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Mercado reduz projeção de inflação para 2026 e mantém expectativa de juros em queda, aponta Banco Central
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Inflação projetada para 2026 recua e fica em 4,02%
O mercado financeiro voltou a reduzir a projeção de inflação para 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central do Brasil (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,05% para 4,02%, indicando leve melhora nas expectativas do setor financeiro em relação à trajetória de preços no país.
Caso a previsão se confirme, o índice ficará abaixo da inflação de 4,26% registrada em 2025, mantendo-se dentro da faixa de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Para os próximos anos, as expectativas permanecem estáveis:
- 2027: 3,80%
- 2028: 3,50%
- 2029: 3,50%
Desde 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, que tem como objetivo manter o IPCA em 3% ao ano, sendo considerado dentro da meta se variar entre 1,5% e 4,5%.
Juros devem seguir em trajetória de queda
Após o ciclo de alta que levou a taxa Selic a 15% ao ano em 2025, o maior nível em quase duas décadas, o mercado projeta que o Banco Central seguirá reduzindo os juros ao longo de 2026.
As expectativas atuais do Focus são:
- Selic no fim de 2026: 12,25% ao ano
- Selic no fim de 2027: 10,50% ao ano
- Selic no fim de 2028: 10,00% ao ano
A trajetória indica confiança do mercado na desaceleração da inflação e em uma política monetária mais branda nos próximos anos, estimulando o crédito e os investimentos.
Crescimento econômico segue moderado
A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 foi mantida em 1,80%, a mesma da semana anterior e abaixo da média esperada para 2025, que deve encerrar com expansão de cerca de 2,25%.
O resultado oficial do PIB de 2025 ainda não foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas o mercado já projeta um cenário de crescimento moderado e sustentado para os próximos anos.
Para 2027, a previsão também se mantém em 1,80%, sinalizando estabilidade na atividade econômica.
Câmbio deve encerrar 2026 próximo de R$ 5,50
Mesmo com o cenário eleitoral previsto para o segundo semestre e as pressões externas sobre o dólar, o mercado financeiro manteve a projeção para a taxa de câmbio praticamente estável.
A expectativa é que o dólar encerre 2026 cotado em R$ 5,50, praticamente o mesmo patamar de fechamento de 2025, quando a moeda norte-americana caiu mais de 11% — resultado do diferencial de juros favorável ao Brasil e do cenário global de flexibilização monetária.
Analistas destacam, porém, que fatores externos, como as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e a condução fiscal dos Estados Unidos, podem trazer volatilidade adicional ao câmbio ao longo do ano.
Por que as projeções do Focus são importantes
Os dados do Boletim Focus servem como termômetro para investidores, empresas e formuladores de políticas públicas. Expectativas de inflação e juros influenciam diretamente o comportamento do crédito, o consumo das famílias e o planejamento de custos no agronegócio — especialmente em setores dependentes de insumos importados ou financiamentos de longo prazo.
A queda nas projeções reforça o cenário de ajuste gradual da economia, com inflação controlada, juros em redução e perspectivas moderadas de crescimento.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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