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Mercados globais encerram o dia com desempenho misto; Ibovespa recua e Ásia se destaca com alta liderada por tecnologia

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Bolsas internacionais operam em compasso de cautela

Os principais mercados financeiros globais apresentaram movimento misto nesta quarta-feira (17), refletindo a combinação entre dados econômicos dos Estados Unidos, expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed) e ajustes de portfólio típicos do fim de ano.

Em Nova York, o Dow Jones Industrial Average recuou 0,62%, aos 48.114 pontos, enquanto o S&P 500 teve leve baixa de 0,24%, aos 6.800 pontos. Já o Nasdaq Composite conseguiu manter alta de 0,23%, alcançando 23.100 pontos, sustentado por ganhos pontuais no setor de tecnologia.

Ibovespa segue em queda acompanhando o mercado externo

No Brasil, o Ibovespa acompanha o humor global e registra baixa de 2,4%, sendo cotado em torno de 158.578 pontos, de acordo com dados da B3 e do portal Investing.com.

A pressão vem principalmente do recuo das ações de commodities e instituições financeiras, que refletem o enfraquecimento do apetite por risco e a expectativa de menor crescimento global em 2026.

Analistas destacam que o mercado doméstico também repercute as projeções fiscais do governo e o cenário de juros elevados, fatores que mantêm a bolsa sob pressão nas últimas semanas de 2025.

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Europa opera de forma moderada, com ganhos pontuais

As principais bolsas da Europa operam com variações leves, refletindo um movimento de acomodação após altas recentes. O FTSE 100 de Londres sobe 1,5%, enquanto o CAC 40, de Paris, e o Euro Stoxx 50 registram pequenas altas, sustentadas por ganhos nos setores financeiro e de saúde.

O desempenho reflete o otimismo moderado em relação à recuperação da economia da zona do euro e à expectativa de redução de juros pelo Banco Central Europeu (BCE) no início de 2026.

Ásia encerra em alta com impulso da inteligência artificial

Na Ásia, os mercados encerraram em alta generalizada, impulsionados por empresas ligadas à tecnologia e inteligência artificial (IA). O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,9%, enquanto o Shanghai Composite avançou 1,2% e o SZSE Component, de Shenzhen, teve valorização superior a 2%.

O movimento foi liderado por companhias de semicondutores e de IA, que se beneficiam das políticas de incentivo do governo chinês para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos.

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Segundo analistas, as bolsas asiáticas mostram resiliência após semanas de volatilidade, refletindo a busca de investidores por oportunidades em mercados emergentes e setores estratégicos da nova economia.

Perspectivas: cautela no encerramento de 2025

O comportamento dos mercados globais neste fim de ano reflete uma postura mais defensiva dos investidores, que aguardam novos dados sobre inflação e emprego nos EUA antes de consolidar expectativas para o primeiro trimestre de 2026.

As projeções apontam para possíveis cortes de juros pelo Fed no próximo ano, o que pode reacender o otimismo nos mercados emergentes e estimular o fluxo de capitais para países exportadores de commodities, como o Brasil.

Ainda assim, o cenário permanece de alta volatilidade, com influência direta de fatores geopolíticos, variações cambiais e mudanças nas políticas monetárias das principais economias do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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