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Mercado de fertilizantes enfrenta oscilações com pressão de alta nos nitrogenados e incertezas globais
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De acordo com o engenheiro agrônomo e representante técnico comercial da Yara Brasil, Leandro Cieslak, diversos fatores internacionais e internos estão moldando os preços e o comportamento da demanda, gerando alerta entre produtores rurais e profissionais do agronegócio. A seguir, veja os principais destaques por segmento.
Nitrogenados sob pressão de alta
O segmento de fertilizantes nitrogenados enfrenta uma pressão altista, impulsionada por:
- Tarifas impostas pelos Estados Unidos;
- Demanda crescente da Índia;
- Expectativa de ampliação da área de cultivo de milho nos EUA.
Apesar disso, o mercado de amônia mostra um viés de baixa, resultado do aumento na oferta global, especialmente com produtos vindos da Europa, Oriente Médio e China. Ainda assim, a demanda indiana permanece como um fator de possível virada no mercado.
Fosfatados sobem com oferta global limitada
No mercado de fertilizantes fosfatados, a oferta global restrita tem sustentado a elevação dos preços. No Brasil:
- O MAP (fosfato monoamônico) segue com preços firmes;
- O SSP (superfosfato simples) e o TSP (superfosfato triplo) registram valorização.
Internacionalmente, a Índia segue com forte demanda, ainda que o governo local questione os preços vigentes. A ausência da China nas exportações aumenta a incerteza sobre o abastecimento, especialmente diante da demanda aquecida também nos Estados Unidos.
Enxofre registra alta no mercado internacional
O mercado de enxofre mantém tendência de alta, puxado por:
- Forte demanda da Indonésia;
- Oferta restrita nos Estados Unidos e na Europa.
A China está sendo monitorada pelos analistas como um possível influenciador do cenário. No Brasil, o reflexo dessa alta já é sentido nas negociações.
Potássio segue valorizado com protagonismo brasileiro
O mercado de potássio continua em valorização, e o Brasil tem se destacado como um dos principais compradores, influenciando o cenário global. Outros destaques incluem:
- A relação de troca entre soja e KCl (cloreto de potássio) ainda é considerada atrativa, incentivando compras;
- Estados Unidos e China adotam uma postura cautelosa nas aquisições;
- O Canadá se mantém como um dos maiores fornecedores;
- A China pressiona por preços mais baixos, o que pode trazer ajustes nas cotações futuras.
O cenário atual exige atenção redobrada de produtores e compradores de fertilizantes. A combinação de fatores como pressões geopolíticas, aumento da demanda e restrições na oferta tem elevado a volatilidade dos preços, especialmente em segmentos estratégicos para o agronegócio brasileiro. Avaliar o momento certo de compra e monitorar os desdobramentos globais será essencial para a tomada de decisões assertivas nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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