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Oferta ajustada e exportações aquecidas impulsionam preços do frango vivo em março
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A avicultura de corte encerrou o mês de março com estabilidade nos preços no atacado e valorização nos mercados independentes do frango vivo. Segundo Allan Maia, analista da Safras & Mercado, a menor oferta e a boa reposição no Centro-Sul do país foram fatores determinantes para os reajustes registrados.
Além disso, Maia destacou que as exportações de carne de frango continuam aquecidas, contribuindo para a sustentação dos preços. No atacado, porém, os cortes apresentaram oscilações ao longo do mês.
Mercado interno: variação nos preços
De acordo com levantamento da Safras & Mercado, os preços dos cortes congelados no atacado de São Paulo tiveram algumas variações:
- Peito – manteve-se estável em R$ 11,00/kg.
- Coxa – subiu de R$ 8,20 para R$ 8,30/kg.
- Asa – recuou de R$ 12,50 para R$ 12,20/kg.
Na distribuição, os preços acompanharam movimentos semelhantes:
- Peito – seguiu estável em R$ 11,25/kg.
- Coxa – avançou de R$ 8,45 para R$ 8,50/kg.
- Asa – caiu de R$ 12,75 para R$ 12,40/kg.
Nos cortes resfriados vendidos no atacado, também houve mudanças ao longo de março:
- Peito – permaneceu em R$ 11,10/kg.
- Coxa – valorizou-se de R$ 8,30 para R$ 8,40/kg.
- Asa – teve queda de R$ 12,60 para R$ 12,30/kg.
Na distribuição de resfriados:
- Peito – manteve-se em R$ 11,35/kg.
- Coxa – avançou de R$ 8,55 para R$ 8,60/kg.
- Asa – recuou de R$ 12,85 para R$ 12,50/kg.
Cotações do frango vivo
O levantamento mensal da Safras & Mercado apontou variações no preço do frango vivo em diversas praças do país:
- Minas Gerais – de R$ 5,55 para R$ 5,95/kg.
- São Paulo – de R$ 5,60 para R$ 6,00/kg.
- Mato Grosso do Sul – de R$ 5,50 para R$ 5,85/kg.
- Goiás – de R$ 5,50 para R$ 5,85/kg.
- Distrito Federal – de R$ 5,55 para R$ 5,95/kg.
Nas integrações, os preços permaneceram inalterados:
- Santa Catarina – R$ 4,35/kg.
- Oeste do Paraná – R$ 4,30/kg.
- Rio Grande do Sul – R$ 4,00/kg.
Em algumas regiões do Nordeste e Norte, houve desvalorização:
- Pernambuco – de R$ 8,25 para R$ 7,70/kg.
- Ceará – de R$ 8,50 para R$ 8,30/kg.
- Pará – de R$ 8,60 para R$ 8,50/kg.
Exportações em crescimento
As exportações brasileiras de carne de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, totalizaram US$ 576,156 milhões em março (considerando 13 dias úteis), com média diária de US$ 44,319 milhões. O volume total exportado chegou a 323,795 mil toneladas, com uma média diária de 24,907 mil toneladas e um preço médio de US$ 1.779,4 por tonelada.
Em comparação com março de 2024, os embarques apresentaram crescimento significativo:
- Aumento de 28,9% no valor médio diário.
- Alta de 27,5% no volume médio diário exportado.
- Avanço de 1,1% no preço médio por tonelada.
O desempenho positivo das exportações e a oferta ajustada no mercado interno foram determinantes para a sustentação dos preços do frango vivo ao longo de março.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro



