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Perspectivas globais impulsionam alta nos preços dos óleos vegetais

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Alta expressiva do óleo de soja reflete expectativa sobre políticas dos EUA

O mercado internacional de óleos vegetais encerrou a última semana em forte alta, impulsionado por fatores ligados à política de biocombustíveis nos Estados Unidos e à dinâmica de oferta e demanda na Ásia. Segundo a StoneX, os preços reagiram principalmente a rumores sobre o cronograma e o conteúdo das metas do Renewable Volume Obligation (RVO) para 2026 — o programa que define os volumes obrigatórios de mistura de biocombustíveis no país.

Os futuros do óleo de soja lideraram o movimento positivo. O contrato para março fechou a sexta-feira cotado a US$ 0,5261 por libra-peso, alta de 5,9% na semana. Com esse avanço, os preços retornaram aos níveis registrados no início de dezembro.

A valorização foi sustentada pela expectativa de que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) publique as metas de 2026 até o início de março, mantendo parâmetros próximos aos propostos em junho e sem penalidades para biocombustíveis e matérias-primas importadas — medida que vinha sendo aguardada por parte do mercado. No dia em que esses rumores ganharam força, o contrato do óleo de soja subiu 3,9% em um único pregão.

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Processamento recorde limita ganhos

Apesar do desempenho positivo, os ganhos do óleo de soja foram parcialmente limitados pelos dados mais recentes de esmagamento divulgados pela associação do setor nos Estados Unidos. O relatório apontou que o volume processado em dezembro foi o segundo maior da série histórica, enquanto os estoques aumentaram, sinalizando demanda interna enfraquecida pela ausência de medidas concretas no campo dos biocombustíveis.

Esse cenário indica que, embora o otimismo em torno das políticas de energia renovável sustente as cotações, a pressão do elevado processamento e dos estoques em alta tende a equilibrar o mercado nas próximas semanas.

Óleo de palma tem leve valorização com influência da Indonésia

O mercado de óleo de palma também registrou ganhos, embora mais moderados. O contrato de março fechou a semana cotado a US$ 1.000,50 por tonelada, representando uma alta de 0,89%.

A valorização, no entanto, foi contida após a confirmação de que a Indonésia manterá a mistura B40 no biodiesel em 2026, cancelando os planos de adoção do B50 previstos para o segundo semestre. A decisão reduziu as expectativas de aumento na demanda pelo produto.

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Em contrapartida, ações do governo indonésio relacionadas ao confisco de terras ofereceram suporte aos preços, ajudando a limitar quedas mais expressivas e equilibrando o comportamento do mercado.

Panorama geral e perspectivas

A combinação de fatores políticos e produtivos reforça a volatilidade do mercado de óleos vegetais neste início de ano. Enquanto as expectativas sobre políticas de biocombustíveis nos EUA elevam o ânimo dos investidores, ajustes logísticos e decisões governamentais na Ásia continuam sendo determinantes para o equilíbrio global entre oferta e demanda.

Especialistas avaliam que, nas próximas semanas, o foco do mercado deve se concentrar na publicação oficial das metas da EPA e na evolução dos estoques norte-americanos, elementos decisivos para definir o rumo das cotações no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Nova taxa e impacto sobre exportações pode chegar a R$ 23 bilhões

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A nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil abriu um período de incerteza para o agronegócio nacional (leia aqui). Depois da proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o governo americano anunciou no final da tarde desta terça-feira (02.06) uma segunda investigação – agora por trabalhos forçados – que poderá acrescentar mais 12,5% de sobretaxa sobre mercadorias provenientes do Brasil. Se as duas medidas forem confirmadas, parte das exportações brasileiras para o mercado americano poderá enfrentar uma carga adicional de até 37,5%.

Embora as tarifas ainda dependam de consultas públicas e decisões previstas para julho, especialistas avaliam que o simples avanço das propostas já produz efeitos sobre o comércio internacional. Empresas exportadoras passam a rever contratos, compradores buscam alternativas de fornecimento e setores mais dependentes do mercado americano entram em estado de atenção.

Os cálculos divulgados até o momento indicam que a tarifa de 25% poderá reduzir as exportações brasileiras entre R$ 13 bilhões e R$ 23 bilhões por ano. A perda não corresponde ao valor das tarifas cobradas pelos Estados Unidos, mas ao volume de negócios que poderá deixar de ser realizado em razão da perda de competitividade dos produtos brasileiros.

Para o agronegócio, o cenário é menos dramático do que para alguns segmentos industriais, mas está longe de ser irrelevante. Isso porque os Estados Unidos figuram entre os principais compradores de diversos produtos agropecuários brasileiros e representam um mercado estratégico para cadeias de maior valor agregado.

A boa notícia é que muitos produtos de interesse do agro aparecem entre as exceções discutidas pelo governo americano. Café, frutas, cereais, sementes, oleaginosas e determinadas categorias de carnes estão entre os itens que podem permanecer fora da tarifa principal de 25%. Também foram mencionadas exceções para alguns produtos agrícolas na investigação relacionada ao trabalho forçado.

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Mesmo assim, o setor acompanha com cautela a evolução das negociações. Isso porque as exceções ainda podem sofrer alterações durante o processo de consulta pública. Além disso, uma vez concluídas as investigações, novas rodadas de sanções podem atingir produtos específicos ou setores considerados sensíveis pelos Estados Unidos.

Entre as cadeias que merecem maior atenção está a da carne bovina. O produto foi citado no relatório americano sobre trabalho forçado como um dos setores globais considerados suscetíveis a riscos na cadeia produtiva. Embora isso não represente uma restrição imediata às exportações brasileiras, o tema passa a integrar a agenda comercial entre os dois países e poderá gerar novas exigências de rastreabilidade e conformidade.

A situação é diferente para commodities agrícolas com forte demanda internacional. Produtos como café, soja e outras matérias-primas possuem mercados alternativos consolidados, especialmente na Ásia, no Oriente Médio e na União Europeia. Caso parte das vendas aos Estados Unidos seja reduzida, existe espaço para redirecionamento de cargas, ainda que nem sempre nas mesmas condições comerciais.

O principal impacto para o produtor rural tende a ocorrer de forma indireta. Uma redução das exportações pode pressionar preços internos em determinados segmentos, afetar margens das indústrias exportadoras e aumentar a volatilidade cambial. Ao mesmo tempo, a busca por novos mercados pode acelerar acordos comerciais e fortalecer a presença brasileira em destinos que vêm ampliando suas compras de alimentos.

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Outro fator relevante é a diferença entre os setores afetados. As projeções indicam que máquinas agrícolas, equipamentos industriais, produtos de madeira processada e manufaturados devem concentrar as maiores perdas. No agronegócio, os efeitos tendem a variar de acordo com o grau de dependência de cada cadeia em relação ao mercado americano e à existência de compradores alternativos.

A nova investigação relacionada ao trabalho forçado amplia ainda mais a preocupação dos exportadores. O governo americano argumenta que diversos países, incluindo o Brasil, não possuem mecanismos suficientemente eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados sob essas condições. Por isso, propôs uma sobretaxa adicional de 12,5% para mercadorias provenientes dessas nações.

Caso a medida avance, parte dos produtos brasileiros poderá enfrentar uma das maiores cargas tarifárias dos últimos anos no mercado americano. Ainda assim, especialistas avaliam que o risco mais relevante para o agronegócio não está apenas na tarifa em si, mas na insegurança comercial gerada pela sucessão de investigações e ameaças de sanções.

Até a conclusão das consultas públicas previstas para julho, o setor produtivo acompanha as negociações diplomáticas na expectativa de que as exceções para produtos agropecuários sejam mantidas. Para o agro brasileiro, que exporta para mais de 180 países, a capacidade de diversificar mercados continua sendo a principal ferramenta para reduzir os impactos de eventuais barreiras comerciais e preservar a competitividade internacional.

Fonte: Pensar Agro

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