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Mercado de Trigo no Sul do Brasil opera com cautela, preços firmes e atenção ao cenário global de oferta
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Panorama do mercado: cautela predomina no Sul e moinhos ajustam posições
O mercado de trigo no Sul do Brasil segue marcado por negociações pontuais, resistência dos moinhos na formação de estoques e preços relativamente firmes em algumas regiões. De acordo com análises da TF Agroeconômica, o ambiente continua cauteloso, refletindo tanto a dinâmica interna quanto o cenário internacional de oferta.
No Rio Grande do Sul, foram registrados volumes mais expressivos de comercialização ao longo da semana, totalizando cerca de 20 mil toneladas. Apesar disso, o comportamento geral ainda é de seletividade nas compras e forte atenção à qualidade do grão.
Rio Grande do Sul: preços firmes e negócios pontuais em volume
No mercado gaúcho, o trigo de boa qualidade é negociado entre R$ 1.430 e R$ 1.450 por tonelada entregue nos moinhos. Já o trigo de qualidade inferior permanece abaixo desse intervalo, enquanto o trigo melhorador chega a até R$ 1.500 por tonelada.
Também foram registrados negócios FOB de menor volume ao redor de R$ 1.350 por tonelada, com embarque previsto para julho e pagamento no início de agosto.
A maior parte dos moinhos já se encontra praticamente coberta para julho, com atenção voltada para agosto, mas ainda sem disposição para alongar posições de compra.
Em Panambi, o mercado de balcão se manteve estável em R$ 69 por saca, reforçando o cenário de estabilidade regional.
Santa Catarina: mercado travado e dificuldades na venda de farinha
Em Santa Catarina, o cenário segue mais travado, impactado pela dificuldade de escoamento da farinha. Mesmo com algumas negociações, o ambiente permanece de resistência.
Foram registrados negócios de trigo-pão a R$ 1.360 FOB e trigo melhorador a R$ 1.400 FOB, ambos abaixo do produto importado.
Os preços ao produtor seguem estáveis na maior parte das praças, com ajustes pontuais e sem registro de altas consistentes.
Paraná: moinhos cautelosos e mercado lateralizado
No Paraná, o ritmo de negócios também é mais moderado. Os moinhos seguem atentos ao período que antecede a nova safra, operando com maior cautela.
As referências de mercado variam entre R$ 1.450 e R$ 1.500 CIF, enquanto as ofertas giram em torno de R$ 1.400 FOB.
Nos Campos Gerais, os preços permanecem próximos de R$ 1.420 CIF, com indicações de compra em torno de R$ 1.400 CIF para o trigo da nova safra em setembro.
No norte do estado, as referências variam entre R$ 1.450 e R$ 1.480 CIF. Além disso, cooperativas e cerealistas já começam a liberar espaço para a safrinha de milho, influenciando o ritmo de comercialização.
Cenário global: pressão externa limita altas, mas riscos climáticos sustentam preços
O mercado internacional de trigo segue dividido entre fatores de baixa e riscos de suporte de preços. A colheita no Hemisfério Norte exerce pressão negativa, enquanto incertezas climáticas e logísticas evitam quedas mais intensas.
Nos Estados Unidos, chuvas excessivas em áreas de trigo SRW atrasam a colheita e aumentam o risco de perda de qualidade, embora sem impacto produtivo significativo até o momento. Ao mesmo tempo, a atuação de fundos com cobertura de posições vendidas trouxe recuperação técnica pontual.
A demanda internacional também ganhou força com a compra de cerca de 800 mil a 850 mil toneladas pela Argélia. Já no Mar Negro, tensões logísticas envolvendo a Ucrânia elevaram a percepção de risco no comércio global.
Mesmo com esses fatores, os contratos em Chicago, Kansas e Minneapolis encerraram a semana em queda, pressionados pelo avanço da colheita nos EUA, boas perspectivas para Europa, Rússia e região do Mar Negro, além de exportações fracas norte-americanas.
Na Argentina, o plantio adiantado também reforça a expectativa de boa produção na próxima safra.
Bolsa de Chicago e tendências
Na CBOT, o contrato de dezembro de 2026 apresenta suporte em US$ 6,10 por bushel, com resistências em US$ 6,55 e entre US$ 6,75 e US$ 7,00. O comportamento técnico sugere tendência lateral a levemente baixista no curto prazo, com possibilidade de reação caso os riscos climáticos se intensifiquem.
Mercado brasileiro: suporte da oferta restrita limita quedas
No Brasil, o mercado segue relativamente sustentado pela menor disponibilidade doméstica e necessidade de importação.
- Paraná: entre R$ 1.370 e R$ 1.378 por tonelada
- Rio Grande do Sul: entre R$ 1.320 e R$ 1.333 por tonelada
Apesar do suporte vindo da oferta mais restrita, a dificuldade dos moinhos em repassar preços da farinha e a queda do farelo limitam movimentos de alta mais consistentes.
Perspectivas para o trigo
Para as próximas semanas, a tendência é de estabilidade no mercado brasileiro, com viés de lateralização. No cenário internacional, a pressão da colheita no Hemisfério Norte tende a manter leve viés baixista, enquanto eventos climáticos e geopolíticos seguem como principais fatores de volatilidade.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Feijão registra forte alta na produção e pressão de repasse ao consumidor avança em 2026, aponta Cepea
O mercado do feijão segue em trajetória de valorização ao longo de 2026, com altas expressivas nos preços ao produtor sendo gradualmente repassadas ao consumidor final. O movimento é resultado da combinação entre redução da área cultivada e impactos climáticos que afetaram a produtividade das safras, segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Apesar da pressão de alta na origem, o repasse ao varejo ocorre de forma mais lenta, diante da cautela dos agentes atacadistas e varejistas nas compras junto às agroindústrias processadoras.
Mercado mantém cautela nas compras, mas qualidade sustenta negociações
De acordo com pesquisadores do Cepea, o comportamento do mercado ao longo da cadeia produtiva tem sido marcado por prudência, especialmente entre atacado e varejo, que adotam estratégias mais conservadoras diante da volatilidade dos preços.
Ainda assim, a demanda por grãos de melhor padrão de qualidade segue como um dos principais fatores de sustentação das negociações, evitando maior enfraquecimento das cotações em determinados momentos da comercialização.
Preços do feijão disparam no campo em 2026
Nos primeiros cinco meses de 2026, o feijão registrou altas expressivas no mercado ao produtor, refletindo a menor oferta disponível e as perdas produtivas causadas pelo clima.
Destaques de valorização no campo
- Feijão carioca: alta entre 85% e 90%
- Feijão preto: valorização de 51,7%
Os dados consideram a média das principais regiões acompanhadas pelo Cepea, evidenciando um movimento consistente de valorização ao longo do ano.
Varejo já sente impacto, mas repasse ainda é gradual
No varejo, os preços também seguem em alta, embora em ritmo mais moderado, indicando o processo gradual de transmissão das valorizações da produção até o consumidor final.
Segundo dados do IPCA/IBGE:
- Variação dos preços ao consumidor (maio/2026)
- Feijão carioca: +6,44% no mês
- Feijão preto: +2,07% no mês
No acumulado do ano, o avanço é ainda mais significativo:
- Acumulado de 2026
- Feijão carioca: +41,09%
- Feijão preto: +13,69%
Os números reforçam que o aumento observado no campo continua sendo incorporado ao longo da cadeia de distribuição, ainda que de forma escalonada.
Perspectivas para o mercado do feijão
O cenário para os próximos meses segue condicionado à evolução da oferta, ao comportamento climático nas regiões produtoras e à demanda interna, que tende a ser determinante para o ritmo de novos ajustes de preços.
Com estoques mais ajustados e oferta limitada em determinadas regiões, o mercado deve continuar operando com viés de sustentação, enquanto o repasse ao consumidor final tende a seguir ocorrendo de maneira gradual ao longo do ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

