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Perspectivas para o Mercado de Café: Preços em Alta, Mas Exportações Desaceleram

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O mais recente relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA traz uma análise detalhada sobre o mercado de café, destacando as atualizações das principais commodities agrícolas. O cenário para o café arábica mostra um impacto significativo das condições climáticas no Brasil, com seca prolongada e o real mais forte frente ao dólar, impulsionando o preço da commodity nas bolsas internacionais. No entanto, em termos de reais, os preços registraram variações modestas.

O mercado do café arábica viu uma leve alta nos preços na Bolsa de Nova York, que subiram de USD 3,78 por libra-peso no início de fevereiro para USD 3,95 por libra-peso em 19 de março, o que representou um aumento de 4,4% no período. Contudo, em reais, o crescimento foi de apenas 0,8%, devido à desvalorização de 4,4% da moeda americana, que fechou a R$ 5,65/USD em março. Já o preço do robusta, na Bolsa de Londres, apresentou uma queda de 2,6%, ajustando o preço do conilon para R$ 2.000 por saca, enquanto o arábica foi negociado a cerca de R$ 2.500 por saca.

O clima de seca no Brasil, especialmente nas regiões produtoras de café arábica e robusta, afetou a granação e o enchimento dos grãos, prejudicando a produção. Esse cenário, aliado à dificuldade em realizar adubações devido ao calor excessivo, gera a expectativa de grãos menores e uma possível redução da produtividade, cujos efeitos mais profundos só serão conhecidos no segundo semestre, após o beneficiamento. A previsão é de que as chuvas retornem nos próximos dias, o que pode aliviar as lavouras.

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No que tange às exportações, os números mostraram uma desaceleração significativa, passando de 4 milhões de sacas em janeiro para 3,3 milhões de sacas em fevereiro de 2025. A queda foi mais acentuada para o robusta, com uma redução de 60% em relação ao mesmo mês de 2024. Apesar disso, o total exportado na safra 2024/25, entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, cresceu 8,9% na comparação anual. No entanto, os últimos três meses registraram uma queda nas exportações em relação ao ano anterior.

A colheita de conilon já está em andamento, mas, nos próximos trinta dias, não haverá disponibilidade de café novo em volume significativo, o que deve manter os preços firmes. As exportações também podem desacelerar nos próximos meses, com a previsão de um volume médio de 2,7 milhões de sacas por mês entre março e junho. A expectativa é que a safra de 2024/25, estimada em 66,4 milhões de sacas, precise ser revisada para cima caso o fluxo de exportações supere as previsões.

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A análise aponta que, com a baixa disponibilidade de cafés remanescentes e com os estoques nas mãos de produtores mais capitalizados, os preços devem continuar sustentados no curto prazo. Além disso, um possível fortalecimento do real pode levar o mercado de Nova York a ajustar os preços para cima. A incerteza climática, somada ao amplo diferencial de preços entre o Brasil e Nova York, tem afastado o produtor da comercialização, o que tem impactado as vendas.

O mercado global também apresenta um cenário de aperto na oferta, com o déficit de produção previsto para 2025/26, embora um crescimento menor do consumo, de cerca de 1%, possa reverter a situação, transformando o déficit projetado em um superávit de 3 milhões de sacas, ainda assim mais apertado que o ciclo atual.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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