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Mercado de café enfrenta incertezas com tarifas dos EUA e volatilidade internacional, aponta Itaú BBA
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O Agro Mensal, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA, traz uma análise detalhada sobre o desempenho recente do mercado de café, destacando que, mesmo com o retorno das chuvas nas regiões produtoras, os preços do café arábica continuaram em alta nas bolsas internacionais.
Em Nova York, as cotações do arábica avançaram 1% em outubro e 3% na primeira quinzena de novembro, após fortes ganhos nos meses anteriores — 15% em agosto e 13% em setembro. A consultoria aponta que a valorização reflete o elevado patamar dos contratos de primeiro vencimento, cotados próximos de US$ 4 por libra-peso, com tendência de alta moderada devido ao otimismo com as condições climáticas e à expectativa, ainda não confirmada, de retirada das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Robusta sofre pressão com colheita no Vietnã
Enquanto o arábica manteve o movimento de valorização, o mercado de robusta, negociado em Londres, apresentou estabilidade em outubro e na primeira metade de novembro, girando em torno de US$ 4.500 por tonelada.
O Itaú BBA destaca que a devolução parcial dos ganhos recentes ocorreu após a confirmação de que o tufão que atingiu o Vietnã não prejudicou as principais regiões cafeeiras. Além disso, a colheita vietnamita — o maior produtor mundial de robusta — aumentou a oferta global, pressionando as cotações.
Valorização do real limita ganhos no mercado interno
No Brasil, a recente apreciação do câmbio reduziu o potencial de ganhos nas cotações internas. Em 14 de novembro, o café arábica foi negociado próximo de R$ 2.200 por saca, enquanto o conilon (robusta brasileiro) registrou cerca de R$ 1.300 por saca.
A valorização do real frente ao dólar afetou a competitividade das exportações, que recuaram significativamente. Em outubro, os embarques somaram 4,14 milhões de sacas, queda de 20% em relação ao mesmo mês de 2024, com destaque para a redução de 50% nas vendas aos Estados Unidos. No acumulado da safra 2025/26 (de julho a outubro), as exportações estão 20% menores que no mesmo período do ciclo anterior.
Tarifas dos EUA continuam pressionando competitividade brasileira
O relatório enfatiza que a esperada retirada das tarifas americanas sobre o café brasileiro não se concretizou. Os Estados Unidos eliminaram apenas a tarifa recíproca de 10% para todos os países produtores, mas mantiveram o imposto de 40% sobre o café do Brasil, enquanto outras origens agora têm tarifa zero.
Essa decisão, segundo o Itaú BBA, traz apenas um pequeno alívio aos importadores norte-americanos, mas mantém o Brasil em desvantagem competitiva, reduzindo o ritmo das exportações e limitando a liquidez do setor.
Chuvas irregulares ainda preocupam produtores
Apesar do retorno das chuvas em novembro, as precipitações foram insuficientes em outubro no cerrado mineiro, uma das principais regiões produtoras do país. O sul de Minas, por sua vez, teve situação um pouco melhor. A irregularidade hídrica pode comprometer o pegamento das primeiras floradas registradas em setembro.
Ainda assim, o Itaú BBA mantém perspectiva positiva para a safra 2026/27, projetando produção superior à atual, desde que as chuvas nos próximos meses se mantenham dentro da normalidade.
Perspectivas e gestão de riscos no setor cafeeiro
Mesmo diante das incertezas, os preços ao produtor seguem atrativos, permitindo boas margens para fixações. No entanto, a curva futura indica tendência de preços mais baixos em 2026, o que exige atenção redobrada dos produtores na gestão de riscos e na estratégia de comercialização.
O Itaú BBA reforça que o cenário do café continua carregado de volatilidade, com desafios ligados à recuperação da produção brasileira, à manutenção das tarifas norte-americanas e ao risco de moderação no consumo global devido aos preços elevados.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Carne suína: percepção de oferta confortável pressiona preços e trava mercado no Brasil
O mercado brasileiro de carne suína registrou uma semana de comportamento misto entre o quilo vivo e os cortes negociados no atacado. A pressão predominante veio da percepção de que a oferta de animais segue confortável, fator que limita reajustes e mantém o setor em ritmo lento de negociações.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, a indústria adotou uma postura mais reticente nas compras do suíno vivo em Minas Gerais ao longo da semana. O movimento reflete a percepção de equilíbrio — ou até excesso — na oferta disponível, o que reduz o poder de barganha dos produtores.
Ao mesmo tempo, os frigoríficos monitoram o escoamento da carne suína no mercado interno, que apresenta leve melhora, mas ainda sem força suficiente para sustentar altas mais consistentes nos preços.
Consumo pode ganhar tração na primeira quinzena de julho
De acordo com Maia, as expectativas do setor se concentram na primeira metade de julho, período tradicionalmente associado ao aumento da circulação de renda com o pagamento de salários.
Além disso, o avanço do inverno em diversas regiões do país tende a favorecer o consumo de proteínas, especialmente carnes de preparo doméstico. Outro fator de atenção é a competitividade da carne suína frente à bovina, o que pode ampliar a demanda no varejo.
No cenário externo, as exportações seguem como principal variável positiva para o setor em 2026, funcionando como importante amortecedor para o mercado interno.
Preços do suíno vivo recuam na média nacional
Levantamento da Safras & Mercado apontou que a média do quilo do suíno vivo no Brasil recuou de R$ 5,34 para R$ 5,28 ao longo da semana.
No atacado, a média dos cortes de carcaça ficou em R$ 8,89, enquanto o pernil foi negociado a R$ 11,18.
Cotações variam entre estabilidade e ajustes regionais
No mercado paulista, a arroba suína subiu de R$ 101,00 para R$ 102,00, indicando leve reação pontual.
Em outras regiões, o comportamento foi mais heterogêneo:
- No Rio Grande do Sul, o quilo vivo na integração caiu de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto no interior avançou de R$ 5,10 para R$ 5,15
- Em Santa Catarina, a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15, enquanto o interior subiu de R$ 5,05 para R$ 5,10
- No Paraná, o mercado livre avançou de R$ 4,90 para R$ 5,00, e a integração manteve R$ 5,60
- Em Mato Grosso do Sul, Campo Grande ficou estável em R$ 5,10, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
- Em Goiás, os preços subiram de R$ 5,40 para R$ 5,50
- Em Minas Gerais, o interior caiu de R$ 6,00 para R$ 5,90, enquanto o mercado independente ficou estável em R$ 6,10
- Em Mato Grosso, Rondonópolis manteve R$ 5,50, enquanto a integração recuou de R$ 5,55 para R$ 5,15
O cenário geral reforça um mercado fragmentado, com variações pontuais e ausência de tendência única.
Exportações seguem em queda no comparativo anual
As exportações brasileiras de carne suína in natura somaram US$ 212,827 milhões em junho, considerando 14 dias úteis, com média diária de US$ 15,202 milhões.
O volume embarcado atingiu 84,663 mil toneladas, com média diária de 6,047 mil toneladas, enquanto o preço médio ficou em US$ 2.513,8 por tonelada.
Na comparação com junho de 2025, houve:
- queda de 5,2% no valor médio diário
- recuo de 1% na quantidade média diária
- redução de 4,3% no preço médio
Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e reforçam um cenário de leve perda de ritmo nas exportações, apesar de o setor seguir relevante para o equilíbrio da cadeia produtiva.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


