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Mercado de café mantém alta volatilidade em meio a tarifas dos EUA e safra brasileira menor
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De acordo com o Agro Mensal, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado de café continua registrando forte volatilidade, influenciado pela colheita brasileira e pelo cenário geopolítico instável. Após a pressão de baixa que começou no fim de abril, o preço do café arábica parou de cair em julho.
Nos últimos 45 dias, a variação do arábica foi de apenas -0,8% no exterior e -1,2% em reais, com o produtor recebendo cerca de R$ 1.800 por saca. Já o robusta sofreu uma queda mais acentuada, recuando 10,9% na Bolsa de Londres, o que também puxou o conilon para baixo (-8,7%). O desconto frente ao arábica chegou a 45%, bem acima da média histórica de 27% registrada na última década.
EUA impõem tarifa de 50% sobre café brasileiro
O relatório destaca que o café do Brasil ficou de fora da lista de produtos isentos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, que dependem 100% de importações para atender seu consumo — o maior do mundo em termos absolutos. Mesmo representando 30% das importações americanas e diante da oferta apertada de arábica, o produto brasileiro será taxado em 50%.
A medida, que ainda pode ser revista, já reduziu o ritmo das negociações e levou produtores a segurar vendas, estreitando o diferencial entre o preço do arábica no Brasil e em Nova York.
Exportações brasileiras recuam no ano safra
Apesar da queda nos últimos meses, o Brasil embarcou 45,6 milhões de sacas nos 12 meses encerrados em junho, volume 3,9% menor que no ciclo anterior — equivalente a 1,8 milhão de sacas a menos. Em 2023/24, as exportações haviam crescido 33%.
Oferta de arábica segue restrita
Com 85% da colheita de arábica concluída até 30 de julho, segundo a Safras & Mercado, produtores relatam rendimento abaixo do esperado para essa variedade, enquanto a produção de conilon se mantém elevada. O cenário indica uma safra menor de arábica e maior de robusta, o que deve ajudar a conter pressões adicionais sobre as cotações em Nova York.
Custos da próxima safra devem aumentar
O Itaú BBA alerta que, embora os preços atuais ainda garantam margens atrativas, os custos da safra 2025/26 tendem a subir, especialmente devido ao aumento nos preços dos fertilizantes. Produtores capitalizados e com custos da safra atual já quitados são aconselhados a fixar preços para assegurar a rentabilidade.
Riscos climáticos e perspectivas
Episódios recentes de granizo no sul de Minas Gerais afetaram algumas áreas, mas não mudaram a perspectiva positiva para a próxima safra. Ainda assim, o setor segue atento à chegada de frentes frias, que podem alterar o cenário para 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Soja brasileira caminha para safra recorde de 182 milhões de toneladas e reforça liderança global em 2026
A soja brasileira segue consolidando sua posição como principal protagonista do agronegócio mundial. De acordo com o relatório AgroInfo Junho 2026, divulgado pelo Rabobank, o Brasil deverá colher uma safra histórica de 182 milhões de toneladas na temporada 2025/26, volume que representa um acréscimo de 10 milhões de toneladas em comparação ao ciclo anterior.
O resultado reflete a combinação entre expansão moderada da área cultivada e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, fortalecendo ainda mais a competitividade do país no mercado internacional.
Produção recorde fortalece oferta brasileira
Segundo a análise do RaboResearch Food & Agribusiness, o desempenho da safra brasileira confirma o elevado potencial produtivo do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas geopolíticas e oscilações nos preços das commodities.
Além do crescimento da produção, a demanda pela oleaginosa continua apresentando sinais robustos, sustentando perspectivas positivas para toda a cadeia produtiva.
Exportações seguem em ritmo acelerado
As exportações brasileiras de soja mantêm forte desempenho em 2026. Dados compilados pelo Rabobank mostram que os embarques entre janeiro e maio registraram crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
A expectativa é que o Brasil exporte aproximadamente 113 milhões de toneladas ao longo do ano, estabelecendo um novo recorde e ampliando em cerca de 5 milhões de toneladas o volume embarcado em comparação a 2025.
Mesmo diante da valorização do real frente ao dólar e do aumento dos custos logísticos internos, a soja brasileira continua altamente competitiva no mercado global, especialmente em relação aos principais concorrentes internacionais.
Mercado internacional influencia preços
Durante o primeiro semestre de 2026, os preços da soja foram fortemente impactados pelo cenário geopolítico internacional.
A expectativa de exportações expressivas dos Estados Unidos para a China ajudou a sustentar as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã impulsionou os preços do petróleo e dos óleos vegetais, incluindo o óleo de soja.
Esse movimento levou os contratos da oleaginosa a alcançarem níveis próximos de US$ 12,20 por bushel em março. Entretanto, a valorização observada em Chicago não se refletiu integralmente nos preços recebidos pelos produtores brasileiros.
A combinação entre prêmios mais baixos nos portos e a valorização do real limitou os ganhos no mercado interno, mantendo as cotações em reais relativamente estáveis ao longo do período.
Esmagamento cresce com margens mais atrativas
Outro destaque do relatório é o fortalecimento da indústria de processamento.
Mesmo com o adiamento do aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, as margens de esmagamento foram beneficiadas pela valorização do óleo de soja.
No primeiro trimestre de 2026, o volume processado atingiu 14,3 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
A tendência é que a demanda por derivados continue sustentando o avanço do esmagamento ao longo do ano.
Clima nos Estados Unidos e El Niño entram no radar
Nas últimas semanas, os fundamentos de mercado voltaram a assumir protagonismo na formação dos preços globais.
O avanço do plantio e as boas condições das lavouras norte-americanas pressionaram as cotações da soja em Chicago, que registraram queda próxima de 5% durante junho.
Segundo o Rabobank, caso o clima continue favorável nos Estados Unidos, os preços poderão sofrer novas correções no curto prazo.
Por outro lado, após o início da colheita norte-americana, a atenção dos investidores deverá migrar para a América do Sul, especialmente para os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira 2026/27.
Perspectivas para o produtor
Apesar da volatilidade dos mercados internacionais e das incertezas climáticas para a próxima temporada, o cenário para a soja brasileira permanece amplamente favorável.
A combinação entre safra recorde, crescimento das exportações, aumento do esmagamento e forte demanda global reforça o papel estratégico da cultura para o agronegócio nacional.
No entanto, produtores devem acompanhar atentamente fatores como o comportamento do clima, a evolução da demanda chinesa, os custos logísticos e os movimentos do câmbio, que continuarão exercendo influência direta sobre a rentabilidade do setor nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


