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No primeiro dia de COP15, MPA destaca a importância do monitoramento de dados na conservação de espécies migratórias
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O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) apresentou dois painéis na 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), na última segunda-feira (23/03). Ambos trouxeram ferramentas que demonstram a aplicação dos dados na gestão dos recursos pesqueiros, contribuindo para a conservação da biodiversidade no país.
O primeiro painel foi promovido pela Secretaria Nacional de Pesca Artesanal (SNPA) do MPA e teve o tema “Automonitoramento na pesca artesanal: uma ferramenta escalável para a conservação de espécies migratórias e a implementação da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS)”.
Já o segundo painel foi organizado conjuntamente pela Secretaria Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura (SERMOP), pela Secretaria Nacional de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva (SNPI) e pela Assessoria Especial Internacional (ASIN) do MPA. O tema foi: “Respostas regionais a vulnerabilidades climáticas da dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e da piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii)”.
Automonitoramento na pesca artesanal
O secretário-executivo do MPA, Edipo Araujo, abriu as falas no painel da pesca artesanal. Ele destacou a necessidade de se avançar na implementação do automonitoramento. “Encorajo todos vocês que a gente possa aproveitar essa mesa da melhor forma para trazer para dentro dessa discussão o automonitoramento e que a gente possa avançar nas ferramentas de automonitoramento para que a gente possa trazer e construir políticas mais robustas com a coparticipação de todos os envolvidos na atividade pesqueira”, declarou.
O secretário Nacional da Pesca Artesanal, Cristiano Ramalho, explicou o papel estratégico do automonitoramento. “É uma ferramenta, não só de geração de dados, é importante dizer isso, mas de participação e de reconhecimento democrático do Estado brasileiro, dos saberes e fazeres das populações locais. E resposta ao quadro de injustiça climática e combate ao racismo ambiental”, destacou.
A secretária Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura, Carolina Dória, também apresentou os desafios diante da implementação do automonitoramento, como a falta de continuidade na gestão. “O reconhecimento formal do automonitoramento como parte de política pública de monitoramento pesqueiro é essencial e é isso que a gente pretende implementar ainda nessa gestão. Apesar desses desafios, esses resultados já demonstram que o automonitoramento é uma ferramenta viável, replicável e escalável, especialmente em países com grande diversidade socioambiental, como o Brasil e os nossos parceiros, nossos vizinhos”, concluiu.
Vulnerabilidade climática
No segundo painel do dia, também promovido pelo MPA, além do tema principal, sobre as “Respostas regionais a vulnerabilidades climáticas da dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e da piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii)”, também foi apresentado o dashboard sobre rotas migratórias e habitat da piraíba (Brachyplatystoma filamentosum).
O evento organizado pela SERMOP, SNPI e ASIN, dá suporte ao Plano de Aceleração de Sistemas Alimentares Aquáticos como Soluções Climáticas da Agenda de Ação da COP30 da UNFCCC, com contribuições da iniciativa Transformação Azul da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), da Coalizão dos Alimentos Azuis Aquáticos da Cúpula das Nações Unidas dos Sistemas Alimentares e do Centro Internacional para a Gestão de Recursos Aquáticos Vivos (WorldFish).
Para Edipo Araujo, essas iniciativas são apenas o começo e ainda é necessário superar obstáculos. “Nós ainda temos muitas barreiras. Precisamos ampliar o diálogo e acredito que num futuro próximo poderemos celebrar esses avanços, manejando esses recursos, que tem a sua importância ambiental, ecológica e social para as populações que vivem das águas”, concluiu.
Programação – A COP15 segue até o dia 29 de março. Clique e confira a lista com todos os painéis.
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Ácaro-rajado no mamão: praga pode reduzir produtividade e exige manejo integrado no pomar
A presença do ácaro-rajado (Tetranychus urticae) tem se consolidado como um dos principais desafios fitossanitários na cultura do mamoeiro. A praga compromete o desenvolvimento das plantas, reduz a produtividade e pode gerar perdas significativas na qualidade dos frutos, especialmente em períodos de clima quente e seco.
Os danos começam com manchas amareladas nas folhas, evoluindo para necrose, desfolha intensa e redução do tamanho dos frutos. O resultado é queda direta na produtividade e na padronização comercial do mamão.
Segundo especialistas, o ácaro pode ocorrer durante todo o ano, com maior pressão em condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento. O inseto se instala inicialmente na face inferior das folhas, próximo às nervuras, e rapidamente se espalha pela planta quando não controlado.
Manejo do ácaro-rajado no mamão exige atenção constante do produtor
De acordo com orientações técnicas compartilhadas por Alexandre Hanazaki, gerente de desenvolvimento de produtos da East-West Seed, o controle eficiente do ácaro-rajado depende de um conjunto de práticas preventivas e monitoramento frequente da lavoura.
1. Eliminação de plantas daninhas
O primeiro passo no manejo é a eliminação de plantas daninhas, que podem servir de hospedeiras para o ácaro-rajado.
A manutenção da área limpa reduz a pressão da praga e diminui a chance de reinfestação no pomar de mamão.
2. Monitoramento constante das folhas
O acompanhamento frequente da lavoura é fundamental para identificar precocemente a presença do ácaro.
A recomendação é observar principalmente a face inferior das folhas, onde a praga se concentra inicialmente. Ao identificar a infestação, o controle deve ser iniciado de forma imediata e em área total.
3. Escolha de materiais mais tolerantes
O uso de variedades mais tolerantes também é uma estratégia importante no manejo integrado.
A cultivar Sabrosa, da East-West Seed, é citada como alternativa com maior tolerância ao ácaro-rajado. Segundo a empresa, o material apresenta maior massa foliar e folhas mais espessas, o que dificulta o ataque da praga.
4. Uso correto de defensivos e equilíbrio nutricional
O controle químico deve ser realizado com produtos registrados para a cultura do mamão, priorizando estratégias adequadas de manejo.
Produtos como enxofre e calda sulfocálcica podem atuar como repelentes, além da possibilidade de adoção de controle biológico.
Por outro lado, o uso de piretróides e organofosforados deve ser evitado, pois pode afetar inimigos naturais e favorecer o desequilíbrio populacional do ácaro-rajado.
Outro ponto de atenção é a nutrição da planta: o excesso de nitrogênio pode favorecer o desenvolvimento da praga, exigindo manejo equilibrado.
Variedade Sabrosa se destaca por produtividade e qualidade de frutos
Além da tolerância ao ácaro-rajado, o mamão Sabrosa apresenta outras características agronômicas relevantes, segundo a empresa.
Entre os principais destaques estão o maior vigor vegetativo, melhor enfolhamento e tolerância a doenças foliares como pinta-preta e mancha-de-corynespora.
Outro diferencial é o porte baixo das plantas, que facilita a colheita manual por mais tempo, reduzindo custos operacionais em comparação a variedades mais altas, que exigem estruturas auxiliares para colheita.
Padronização e precocidade aumentam eficiência comercial
A cultivar também se destaca pela alta padronização dos frutos, reduzindo perdas por variação de tamanho e facilitando a comercialização em caixas, modelo predominante no mercado.
Segundo Hanazaki, essa uniformidade melhora a eficiência logística e a aceitação comercial do produto.
A precocidade é outro ponto forte: as plantas iniciam a floração cerca de 30 dias após o transplantio, com início da colheita em aproximadamente seis meses.
Além disso, os frutos apresentam boa qualidade sensorial, com polpa de coloração atrativa e sabor valorizado pelo mercado consumidor.
Manejo integrado é decisivo para proteger a safra de mamão
O controle do ácaro-rajado exige estratégia integrada, combinando monitoramento, manejo cultural, uso correto de defensivos e escolha de materiais mais tolerantes.
Em um cenário de alta exigência de qualidade e produtividade, a adoção dessas práticas é fundamental para reduzir perdas e garantir maior rentabilidade ao produtor de mamão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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