AGRONEGOCIOS
Margens Agrícolas Globais em 2026 Sofrem Pressão: Custos Sobem e Preços Caem
AGRONEGOCIOS
Lucros dos Produtores Rurais Continuam Sob Pressão
Um novo estudo do Rabobank, Field Crop Margin Outlook 2026, alerta que os produtores agrícolas globais enfrentarão margens de lucro apertadas pelo menos até meados de 2027. Segundo o relatório, a combinação de custos operacionais mais altos — especialmente fertilizantes — e preços de commodities em queda deve resultar em safra de rentabilidade limitada nas principais regiões produtoras de soja, milho e trigo.
Custos de Produção Aumentam em Todo o Mundo
Para a safra de 2026, os custos de produção devem subir significativamente:
- Fertilizantes: Os preços do fosfato continuam elevados devido ao equilíbrio apertado entre oferta e demanda. No Brasil, o MAP (fosfato monoamônico) registra alta e produtores buscam alternativas como SSP e TSP, que também sofrem pressão de preços.
- Defensivos agrícolas: Inseticidas e outros defensivos devem encarecer devido a problemas de abastecimento. Apesar de uma leve queda nos preços vindos da China, o impacto global continua relevante.
- Câmbio: A desvalorização de moedas locais frente ao dólar afeta países como Austrália e algumas nações europeias, aumentando os custos de importação de insumos.
Oferta Global de Commodities Mantém Preços Baixos
A produção mundial de grãos segue em níveis recordes, pressionando os preços:
- Milho: Brasil, EUA e China devem colher safras históricas.
- Soja: A produção global deve alcançar 690 milhões de toneladas, marcando o sexto recorde consecutivo.
- Trigo: O crescimento contínuo na União Europeia e Rússia impulsiona seis safras seguidas em alta.
Mesmo com estoques globais de milho e trigo em declínio e consumo doméstico elevado, a supersafra mantém os preços em território baixista.
Projeções de Margens Operacionais por Região
As margens operacionais — lucro bruto sobre receita líquida, sem incluir custos com terra e subsídios — mostram variações significativas entre países e culturas:
- Brasil: Soja — 24%
- EUA: Soja — 13% / Milho — 7%
- Argentina: Soja — 8% / Milho — 26%
- França: Cereais — 13%
- Austrália: Canola — 48%
O cenário indica que margens estreitas devem ser a regra, especialmente para milho e soja nos Estados Unidos e Argentina.
Brasil: Recuperação Financeira Esperada Apenas em 2027
Os produtores brasileiros ainda enfrentam os efeitos da seca, juros altos e endividamento acumulado. Atualmente, as margens de soja e milho estão em 38% e 23%, respectivamente, mas devem cair em 2026 com o aumento dos custos de produção. A expansão da área plantada está prevista em apenas 1,5%, e o equilíbrio financeiro do setor deve se restabelecer somente em meados de 2027.
Estados Unidos: Margens Apertadas e Incertezas com Tarifas
Nos EUA, o One Big Beautiful Bill Act (OBBBA) trouxe algum alívio, mas dúvidas persistem quanto aos pagamentos aos produtores. Além disso, tarifas comerciais anunciadas em abril de 2025 podem impactar a safra 2027. Para 2026, a soja deve registrar margem de 13% e o milho de 7%, podendo gerar prejuízo líquido sem auxílio governamental.
Europa: Recuperação em 2025, Mas Pressão Retorna
Condições climáticas favoráveis elevaram a produtividade de trigo e canola em países como França e Espanha em 2025. No entanto, a expectativa para 2026 é de compressão das margens devido aos preços baixos das commodities e aumento de 15% nos custos de fertilizantes.
Austrália: Margens em Queda, Exceto para a Canola
A Austrália deve registrar margens mais baixas para trigo e cevada, impactadas por preços internacionais desfavoráveis e custos altos. A canola se mantém como exceção, beneficiada por preços favoráveis e depreciação do dólar australiano, que reduz custos de insumos importados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Plano Safra 2026/27 amplia recursos, mas redução no crédito de custeio preocupa produtores rurais
O lançamento do Plano Safra 2026/2027 trouxe novamente um volume recorde de recursos para a agropecuária brasileira. O governo federal anunciou R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento da produção rural empresarial, desconsiderando os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Apesar do valor histórico, especialistas e representantes do setor alertam que a análise não pode se limitar ao montante global. A composição dos recursos revela mudanças importantes na política de crédito rural, com redução das linhas tradicionais de custeio, retração do crédito subsidiado e crescimento da participação dos instrumentos privados de financiamento.
Na avaliação do setor produtivo, o principal desafio do novo Plano Safra será garantir que o crédito anunciado chegue efetivamente ao produtor rural, em condições compatíveis com a realidade econômica da atividade.
Recursos crescem nominalmente, mas perdem força diante da inflação
Do total anunciado para o ciclo 2026/2027, R$ 384,9 bilhões serão destinados às operações de custeio e comercialização, enquanto R$ 140,2 bilhões financiarão investimentos no setor agropecuário.
Embora o Plano Safra tenha registrado acréscimo nominal de aproximadamente R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior — alta de cerca de 1,7% — o crescimento ficou abaixo da inflação acumulada no período.
Considerando o IPCA dos últimos 11 meses, estimado em 4,4%, o volume necessário apenas para manter o mesmo poder de compra do Plano Safra anterior seria de aproximadamente R$ 538,7 bilhões.
Na prática, o programa representa uma redução real próxima de R$ 13,6 bilhões quando descontada a inflação.
Outro ponto que chama atenção é a redução dos recursos destinados justamente ao financiamento da produção.
As linhas de custeio e comercialização passaram de R$ 414,7 bilhões no Plano Safra 2025/2026 para R$ 384,9 bilhões no novo ciclo, uma diminuição nominal de R$ 29,8 bilhões.
Aprosoja MT alerta para crédito mais caro e restrito
Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber, o cenário preocupa porque o produtor inicia uma nova safra enfrentando juros elevados, margens mais apertadas e maior rigor das instituições financeiras na concessão de crédito.
Segundo ele, a redução dos recursos para custeio diminui a capacidade do agricultor de financiar o plantio e a condução da lavoura, justamente no momento em que os custos de produção permanecem elevados.
“O Plano Safra 2026/27 apresenta um aumento no volume total de recursos, mas reduz quase R$ 30 bilhões destinados ao custeio e à comercialização. Houve redução de juros em algumas linhas, porém com menor disponibilidade de recursos para financiar a produção. Isso limita o acesso do produtor justamente na etapa mais importante do ciclo agrícola”, avalia.
Endividamento rural preocupa setor produtivo
Antes mesmo da divulgação do novo Plano Safra, a Aprosoja Mato Grosso havia encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária propostas voltadas ao enfrentamento do crescente endividamento rural.
A entidade defende que a política agrícola contemple medidas capazes de recompor a capacidade financeira dos produtores, facilitar renegociações de dívidas e preservar o acesso ao crédito.
Segundo a associação, sem soluções estruturais para o passivo financeiro acumulado, parte significativa dos recursos anunciados tende a ser utilizada apenas para reorganizar dívidas existentes, reduzindo o impacto positivo sobre a produção.
Crédito rural tradicional perde espaço para a CPR
Os números da execução do Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2025/2026 reforçam a mudança no perfil do financiamento rural brasileiro.
Entre julho de 2025 e maio de 2026, o volume contratado de crédito rural, excluindo o Pronaf, alcançou R$ 433 bilhões, redução de 5% em relação aos R$ 458,1 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior.
Quando são consideradas apenas as linhas tradicionais de crédito rural — financiadas por recursos controlados e livres — a retração é ainda maior.
O volume caiu de R$ 286,6 bilhões para R$ 247,8 bilhões, representando redução de aproximadamente 14%.
Em contrapartida, a Cédula de Produto Rural (CPR) ampliou sua participação no financiamento da atividade.
As operações por meio da CPR totalizaram R$ 185,2 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, crescimento de 8% frente aos R$ 171,5 bilhões do ciclo anterior.
Com isso, o instrumento passou a responder por 42,8% do total do crédito rural contratado, ante 37,4% na safra passada.
Dependência do mercado aumenta custo financeiro
O crescimento da participação da CPR evidencia uma transformação importante no financiamento do agronegócio brasileiro.
À medida que aumenta a utilização de instrumentos privados, os produtores ficam mais expostos às condições de mercado, aos custos financeiros praticados pelas instituições e às exigências de garantias.
Na avaliação do setor, essa mudança reduz o papel das linhas tradicionais da política agrícola e amplia a dependência de mecanismos privados de crédito.
Linhas de investimento e programas estratégicos também encolhem
A retração também atingiu outras modalidades importantes do crédito rural.
As operações de custeio recuaram de R$ 158 bilhões para R$ 137,5 bilhões entre julho de 2025 e maio de 2026, queda de 12,9%.
Já os financiamentos destinados a investimentos apresentaram redução ainda maior, passando de R$ 64 bilhões para R$ 46,1 bilhões, retração de 28,1%.
Programas considerados estratégicos para modernização da agropecuária, como Moderfrota, Proirriga, PCA, Prodecoop e RenovAgro, também registraram menor volume de recursos contratados.
Outro dado que preocupa o setor é a redução das operações com recursos equalizados pelo governo.
Esse volume caiu de R$ 91,4 bilhões para R$ 48,9 bilhões no mesmo período analisado, retração de aproximadamente 47%, indicando menor participação do crédito subsidiado na política agrícola.
Crédito acessível será determinante para o sucesso do Plano Safra
O Plano Safra 2026/2027 reforça instrumentos de gestão de risco, como o Proagro e o seguro rural, além de condicionar determinadas renegociações de custeio à contratação de cobertura securitária.
No entanto, representantes do setor destacam que a eficácia dessas medidas dependerá da disponibilidade efetiva dos programas, da oferta de recursos suficientes e de custos compatíveis com a realidade econômica das propriedades rurais.
Para o agronegócio, mais importante do que anunciar cifras recordes é assegurar que o crédito rural esteja disponível, com acesso simplificado, juros competitivos e capacidade de atender quem produz.
Em um cenário de custos elevados, margens mais apertadas e maior seletividade das instituições financeiras, o sucesso do Plano Safra será medido menos pelo volume anunciado e mais pela eficiência na chegada dos recursos ao campo, sustentando a produção, os investimentos e a competitividade da agropecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


