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Na Noruega, ministro André de Paula participa da Aqua Nor 2025
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O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, esteve na Noruega entre os dias 18 e 21 de agosto para participar da Conferência Aqua Nor 2025. O evento é realizado pela organização sem fins lucrativos Nor-Fishing Foundation, com o objetivo de incentivar e divulgar inovações, tecnologias e boas práticas na aquicultura.
Durante o evento, André de Paula, junto à delegação do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), conheceu novas tecnologias aplicadas na pesca e aquicultura da Noruega e de outros 31 países participantes. “Sempre tenho grande interesse em conhecer os avanços tecnológicos desse setor. Estarei atento às oportunidades comerciais e de investimento, que possam aproximar o empresariado, atrair investimentos e aumentar a competitividade dos nossos setores pesqueiro e aquícola”, afirmou.
Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-EFT
O ministro deu destaque à assinatura do Acordo de Livre Comércio (ALC) entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). “Para o Ministério da Pesca e Aquicultura do Brasil, a conclusão das negociações do Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-EFTA, em julho, foi motivo de grande satisfação. Tenho certeza de que esse acordo muito contribuirá para o aumento das trocas comerciais entre nossos blocos regionais”, ressaltou André de Paula.
O chefe da Assessoria Internacional do MPA, Eduardo Sfoglia, observou que o Acordo deverá ser assinado em Brasília, no próximo dia 16 de setembro. “Temos a intenção de realizar eventos que aproximem os setores da pesca e aquicultura dos dois blocos regionais, para que o Acordo de Livre Comércio MERCOSUL-EFTA efetivamente contribua à geração de comércio e investimentos”, explicou.
A diversificação da pauta comercial no setor do pescado é outro objetivo do Acordo que deve ser priorizado, avaliou o Ministro. “O pescado norueguês, seguramente, encontrará mercados relevantes no Brasil. Estamos trabalhando para aumentar o consumo de pescado de nossa população. Buscamos promover hábitos alimentares saudáveis e gerar demanda para os nossos pescadores. Esse esforço também dinamiza o nosso comércio. Trabalhamos para diversificar nossos fornecedores externos e expandir mercados para nossas exportações”, destacando a biodiversidade de peixes, crustáceos, moluscos e algas existentes no Brasil.
Inovações brasileiras
André de Paula aproveitou a oportunidade para divulgar políticas públicas inovadoras que estão sendo desenvolvidas pelo governo brasileiro, citando a inclusão do pescado na alimentação escolar. “Temos liderado programas de incentivo ao consumo de pescado em escolas primárias brasileiras. Buscamos, sempre que possível, que seja pescado produzido localmente, por pescadores artesanais e de pequena escala. São programas que trazem benefícios à saúde de nossas crianças e, ao mesmo tempo, geram emprego e renda para as comunidades locais”, acrescentou.
Eduardo Sfoglia também destacou outras ações que estão sendo implementadas pelo MPA. Entre elas está a prevenção e combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. A esse respeito, também destacou o compromisso do Brasil em implementar o Acordo sobre Medidas do Estado do Porto, reafirmado pelo presidente Lula na 3ª Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, realizada em Nice (França), em junho deste ano.
A liderança norueguesa nos esforços globais contra a pesca ilegalidade foi ressaltada pelo Assessor Internacional. “Sabemos que temos muito trabalho pela frente no Brasil. Temos 26 mil barcos de pesca marinha. Cinco mil portos de entrada de pescado. Para termos capacidade efetiva de monitoramento da pesca, precisaremos de tecnologias inovadoras, a preços acessíveis, para aumentar o número de embarcações pesqueiras monitoradas por satélite. Ficaríamos muito felizes de receber apoio e cooperação norueguesa para avançarmos no combate à pesca ilegal em nossa região”.
COP 30 – A delegação brasileira encerrou a participação na Aqua Nor fazendo um convite para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, a COP 30, que será realizada em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro deste ano.
O ministro André de Paula reforçou o objetivo do Governo brasileiro de que a primeira COP na Amazônia seja focada nas pessoas, em particular nas mais vulneráveis aos impactos da mudança do clima, como as mulheres, as crianças e indígenas que vivem da pesca artesanal.
Também destacou as contribuições da pesca e aquicultura ao enfrentamento da crise climática. “Em Belém, teremos a oportunidade de reafirmar nossos compromissos climáticos e apresentar os resultados das iniciativas que temos liderado. Buscamos o engajamento do empresariado, da academia e das associações do setor na promoção dos sistemas alimentares aquáticos como soluções climáticas. Para mim, seria uma honra receber o Ministério da Pesca e Política Oceânica da Noruega na COP30”, concluiu.
Sobre a Aqua Nor – Desde 1979, é um importante espaço para que a indústria aquícola apresentar suas inovações e compartilhar novas tecnologias, recebendo delegações de dezenas de países. É realizada pela Aqua Nor Foundation, uma organização sem fins lucrativos, que ajuda a promover a aquicultura na Noruega e pelo mundo.
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Fertilizantes: Rabobank reduz projeção para 2026 e alerta para impacto da inadimplência recorde no agro
Inadimplência no campo e preços elevados devem reduzir consumo de fertilizantes
O mercado brasileiro de fertilizantes deverá enfrentar uma retração mais intensa em 2026 do que a prevista anteriormente. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o Rabobank revisou para baixo sua estimativa de vendas de adubos no país e apontou a inadimplência recorde dos produtores rurais como um dos principais fatores de pressão sobre a demanda.
A instituição projeta que as entregas de fertilizantes aos agricultores brasileiros somem 45,1 milhões de toneladas em 2026, o que representa uma queda de 8,2% em relação ao volume recorde registrado em 2025. Caso a previsão se confirme, será o menor volume comercializado desde 2022, período marcado pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de insumos.
A nova estimativa é mais conservadora do que a divulgada em abril, quando o banco previa consumo de aproximadamente 47,2 milhões de toneladas.
Segundo o Rabobank, além dos preços ainda elevados dos fertilizantes, a situação financeira de muitos produtores brasileiros tem limitado a capacidade de investimento e comprometido a aquisição de insumos para a próxima safra.
Guerra no Oriente Médio afetou mercado global de fertilizantes
O relatório destaca que os reflexos da guerra envolvendo o Irã contribuíram para a elevação dos custos dos fertilizantes em 2026. O fechamento temporário do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de matérias-primas e insumos, provocou aumento dos preços internacionais e forte volatilidade nos mercados.
Embora haja sinais de normalização logística e avanços diplomáticos para reduzir as tensões na região, o banco avalia que os impactos sobre a demanda global já foram consolidados.
No caso da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no mundo, os preços retornaram aos níveis observados antes do conflito. Ainda assim, o Rabobank destaca que o comportamento do mercado repetiu um padrão semelhante ao registrado em 2022.
De acordo com a análise, foram necessárias cerca de seis semanas para que os preços atingissem o pico após o início das tensões, seguidas por aproximadamente dez semanas para retornar aos patamares iniciais.
Já o fosfato monoamônico (MAP), um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, permanece negociado em níveis mais elevados, sustentando os custos de produção para diversas culturas.
Inadimplência recorde preocupa setor agropecuário
Outro ponto de atenção destacado pelo banco é o avanço da inadimplência no crédito rural.
Com base em dados do Banco Central referentes a abril, o Rabobank observa que a inadimplência nas operações contratadas a taxas de mercado alcançou 13,3% do volume financiado, um dos maiores níveis já registrados para o setor.
O cenário reforça as dificuldades enfrentadas por parte dos produtores rurais, especialmente em segmentos que vêm acumulando margens apertadas, custos elevados e dificuldades de acesso a novas linhas de crédito.
A combinação entre menor liquidez no campo e insumos ainda caros tende a limitar o potencial de recuperação da demanda por fertilizantes ao longo do próximo ano.
Rabobank prevê queda nas exportações de milho em 2026
Além do mercado de fertilizantes, o Rabobank revisou as perspectivas para o milho brasileiro e projetou redução nas exportações do cereal.
A expectativa é de que os embarques nacionais atinjam 39 milhões de toneladas em 2026, volume cerca de 3 milhões de toneladas inferior ao registrado no ano anterior.
Entre os fatores que explicam a revisão estão a valorização do real frente ao dólar, que reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, e a forte concorrência de grandes exportadores, especialmente Estados Unidos e Argentina.
Os elevados custos do transporte rodoviário também continuam sendo um desafio para o setor exportador, reduzindo a competitividade logística do cereal brasileiro.
Demanda interna por milho deve seguir aquecida
Apesar da perspectiva menos favorável para as exportações, o consumo doméstico de milho deverá continuar avançando.
O Rabobank estima crescimento de 5% na demanda interna em 2026, alcançando cerca de 97 milhões de toneladas.
O principal motor desse avanço será o aumento do consumo pelas indústrias de ração animal e pelo setor de etanol de milho, que segue ampliando sua participação na matriz de biocombustíveis brasileira.
Diante desse cenário, o mercado agrícola brasileiro entra em 2026 com desafios relacionados ao crédito rural, custos de produção e competitividade internacional, enquanto busca equilibrar a demanda interna crescente com um ambiente global ainda marcado por incertezas econômicas e geopolíticas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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