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Mercado de trigo segue travado no Sul do Brasil, enquanto preocupações com oferta global impulsionam preços em Chicago
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Panorama do mercado brasileiro de trigo
O mercado de trigo no Sul do Brasil segue operando com lentidão e com poucas negociações efetivadas, conforme levantamento da TF Agroeconômica. A maior parte dos moinhos está abastecida, e as transações ocorrem de forma pontual, com preços relativamente estáveis.
Rio Grande do Sul
No estado gaúcho, os moinhos estão praticamente cobertos até julho, o que limita as compras. As negociações são feitas “da mão para a boca”, com valores oscilando entre R$ 1.300,00 e R$ 1.400,00 por tonelada, dependendo da localização. Enquanto os moinhos oferecem R$ 1.300,00, os produtores só aceitam vender por, no mínimo, R$ 1.350,00 quando próximos aos compradores.
A preocupação maior recai sobre a próxima safra (2025/26). Estima-se uma redução de 40% na área plantada e uma queda de 60% nas vendas de sementes, o que deve sustentar os preços em níveis mais altos, segundo corretores. No mercado futuro, houve oferta de trigo gaúcho a R$ 1.250,00 FOB, sem interesse dos compradores. Para exportação em dezembro, os preços chegaram a R$ 1.330,00. Em Panambi, a cotação segue estável em R$ 70,00 por saca.
Santa Catarina
Em Santa Catarina, o cenário é semelhante, com mercado lento e poucas negociações. Os preços caíram levemente, girando em torno de R$ 1.400,00 por tonelada FOB. O plantio da nova safra está atrasado, pois ainda não entrou na janela ideal. As vendas de sementes caíram cerca de 20% em relação ao ano anterior. No mercado interno, os preços da saca seguem estáveis: R$ 78,00 em Canoinhas, R$ 75,00 em Chapecó, R$ 79,00 em Joaçaba e R$ 80,00 em Rio do Sul e Xanxerê.
Paraná
No Paraná, o mercado está praticamente paralisado. Vendedores pedem no mínimo R$ 1.550,00 FOB, enquanto compradores oferecem até R$ 1.500,00 para entrega em julho e pagamento em agosto. Há também trigo do Rio Grande do Sul sendo negociado a R$ 1.350,00 FOB, com acréscimos de frete e ICMS. Já o trigo importado segue sob pressão, com queda de US$ 275 para US$ 270 por tonelada nacionalizada.
Para a safra nova, as ofertas são de R$ 1.400,00 para outubro e R$ 1.350,00 para novembro, mas os compradores ainda não encontram vendedores. A média de preços da saca no estado recuou 0,13%, ficando em R$ 79,41, o que ainda garante um lucro médio de 8% ao produtor, segundo dados do Deral.
Cenário internacional: preços em alta em Chicago com preocupações sobre a oferta global
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos de trigo encerraram a sessão em alta, impulsionados por incertezas quanto à oferta global.
China
Na China, o clima quente e seco tem prejudicado significativamente as lavouras de trigo. Relatos de produtores indicam perdas expressivas, com colheitas reduzidas à metade em algumas regiões. Ainda assim, segundo a Reuters, não há clareza sobre um possível aumento nas importações chinesas, dado que o país possui estoques consideráveis e enfrenta demanda interna enfraquecida.
Mar Negro
No Mar Negro, as tensões geopolíticas continuam a preocupar o mercado. Os recentes ataques da Ucrânia a alvos russos elevam os riscos para o escoamento de grãos da região, o que contribui para a valorização das cotações.
Cotações em alta
Os contratos com entrega em julho de 2025 fecharam cotados a US$ 5,43 1/4 por bushel, alta de 7,25 centavos de dólar (1,35%). Já os contratos para setembro encerraram a US$ 5,57 1/4 por bushel, com avanço de 6,75 centavos (1,22%). Esses movimentos refletem o clima de apreensão nos principais polos produtores mundiais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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