CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Mercado do açúcar oscila entre altas e quedas: exportações indianas e fim da safra no Brasil influenciam cotações globais

Publicados

AGRONEGOCIOS

Açúcar encerra semana em alta nas bolsas internacionais

Os contratos futuros do açúcar encerraram a semana passada com valorização nas principais bolsas internacionais. Na ICE Futures de Nova York, o açúcar bruto teve recuperação na sexta-feira (14), com ganhos em todas as posições. O contrato com vencimento em março de 2026 fechou cotado a 14,96 centavos de dólar por libra-peso, alta de 52 pontos em relação ao dia anterior. Já o maio/26 encerrou a 14,49 cts/lb, avanço de 50 pontos, enquanto os demais contratos subiram entre 36 e 47 pontos.

Em Londres, o movimento foi semelhante. Na ICE Futures Europe, o açúcar branco registrou alta generalizada. O vencimento dezembro/25, que expira em breve, subiu US$ 9,30, negociado a US$ 431,60 por tonelada. Já o contrato março/26 teve valorização de US$ 13,20, cotado a US$ 425,80 por tonelada, com ganhos entre US$ 10,70 e US$ 12,60 nas demais posições.

Mercado interno fecha em baixa e perde força em novembro

No mercado doméstico, o cenário foi de queda. O açúcar cristal registrou desvalorização pelo segundo dia consecutivo na sexta-feira (14), com a saca de 50 quilos negociada a R$ 106,41, ante R$ 107,06 do dia anterior, queda de 0,61%. No acumulado de novembro, o indicador já acumula retração de 6,37%, refletindo a pressão do recuo internacional e a maior oferta interna diante do fim de safra no Centro-Sul.

Início da semana: Nova York recua e Londres mantém alta

Após o rally da semana anterior, o açúcar iniciou a segunda-feira (17) em queda na Bolsa de Nova York, com desvalorização superior a 1% nos principais contratos. O vencimento março/26 foi negociado a 14,74 cts/lb (-1,47%), o maio/26 a 14,31 cts/lb (-1,24%), e o julho/26 a 14,23 cts/lb (-1,11%).

Leia Também:  Ministro Fávaro realiza bilateral com ministra da Agricultura da Rússia

Em Londres, no entanto, o mercado manteve a tendência de alta, com o contrato dezembro/25 cotado a US$ 431,60 por tonelada (+2,20%). O movimento reflete as incertezas sobre a oferta global após o anúncio da Índia sobre o limite de exportações.

Exportações indianas limitadas impulsionam preços

O Ministério da Alimentação da Índia confirmou que permitirá a exportação de apenas 1,5 milhão de toneladas de açúcar na safra 2025/26, abaixo das 2 milhões esperadas anteriormente. A decisão reduz a disponibilidade do produto no mercado internacional e sustenta os preços.

Desde 2022/23, o país opera com cotas de exportação, após problemas climáticos afetarem a produção e restringirem a oferta doméstica. A redução anunciada foi suficiente para impulsionar os preços em Nova York ao maior patamar em três semanas, conforme dados da ICE Futures US.

Safra brasileira entra em reta final com redirecionamento para o etanol

No Brasil, o setor sucroenergético segue em fase de encerramento da safra 2024/25. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o mix de cana destinado ao açúcar atingiu 46,02% na segunda quinzena de outubro, ligeiramente acima dos 45,91% do mesmo período de 2023, mas ainda distante dos picos da temporada — em agosto, o índice chegou a 55%.

A retração reflete o redirecionamento da cana para a produção de etanol, favorecido pela maior rentabilidade do biocombustível. Além disso, os preços do açúcar próximos às mínimas de cinco anos seguem abaixo do custo de produção da maioria das usinas, o que reforça a mudança na estratégia industrial.

Leia Também:  Demanda aquecida sustenta alta nos preços do frango em abril, mesmo com custos elevados

Ainda segundo a Unica, 54 usinas encerraram as atividades na segunda quinzena de outubro, totalizando 74 unidades desde o início da safra — número superior às 40 registradas no mesmo período de 2023. Outras 50 devem finalizar a moagem até meados de novembro, totalizando mais de 120 usinas paralisadas no Centro-Sul.

O encerramento antecipado é atribuído às adversidades climáticas, como estiagens prolongadas e queimadas, que afetaram o rendimento agrícola.

Sobretaxas dos EUA reduzem exportações do agronegócio brasileiro

A conjuntura internacional também pressiona o setor. De acordo com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), as exportações brasileiras do agronegócio para os Estados Unidos recuaram 31,3% entre agosto e outubro de 2024, representando perda de US$ 973,1 milhões.

Entre os segmentos mais atingidos estão a cana-de-açúcar, produtos florestais, carne bovina e café. As exportações de açúcar bruto para os EUA praticamente cessaram, com redução de 231 milhões de toneladas, gerando prejuízo de US$ 111,3 milhões.

A carne bovina in natura também sofreu forte impacto, acumulando queda de US$ 169,6 milhões em comparação com o mesmo período de 2023, após três meses de aplicação das sobretaxas impostas pelo governo norte-americano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Propaganda

AGRONEGOCIOS

Rota pelo Pacífico pode reduzir custo e ampliar exportações do agro

Publicados

em

O governo federal deu mais um passo para tirar do papel uma antiga demanda do agronegócio: criar uma rota de exportação pelo Oceano Pacífico para reduzir a dependência dos portos brasileiros. O Ministério da Agricultura instituiu nesta semana o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, iniciativa que pretende estruturar um corredor internacional de transporte ligando Mato Grosso aos portos do Chile e do Peru.

Na prática, o programa não constrói estradas nem define um cronograma de obras, mas cria um comitê gestor responsável por coordenar ações entre os governos brasileiro e boliviano, facilitar acordos sanitários e aduaneiros e atrair investimentos para tornar o corredor operacional.

A proposta interessa principalmente a Mato Grosso, maior produtor de grãos do país. Hoje, boa parte da soja, do milho, do algodão e da carne produzidos no Estado percorre entre 2 mil e 2,3 mil quilômetros até portos como Santos (SP), Paranaguá (PR), Itaqui (MA), Miritituba (PA) e Barcarena (PA). Além da longa distância, o elevado fluxo de cargas pressiona o custo do frete durante a safra.

Pela nova alternativa, a produção seguiria da região oeste de Mato Grosso até Vila Bela da Santíssima Trindade, na fronteira com a Bolívia. A partir dali, cruzaria cidades bolivianas como San Ignacio de Velasco e Santa Cruz de la Sierra, seguindo pela malha rodoviária do país até alcançar portos no Oceano Pacífico, como Arica, Iquique e Antofagasta, no Chile, ou Ilo, no Peru.

Leia Também:  Produção de cana-de-açúcar em MS cresce e deve superar 52 mil toneladas na safra 2025/26

À primeira vista, o trajeto terrestre não representa uma redução expressiva da distância em relação aos portos brasileiros. O principal ganho está no transporte marítimo. Para cargas destinadas à China, ao Japão, à Coreia do Sul e a outros mercados asiáticos, a saída pelo Pacífico reduz o tempo de navegação em comparação com as rotas que partem do Atlântico, além de diminuir a dependência dos corredores logísticos hoje concentrados no Sul, Sudeste e Arco Norte.

A proposta também amplia as alternativas para o escoamento da safra em períodos de maior demanda. Mato Grosso deverá colher mais de 100 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), volume que exige investimentos permanentes em infraestrutura de transporte.

Outro ponto considerado estratégico é o abastecimento de insumos agrícolas. A integração com a Bolívia pode facilitar a chegada de fertilizantes e outros produtos utilizados na produção rural, diversificando as rotas de abastecimento e reduzindo a dependência de corredores já sobrecarregados.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, classificou a iniciativa como um avanço para o setor. Segundo ele, o Estado sempre enfrentou o desafio da distância entre as áreas produtoras e os portos de exportação, o que reduz a competitividade do agronegócio mato-grossense.

Leia Também:  Conheça as Boas Práticas Agrícolas que geram sustentabilidade e oportunidades na agricultura

Apesar do potencial, o corredor ainda depende de uma série de investimentos. Mato Grosso já executa obras de pavimentação em direção à fronteira, mas será necessário melhorar a infraestrutura rodoviária em território boliviano, além de harmonizar procedimentos alfandegários, sanitários e de fiscalização entre os dois países.

Para especialistas em logística, a rota bioceânica não substituirá os portos brasileiros, mas funcionará como uma alternativa estratégica. Quanto maior o número de corredores disponíveis para o escoamento da produção, menor tende a ser a pressão sobre o frete, aumentando a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA