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Mapa destaca avanços em produtividade sustentável e inovação na 39ª Conferência Regional da FAO para América Latina e Caribe

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou, no segundo dia da reunião ministerial da 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, por meio do secretário-executivo adjunto, Cleber Soares. Ele representou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, no painel realizado nesta quinta-feira (5). 

Soares foi painelista na mesa redonda ministerial intitulada “Redução das lacunas de produtividade na América Latina e no Caribe: Caminhos para um crescimento agrícola eficiente, inclusivo, sustentável e resiliente por meio da ciência e da inovação”. Em sua intervenção, destacou a trajetória do Brasil, que em 50 anos passou de importador de alimentos a terceiro maior exportador agrícola mundial. Entre 2010 e 2020, a produção brasileira cresceu quase 70%, enquanto a área cultivada aumentou menos de 40%. 

“Tivemos três eixos principais: a sinergia entre políticas públicas em diversas áreas, como economia, cultura e meio ambiente; o investimento maciço do país em pesquisa voltada ao desenvolvimento de tecnologias e inovação aplicadas à agricultura tropical; e a disponibilidade de crédito acessível aos produtores brasileiros”, afirmou. 

O secretário do Mapa destacou políticas públicas para adaptação às mudanças climáticas, como o conhecimento preciso sobre o que, onde e quando semear. Quanto à inovação, enfatizou a criação da Embrapa. No âmbito do crédito, ressaltou o Plano Safra como base fundamental para o crescimento da produtividade. O Plano Safra é o principal instrumento de política agrícola do Brasil, oferecendo linhas de crédito rural com taxas de juros equalizadas pelo governo, sem caracterizar subsídio a fundo perdido  os produtores reembolsam o capital ao final do prazo. 

Para médios e grandes produtores (agricultura empresarial), o Plano Safra 2025/2026 disponibiliza R$ 516,2 bilhões em recursos totais, com foco em custeio, investimento e comercialização, incluindo programas como o Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), que destina R$ 69,1 bilhões. Para pequenos produtores (agricultura familiar), via Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), são R$ 78,2 bilhões, dentro de um total de R$ 89 bilhões para o setor familiar, com condições mais favoráveis de juros e prazos. 

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Respondendo o tópico sobre a integração dos objetivos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas nas estratégias de produtividade agrícola, Cleber disse que se deve ir além das políticas econômicas e compreender o desafio de produzir nos trópicos. 

Ao abordar a integração de objetivos de adaptação e mitigação das mudanças climáticas nas estratégias de produtividade agrícola, o secretário afirmou que é preciso ir além das políticas econômicas e compreender os desafios específicos da produção nos trópicos. “Quando o Brasil iniciou sua revolução agrícola, as tecnologias disponíveis vinham de países de clima temperado. Graças ao investimento massivo em pesquisa focada na agricultura tropical, com a criação da Embrapa e outras instituições, consolidamos nossa principal estratégia: a adoção em larga escala de tecnologias modernas adaptadas às paisagens e biomas brasileiros”, explicou. 

Essa adoção em larga escala é o centro do plano de agricultura de baixo carbono no Brasil e incentiva práticas sustentáveis. Um dos destaques feito pelo secretário Cleber Soares foi o Plano ABC+, que, em sua primeira fase (2010-2020), promoveu práticas conservacionistas em mais de 50 milhões de hectares, mitigando cerca de 170 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Para 2030, a meta é expandir essas tecnologias para mais 73 milhões de hectares, com mitigação superior a 1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente. 

Outro ponto apresentado durante o painel, foi o Plano Nacional de Bioinsumos, que visa ampliar e fortalecer o uso de bioinsumos, produtos, processos ou tecnologias de origem biológica (vegetal, animal ou microbiana), para promover o desenvolvimento sustentável da agropecuária. Ele fomenta inovação, reduz dependência de insumos importados, incentiva biofábricas, capacitação técnica e um marco regulatório favorável, alinhando produtividade com conservação ambiental. 

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“Somente na cultura da soja, mais de 85% dos produtores utilizam fixação biológica de nitrogênio, cobrindo mais de 45 milhões de hectares, o que reduz custos, dependência externa e emissões. Em 2025, o país registrou 139 novos insumos biológicos, um recorde recente. O mercado de bioinsumos já movimenta bilhões de reais anualmente. Outro exemplo de impacto é a recuperação de pastagens degradadas”, afirmou o secretário-executivo adjunto. 

O Brasil lançou o programa “Caminho Verde”, que visa restaurar até 40 milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade e áreas degradadas ao longo de dez anos, convertendo essas terras em sistemas produtivos agropecuários e florestais sustentáveis, sem qualquer necessidade de desmatamento ou expansão sobre vegetação nativa. 

Encerrando sua fala Soares destacou: “Aumentar a eficiência produtiva é o motor da economia regional. No Brasil, a agricultura responde por 25% do PIB e gera 18 milhões de empregos. No último ano, o setor cresceu quase 12%. Fortalecer esse setor é garantir desenvolvimento sustentável e segurança alimentar global. O Brasil está disposto a contribuir com esse movimento e com os países da região”. 

OBJETIVOS DA REUNIÃO MINISTERIAL

A reunião ministerial teve como objetivos principais: 

  • Fomentar diálogo político de alto nível entre ministros sobre experiências nacionais, desafios e prioridades para restaurar o crescimento sustentável da produtividade agrícola na América Latina e no Caribe (ALC); 

  • Construir consenso regional sobre ações prioritárias e mecanismos de cooperação para fortalecer os sistemas de ciência, tecnologia e inovação na região; 

  • Reforçar o compromisso político para alinhar estratégias nacionais de produtividade agrícola com objetivos sociais, econômicos e ambientais, em níveis regional e nacional. 

Informações à imprensa
i[email protected] 

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Primavera começa com previsão de excesso de chuva no Sul e seca no Centro-Norte

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A primavera começa nesta terça-feira (22), às 21h05, dividindo o Brasil entre dois extremos climáticos. Enquanto o Sul deverá enfrentar chuva acima da média, temporais e dificuldades para colocar máquinas no campo, áreas do Norte, Nordeste e do norte do Centro-Oeste poderão conviver com calor mais intenso, precipitações irregulares e redução da umidade do solo.

O cenário consta do prognóstico elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). A previsão abrange outubro, novembro e dezembro e indica 98% de probabilidade de um El Niño muito forte nesse período. A primavera termina em 21 de dezembro.

No Sul, a chuva deverá superar a média histórica nos três estados. Os maiores excessos são esperados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde os acumulados do trimestre podem ficar até 200 milímetros acima do normal. No Paraná, os volumes também tendem a ser elevados, especialmente durante a passagem de frentes frias e a formação de áreas de instabilidade.

O produtor deverá enfrentar intervalos menores para semear soja e milho, aplicar defensivos e realizar outros trabalhos mecanizados. O solo encharcado impede a entrada das máquinas, favorece a compactação e pode comprometer a emergência das plantas. Se a chuva ocorrer logo depois da semeadura, também existe risco de erosão, formação de crostas superficiais e perda de sementes e fertilizantes.

A umidade favorece o desenvolvimento inicial das culturas de verão e a recuperação das pastagens, mas o excesso pode atrasar o calendário. Isso preocupa especialmente os agricultores que precisam colher a soja cedo para preservar a janela do milho e do algodão de segunda safra.

As lavouras de trigo ainda não colhidas no Paraná e no Rio Grande do Sul também exigirão atenção. Chuva durante a maturação pode reduzir o peso hectolítrico, a força do glúten e a qualidade do cereal destinado à panificação. No arroz irrigado, áreas com drenagem deficiente poderão apresentar excesso de água durante a implantação.

Além do volume, o Sul terá risco mais elevado de tempestades severas. A combinação de calor, umidade e passagem de frentes frias favorece chuva intensa em curto período, descargas elétricas, rajadas de vento e granizo. Esses eventos podem causar acamamento de lavouras, danos a estruturas rurais e interrupções no fornecimento de energia e nas estradas de acesso às propriedades.

No Centro-Oeste, a previsão apresenta diferenças importantes. Mato Grosso do Sul, o sul de Goiás e o sul de Mato Grosso devem receber volumes mais elevados, condição que pode beneficiar o plantio e o estabelecimento inicial da soja. Nessas áreas, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo firme sem entrar em solos excessivamente úmidos.

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No centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás, a tendência é oposta. A chuva deverá ficar abaixo da média e as temperaturas permanecerão elevadas, com desvios que podem chegar a 2 graus no norte mato-grossense. O calor aumenta a perda de água do solo e exige cautela antes do plantio.

Nessas regiões, uma chuva isolada não deve ser interpretada como instalação definitiva do período úmido. Sem precipitações regulares nos dias seguintes, a semente pode germinar e encontrar solo seco durante a emergência, aumentando as falhas no estande e a necessidade de replantio. A recomendação é acompanhar a umidade em profundidade e as previsões de curto prazo, em vez de decidir apenas pelo primeiro volume registrado.

No Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e o centro-sul de Minas Gerais deverão receber chuva acima da média, com excessos de até 100 milímetros no trimestre. A condição tende a favorecer a implantação de soja e milho, a recuperação dos reservatórios e o desenvolvimento da cana-de-açúcar e da horticultura.

O excesso de umidade, porém, poderá reduzir o ritmo da colheita da cana, dificultar aplicações e ampliar a pressão de doenças. Nas áreas de café, chuva bem distribuída favorece a abertura e o pegamento das floradas, mas temporais, granizo e longos períodos de umidade podem provocar danos e aumentar a necessidade de controle fitossanitário.

O norte e o noroeste de Minas Gerais, além de grande parte do Espírito Santo, deverão enfrentar chuva mais irregular. No território capixaba, o déficit pode chegar a 50 milímetros. A combinação com temperaturas acima da média tende a aumentar a necessidade de irrigação e os cuidados com café, frutas, pastagens e produção animal.

O Norte deverá concentrar uma das situações mais preocupantes da estação. A previsão indica chuva abaixo da média em praticamente toda a região. Roraima, o norte e o nordeste do Amazonas e áreas do oeste e centro-sul do Pará podem acumular até 200 milímetros menos que o normal.

Com temperaturas até 2 graus acima da média, o solo poderá perder umidade mais rapidamente. O cenário aumenta o risco para soja, milho, arroz de terras altas, feijão, mandioca, banana e cacau, além de reduzir a capacidade de recuperação das pastagens e elevar a necessidade de água para os rebanhos.

No Nordeste, também deverá predominar o déficit de chuva. A exceção pode ocorrer em trechos da faixa leste, entre Rio Grande do Norte e Alagoas, onde os volumes podem ficar ligeiramente acima da média.

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O maior cuidado estará no Matopiba, fronteira agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A irregularidade da chuva e o calor poderão atrasar a semeadura, dificultar a emergência da soja e aumentar o consumo de água nas áreas irrigadas. Pastagens também poderão apresentar menor rebrota e menor disponibilidade de forragem.

A previsão sazonal mostra uma tendência para o conjunto da primavera e não significa que choverá continuamente no Sul ou que todos os municípios do Centro-Norte enfrentarão seca. A distribuição pode variar dentro de um mesmo estado e até entre propriedades próximas.

Para o produtor, a principal orientação será ajustar o calendário às condições efetivamente observadas no solo. No Sul, isso significa aproveitar os intervalos secos e reforçar drenagem, conservação do solo e proteção das estruturas. No Centro-Norte, a cautela será confirmar a regularidade das chuvas antes de acelerar a semeadura.

Na avaliação de Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o clima se soma aos custos elevados, ao crédito restrito e às oscilações do mercado entre os principais riscos assumidos pelo produtor a cada safra.

“O agricultor planeja a lavoura, investe em sementes, fertilizantes, máquinas e mão de obra, mas continua dependendo de uma variável que não controla. Uma chuva que atrasa, um excesso de precipitação ou um temporal de poucos minutos pode comprometer o trabalho e o investimento de muitos meses”, afirma.

Segundo Rezende, a maior frequência de extremos exige mais planejamento e capacidade de adaptação. “As mudanças do clima deixaram de ser uma discussão distante. O produtor já percebe períodos mais longos de seca, chuvas concentradas, calor intenso e dificuldade para definir a melhor janela de plantio. Isso exige informação meteorológica confiável, manejo adequado do solo, seguro rural e assistência técnica”, diz.

Para ele, a adaptação não pode ser atribuída exclusivamente ao agricultor. “O campo precisa de sistemas de alerta, pesquisa, crédito para irrigação e armazenagem de água, conservação de estradas e um seguro rural que funcione. O produtor pode adotar tecnologia e melhorar o manejo, mas não conseguirá enfrentar sozinho uma realidade climática cada vez mais instável”, conclui.

A primavera deverá oferecer água suficiente e até excessiva em parte das principais regiões produtoras, mas manterá áreas importantes sob risco de déficit hídrico. Mais do que o total acumulado, a distribuição da chuva definirá o resultado da safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

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