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Paraná inicia vazio sanitário da soja com escalonamento regional a partir de 2 de junho

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A medida, regulamentada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), proíbe o cultivo e a manutenção de plantas vivas de soja por 90 dias, com o objetivo de interromper o ciclo do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem.

Objetivo do vazio sanitário

A prática do vazio sanitário é uma estratégia fitossanitária adotada para conter a propagação da ferrugem asiática, considerada a principal doença da soja devido ao seu alto potencial de dano, disseminação e custo de controle. Durante o período determinado, é proibido cultivar ou permitir a presença de plantas vivas de soja no campo, o que evita que a planta sirva como hospedeira do fungo.

Segundo o Ministério da Agricultura, o escalonamento dos prazos respeita os diferentes microclimas do Paraná, buscando garantir períodos mais adequados para o plantio da oleaginosa em cada região e, assim, reforçar o controle da doença.

Fiscalização e responsabilidades

A fiscalização e o cumprimento das normas são de responsabilidade da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A entidade é encarregada de monitorar todas as áreas suscetíveis à presença de plantas vivas de soja e de aplicar as penalidades previstas em caso de descumprimento.

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Paulo Roberto de Paula Brandão, chefe do Departamento de Sanidade Vegetal da Adapar, reforça que o vazio sanitário é essencial para que a ferrugem apareça mais tardiamente nas lavouras. “Isso reduz o número de aplicações de fungicidas e ajuda a manter sua eficácia no controle da doença”, destaca. Ele também ressalta que o monitoramento deve incluir não apenas lavouras em pousio, mas também cultivos de inverno como trigo, aveia e cevada, além de bordas de rodovias e estradas de acesso.

Calendário por regiões do Paraná

A Portaria n.º 1.271, de 30 de abril de 2025, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa, definiu os seguintes prazos para o vazio sanitário e para a janela de plantio:

Região 1 – Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral

  • Vazio sanitário: 21 de junho a 19 de setembro
  • Período de plantio: 20 de setembro de 2025 a 20 de janeiro de 2026

Região 2 – Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste

  • Vazio sanitário: 2 de junho a 31 de agosto
  • Período de plantio: 1.º de setembro a 31 de dezembro de 2025
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Região 3 – Sudoeste do Estado

  • Vazio sanitário: 12 de junho a 10 de setembro
  • Período de plantio: 11 de setembro de 2025 a 10 de janeiro de 2026

A antecipação do início do vazio sanitário na Região 3, em relação ao ano anterior, foi um pedido conjunto da Adapar e do setor produtivo, atendido pelo Ministério da Agricultura.

Atenção aos detalhes técnicos

Marcílio Martins Araújo, coordenador de Prevenção e Controle de Pragas em Cultivos Agrícolas e Florestais da Adapar, alerta que o período estipulado deve ser respeitado de forma rigorosa. “A semeadura até pode ocorrer em data imediatamente anterior, mas a germinação e a presença de plântulas de soja devem respeitar exatamente os períodos da janela definidos na portaria”, salientou.

O cumprimento rigoroso do vazio sanitário é fundamental para o sucesso no controle da ferrugem asiática. A adoção dessa medida contribui diretamente para a sanidade das lavouras, a redução de custos de produção e a sustentabilidade do cultivo da soja no Paraná.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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