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Milho mantém volatilidade no Brasil: preços superam R$ 65 por saca, mas liquidez segue baixa em diversas regiões
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Indicador do Cepea volta a superar R$ 65 por saca
Os preços do milho encerraram a última semana em alta, com o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas – SP) voltando a operar acima dos R$ 65 por saca de 60 kg, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
A valorização foi impulsionada pela retração dos vendedores e por uma demanda pontual mais aquecida, especialmente diante das incertezas climáticas que afetam o início da semeadura da safra de verão.
O retorno das chuvas nas regiões Sul e Centro-Oeste trouxe alívio ao campo, mas também reduziu o ritmo das atividades de plantio. Além disso, as exportações em bom ritmo em setembro ajudaram a sustentar os preços, tanto nos portos quanto no interior. Do lado comprador, parte dos agentes voltou a atuar no mercado físico para recompor estoques, embora a maioria ainda possua volumes suficientes para o curto prazo, o que limita maiores altas.
Mercados regionais permanecem travados no Sul e Centro-Oeste
Apesar do avanço do plantio, a liquidez do milho segue baixa em diversas praças do país, segundo dados da TF Agroeconômica.
No Rio Grande do Sul, o mercado permanece travado e dependente de grãos vindos de outros estados e do Paraguai. As indicações de compra variam entre R$ 67,00 e R$ 70,00/saca, enquanto as pedidas de venda giram em torno de R$ 70,00 a R$ 72,00/saca. No porto, os contratos futuros estão cotados a R$ 69,00/saca para fevereiro de 2026.
Em Santa Catarina, produtores mantêm pedidos próximos de R$ 80,00/saca, mas as indústrias não ultrapassam R$ 70,00/saca, o que deixa o mercado praticamente parado. No Planalto Norte, as negociações oscilam entre R$ 71,00 e R$ 75,00/saca, sem avanços.
O Paraná também enfrenta lentidão nas negociações, com ampla oferta e liquidez reduzida. Produtores pedem R$ 75,00/saca, enquanto as indústrias limitam ofertas a R$ 70,00 CIF, travando o mercado spot.
Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 48,00 e R$ 53,00/saca, com Dourados no topo, e o cenário segue estável, com vendedores resistentes a valores menores e compradores cautelosos.
B3 abre semana em baixa, acompanhando Chicago
Na Bolsa Brasileira de Mercadorias (B3), os preços futuros do milho abriram a segunda-feira (13) em queda, com as principais cotações variando entre R$ 67,64 e R$ 71,49, por volta das 10h07. O contrato novembro/25 recuava 0,35%, cotado a R$ 67,64, enquanto janeiro/26 e março/26 registravam baixas de 0,47% e 0,50%, respectivamente.
No mercado externo, a Bolsa de Chicago (CBOT) operava próxima da estabilidade, com o contrato dezembro/25 cotado a US$ 4,13 por bushel, ligeira alta de 0,25 ponto. Já março/26 e maio/26 recuavam 0,75 ponto.
Segundo o portal Farm Futures, os contratos de milho foram pressionados por uma aceleração da colheita nos Estados Unidos e por novas tensões comerciais entre EUA e China, agravadas por declarações do ex-presidente Donald Trump nas redes sociais.
Safra recorde nos EUA pressiona o mercado brasileiro
A forte produção americana desta temporada aumentou a competitividade do milho dos EUA no mercado global, com fretes marítimos mais baratos para destinos estratégicos. Isso tem reduzido o espaço para as exportações brasileiras, mantendo os preços internos contidos.
De acordo com Cepea e DERAL, os produtores brasileiros recebem, em média, R$ 65,21 por saca, enquanto os custos de produção chegam a R$ 73,55, representando um prejuízo de cerca de 11%.
Entre os fatores que ampliam a pressão sobre o mercado estão a venda de commodities para cobrir perdas financeiras, a alta do dólar, e o avanço rápido da colheita americana sob condições climáticas favoráveis.
A ausência de dados oficiais do governo americano, em função de paralisações, tem aumentado a volatilidade no mercado, já que faltam referências atualizadas sobre exportações e projeções agrícolas.
Alta do dólar favorece exportadores, mas exige cautela
Na semana anterior, o milho na B3 encerrou em alta, acompanhando a valorização do dólar e o aumento das tensões entre EUA e China. Os contratos de novembro/25, janeiro/26 e março/26 fecharam a R$ 67,88, R$ 70,04 e R$ 71,87, com altas semanais entre R$ 0,93 e R$ 1,90.
Enquanto isso, o milho em Chicago recuou, com o vencimento de dezembro caindo 1,26% para US$ 4,13/bushel, influenciado pelas vendas técnicas e pelo ritmo acelerado da colheita.
Mesmo assim, a desvalorização do real de 3,13% frente ao dólar favoreceu as exportações brasileiras, oferecendo algum fôlego antes da finalização da colheita americana.
Analistas alertam que a evolução da colheita nos EUA, as variações cambiais e o comportamento do clima devem continuar ditando os rumos do mercado. Para produtores brasileiros, o dólar forte ainda representa oportunidades de venda, mas exige planejamento e atenção às flutuações globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil deve produzir 600 mil toneladas de canola nesta safra
A canola começa a sair das lavouras brasileiras com uma produção estimada em 601,3 mil toneladas na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa crescimento de 74,4% sobre as 344,8 mil toneladas colhidas na temporada anterior e confirma o avanço de uma cultura que fornece óleo para alimentação, farelo para os animais e matéria-prima para biocombustíveis.
A colheita ainda está no início. No Rio Grande do Sul, responsável pela maior parte da produção nacional, aproximadamente 1% das lavouras havia sido colhido até a segunda quinzena de setembro. Cerca de 88% das áreas estavam entre a floração e o enchimento de grãos e outros 9% já se encontravam em maturação, conforme o acompanhamento da assistência técnica estadual.
Isso significa que a safra de canola que aparece nas estatísticas como 2025/26 ainda está no campo. A cultura foi semeada principalmente entre abril e junho de 2026 e deverá ter a colheita concentrada durante a primavera. O plantio da temporada 2026/27, portanto, não começou: ocorrerá somente no primeiro semestre de 2027.
A área cultivada na safra em fase de colheita alcançou 371,1 mil hectares, expansão de 75,1% diante dos 211,9 mil hectares do ciclo anterior. A produtividade média foi estimada pela Conab em 1.620 quilos por hectare, praticamente estável em relação aos 1.627 quilos obtidos em 2024/25.
Os números mostram que o crescimento da produção foi sustentado principalmente pela incorporação de novas áreas. Embora a Associação Brasileira dos Produtores de Canola (Abrascanola) estime 405 mil hectares e um potencial de 607,2 mil toneladas, a referência oficial da Conab permanece em 371,1 mil hectares e 601,3 mil toneladas. A diferença decorre das fontes e metodologias utilizadas nos levantamentos.
O Rio Grande do Sul concentra aproximadamente 353,4 mil hectares, o equivalente a cerca de 95% da área nacional estimada pela Conab. O cultivo também aparece no Paraná, em Santa Catarina e, em menor escala, em outras regiões onde pesquisas procuram adaptar a oleaginosa ao sistema de segunda safra.
Nas lavouras gaúchas, o desenvolvimento é considerado satisfatório na maior parte das áreas. Os primeiros trabalhos ocorrem em cultivos implantados mais cedo, sobretudo no Noroeste. A evolução da colheita dependerá do amadurecimento dos grãos e de intervalos de tempo seco, necessários para reduzir perdas e preservar a qualidade.
A canola pertence à mesma espécie agrícola da colza, mas foi selecionada para apresentar baixos teores de ácido erúcico no óleo e de glucosinolatos no farelo. Os grãos contêm aproximadamente 38% de óleo, conforme referências técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A maior parte da produção é destinada à fabricação de óleo comestível. Depois da extração, o farelo rico em proteína pode ser utilizado na alimentação animal, principalmente de bovinos, suínos e aves, respeitadas as formulações nutricionais de cada criação.
O óleo também pode ser empregado na fabricação de biodiesel. Outra possibilidade em estudo é seu aproveitamento na produção de combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF. Esse mercado, entretanto, ainda não está consolidado comercialmente em grande escala no Brasil.
No campo, a canola oferece uma alternativa de renda durante o inverno e amplia a rotação com soja, milho e cereais. Como pertence a uma família botânica diferente, pode ajudar a interromper ciclos de determinadas doenças e plantas daninhas, além de manter o solo coberto e distribuir melhor o uso de máquinas e mão de obra ao longo do ano.
A decisão de plantar exige, porém, comprador previamente definido. A cadeia nacional ainda possui menos pontos de recebimento e esmagamento que a soja, e a distância até a indústria pode reduzir a rentabilidade. A implantação também requer atenção ao tamanho reduzido das sementes, à profundidade de semeadura, ao controle de pragas e ao momento da colheita, porque a abertura das síliquas pode provocar perda de grãos.
Apesar do crescimento recente, o Brasil ainda ocupa uma posição pequena no mercado internacional. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) projeta produção mundial de 99,97 milhões de toneladas de canola e colza em 2026/27. A safra brasileira equivale a aproximadamente 0,6% desse total.
O USDA não apresenta o Brasil individualmente entre os grandes produtores, incluindo o País no grupo das demais origens. O Canadá lidera a produção entre os países, com previsão de 22,5 milhões de toneladas. A União Europeia, considerada como bloco, deverá colher 20,15 milhões, seguida pela China, com 16,2 milhões, e pela Índia, com 12,4 milhões.
Sozinho, o Canadá produz quase 37 vezes o volume brasileiro. A comparação mostra que o País ainda está distante dos líderes, mas também revela o espaço disponível para crescer. Enquanto a canola ocupa pouco mais de 370 mil hectares no Brasil, as culturas de inverno dispõem de milhões de hectares que permanecem sem atividade comercial em parte do ano.
O ciclo atual será decisivo para saber se a rápida expansão conseguirá se sustentar. Além da produtividade e da qualidade dos grãos, o produtor acompanhará os preços, a capacidade de recebimento das indústrias e o cumprimento dos contratos. Uma colheita próxima de 600 mil toneladas colocará a canola em um novo patamar no País, mas a continuidade dependerá de mercado, assistência técnica e segurança para comercializar a produção.
Fonte: Pensar Agro



