, não significa necessariamente uma recuperação imediata e na mesma proporção para todos os elos da cadeia. O efeito sobre a remuneração dos avicultores depende dos contratos de integração, dos custos de produção e do comportamento dos preços do milho e do farelo de soja, principais componentes da alimentação das aves.
No mercado externo, os números indicam uma procura ainda mais forte. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, mostram que o Brasil embarcou, em média, 30 mil toneladas de carne de frango in natura por dia nos cinco primeiros dias úteis de agosto.
É a maior média diária para o período desde o início da série histórica, em 1997. Considerada a parcial, aproximadamente 150 mil toneladas foram exportadas nos cinco primeiros dias úteis do mês.
O resultado deve ser interpretado com cautela, porque ainda não permite projetar o volume total de agosto. O ritmo dos embarques pode variar ao longo do mês devido à programação dos portos, à disponibilidade de navios, aos contratos dos frigoríficos e ao calendário dos países compradores.
A arrancada de agosto, porém, dá sequência a um julho de forte desempenho. No mês passado, o Brasil exportou 519,2 mil toneladas de carne de frango, considerando produtos in natura e processados, crescimento de 29,9% em relação a julho de 2025. A receita ficou próxima de R$ 5,2 bilhões, alta de 34,3% na comparação anual, medida originalmente em dólares.
O avanço elevado também reflete a base mais fraca de 2025, quando restrições sanitárias temporárias adotadas após a confirmação de influenza aviária em uma granja comercial afetaram as vendas brasileiras. O foco foi eliminado e o Brasil recuperou gradualmente o acesso aos mercados que haviam suspendido as compras.
No primeiro semestre de 2026, os embarques chegaram a 2,936 milhões de toneladas, alta de 12,9% sobre igual período do ano anterior e recorde para os seis primeiros meses do ano.
O desempenho reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de carne de frango. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que o país poderá produzir entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, crescimento de até 5,6% sobre as 15,289 milhões de toneladas de 2025.
As exportações podem alcançar 5,875 milhões de toneladas neste ano, avanço de até 10,3%. Mesmo com o crescimento dos embarques, a disponibilidade para o mercado interno está estimada em aproximadamente 10,275 milhões de toneladas, 3,1% acima do volume registrado no ano passado.
A presença simultânea de demanda doméstica mais aquecida e exportações em ritmo elevado tende a reduzir a pressão de oferta sobre o atacado. A continuidade da recuperação, contudo, dependerá do consumo após o período de pagamento de salários e da manutenção das encomendas internacionais.
Para produtores e agroindústrias, o cenário é favorável, mas exige atenção aos custos. A valorização da carne melhora a capacidade de absorver despesas, enquanto uma eventual alta do milho ou do farelo de soja pode limitar as margens. Nas próximas semanas, o mercado acompanhará se o recorde diário dos embarques será mantido e se a reação observada no atacado chegará aos demais elos da cadeia.
Fonte: Pensar Agro



