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MBRF amplia presença global e vê aumento na demanda por alimentos halal fora do Oriente Médio
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Produtos halal ganham espaço em mercados não muçulmanos
A MBRF, companhia formada pela fusão entre Marfrig e BRF, tem registrado crescimento expressivo na demanda por alimentos halal fora da região do Golfo Pérsico. O movimento vem se consolidando mesmo em países onde a população muçulmana é minoria, apontando para uma ampliação global do consumo de produtos com certificação islâmica.
Segundo Alisson Navarro, vice-presidente global de bovinos da MBRF, o avanço dessa demanda vem sendo observado há alguns anos e demonstra que o padrão halal tem conquistado também consumidores não muçulmanos.
“A demanda por proteína halal vem crescendo em países não islâmicos nos últimos anos. A China, por exemplo, que tem cerca de 20 milhões de muçulmanos, tem aumentado suas importações de produtos certificados halal ano após ano”, afirmou Navarro durante o Global Halal Brazil Business Forum 2025, realizado nesta terça-feira (28), em São Paulo.
Mercado do Golfo ainda lidera, mas novas regiões ganham destaque
Atualmente, cerca de 20% da receita total da MBRF é proveniente da exportação de carnes bovinas e de aves halal para os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — bloco que reúne Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Omã.
A MBRF atua há cinco décadas nesses mercados e mantém liderança consolidada, com a marca Sadia detendo 36% de participação no segmento.
Contudo, a companhia também observa crescimento em novas frentes, com 10% a 15% das receitas halal sendo geradas em mercados fora do Golfo, tanto em países muçulmanos quanto não islâmicos. Esse avanço reflete a diversificação das exportações e o fortalecimento da marca global da empresa.
Expansão da joint-venture com a HPDC fortalece presença no Oriente Médio
Durante o evento, Navarro também comentou a ampliação da joint-venture com a Halal Products Development Company (HPDC), empresa ligada ao Public Investment Fund (PIF) — fundo soberano da Arábia Saudita.
A parceria estratégica, que já visava expandir a atuação no mercado de alimentação halal, agora passa a controlar integralmente a estrutura da MBRF na região, incluindo fábricas, unidades produtivas e canais de distribuição.
Com a reestruturação, a MBRF realizou um spin-off dos negócios localizados no Golfo, transferindo a operação para a joint-venture, que continuará atuando com derivados de frango e bovinos, além de ampliar sua presença em novos mercados internacionais.
“A nova fase da parceria reforça nossa estratégia de fortalecer a produção e distribuição de alimentos halal, garantindo qualidade, rastreabilidade e expansão global”, destacou Navarro.
Brasil se consolida como referência no mercado halal global
O avanço da MBRF reforça o papel do Brasil como um dos maiores exportadores de alimentos halal do mundo, suprindo parte significativa da demanda de países islâmicos e agora também de nações emergentes com hábitos de consumo diversificados.
O Global Halal Brazil Business Forum 2025, promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e pela Fambras Halal, reuniu líderes do setor para debater oportunidades de expansão e fortalecimento das cadeias produtivas certificadas.
O evento contou com o patrocínio da MBRF, além de empresas como Modon, Seara Alimentos, Eco Halal, Emirates, Grupo MHE9, Prime Company, Carapreta Carnes Nobres e SGS.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Mercado de AgTechs no Brasil entra em fase de maturidade com maior seletividade e foco em eficiência no campo
O mercado de AgTechs no Brasil vive uma nova fase em 2025, marcada pela redução no volume de investimentos e por uma postura mais seletiva dos investidores. O foco agora está em tecnologias com aplicação prática no campo e capacidade comprovada de geração de valor ao longo da cadeia do agronegócio.
Segundo levantamento do Itaú BBA, os aportes no setor somaram cerca de R$ 562 milhões distribuídos em 26 rodadas ao longo do ano. O movimento representa uma retração em relação a 2024, com queda estimada em aproximadamente 50% no volume investido e 48% no número de operações, refletindo um ambiente macroeconômico mais restritivo e maior aversão ao risco.
Setor entra em fase de maturidade e seleção mais rigorosa
A desaceleração não indica enfraquecimento do setor, mas sim uma transição de ciclo. O ecossistema de AgTechs passa a privilegiar modelos de negócio mais sólidos, escaláveis e com maior eficiência operacional.
Os investimentos têm se concentrado em soluções ligadas à automação, análise de dados e plataformas digitais, reforçando a busca por previsibilidade e ganho de produtividade no campo. Ao mesmo tempo, observa-se maior participação de fundos de venture capital, indicando maior sofisticação na alocação de recursos.
De acordo com o Itaú BBA, o momento marca uma mudança estrutural no perfil dos aportes. “O que vemos é uma mudança de fase, com investidores mais criteriosos e foco em empresas com maior capacidade de gerar valor. O agro segue como um dos principais vetores de inovação no país”, afirma Matheus Borella, líder em Estratégia e Inovação no Agronegócio da instituição.
Tecnologia avança em toda a cadeia do agro
A análise por segmentos mostra que os investimentos seguem distribuídos ao longo de toda a cadeia produtiva, com destaque para soluções antes, dentro e depois da porteira.
No segmento Antes da Porteira, que envolve insumos e serviços anteriores ao plantio, houve maior concentração em startups que utilizam nano e biotecnologia. O objetivo é ampliar a eficiência dos insumos e reduzir o uso de recursos, aumentando a produtividade das lavouras.
No segmento Dentro da Porteira, ligado à produção agrícola, os investimentos se concentraram em tecnologias de telemetria, automação e agricultura de precisão. O uso de sensores, geolocalização e sistemas de monitoramento em tempo real tem permitido decisões mais assertivas e maior eficiência operacional nas propriedades.
Já o segmento Depois da Porteira, voltado à comercialização e logística, recebeu aportes em plataformas digitais de negociação e soluções de beneficiamento. A maior disponibilidade de dados padronizados e auditáveis tem permitido maior precisão na formação de preços, redução de assimetrias de informação e melhor previsibilidade nas entregas.
Agronegócio impulsiona inovação mesmo em cenário restritivo
Mesmo com o cenário mais seletivo de investimentos, o setor de AgTechs mantém relevância estratégica dentro do agronegócio brasileiro. Eventos do setor, como feiras e encontros tecnológicos, já refletem essa tendência, com aumento da presença de soluções voltadas à eficiência operacional e ao uso intensivo de dados.
O movimento reforça o papel do agro como um dos principais motores de inovação do país, sustentado pela demanda crescente por produtividade, eficiência e digitalização das operações no campo.
Perspectivas
A expectativa é de continuidade desse processo de amadurecimento do ecossistema de AgTechs no Brasil. Com investidores mais criteriosos e foco em soluções de impacto direto na produção, o setor tende a avançar de forma mais sustentável, priorizando eficiência e geração de valor em toda a cadeia do agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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