AGRONEGOCIOS
Pesquisa da Embrapa comprova que manejo simples e de baixo custo otimiza adubação em solos férteis do Cerrado
AGRONEGOCIOS
Uma pesquisa conduzida pela Embrapa Milho e Sorgo em parceria com instituições de Unaí (MG) revelou que é possível reduzir custos e otimizar o uso de fertilizantes em áreas agrícolas de alta fertilidade no Cerrado sem comprometer a produtividade das culturas.
O estudo, realizado ao longo de três safras (seis cultivos), validou a eficiência da chamada adubação de restituição, prática que consiste em repor apenas os nutrientes exportados pelas colheitas — equilibrando o solo sem desperdícios.
Os resultados confirmam que os solos analisados já acumulam estoques significativos de nutrientes, reflexo de anos de cultivo e correção do solo. A pesquisa mostra que, em vez de aplicar adubações fixas ou excessivas, os agricultores podem ajustar o aporte de nutrientes com base em análises de solo e balanço nutricional, economizando insumos e reduzindo o impacto ambiental.
Contexto: solos férteis e uso excessivo de fertilizantes
O estudo partiu da constatação de que as culturas anuais, como soja, milho, algodão, feijão, trigo e sorgo, possuem alta demanda de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), o que representa uma das maiores parcelas do custo de produção agrícola.
Apesar de muitos solos do Cerrado já apresentarem níveis de fertilidade elevados, é comum que produtores mantenham as mesmas doses de adubação ano após ano, por segurança ou hábito.
Segundo a Embrapa, essa prática pode gerar excedentes de nutrientes no solo, sem benefícios à produtividade, além de elevar o custo de produção e o risco de impactos ambientais.

Monna Lysa Santana
Como o experimento foi conduzido
A pesquisa foi realizada em uma fazenda comercial de Unaí (MG), em área de plantio direto com fertilidade construída. Foram testados três tratamentos principais:
- Adubação de restituição (reposição dos nutrientes exportados pelas colheitas de soja e milho);
- Manejo padrão da fazenda (prática tradicional do produtor);
- Controle sem adubação NPK.
Os testes foram realizados ao longo de três ciclos de safra e segunda safra, com cultivos de soja e milho (ou sorgo), incluindo sistemas com e sem consórcio com braquiária.
Resultados: produtividade e economia de insumos
De acordo com o pesquisador Álvaro Vilela de Resende, coordenador do estudo, os resultados mostraram que a adubação — ou a ausência dela — não influenciou a produtividade da soja, enquanto o nitrogênio foi o principal fator limitante para o milho.
O consórcio com braquiária na segunda safra apresentou efeito positivo sobre a soja subsequente, embora tenha reduzido o desempenho do sorgo.
“Comprovamos que a adubação de restituição associada ao balanço de nutrientes mantém a produtividade e a rentabilidade, utilizando os fertilizantes de forma mais racional”, explica Resende. “É uma estratégia de manejo inteligente para solos férteis, pois evita déficits ou excessos de nutrientes e contribui para a sustentabilidade ambiental.”
Solução prática e adaptável para diferentes propriedades
O pesquisador Miguel Marques Gontijo Neto destaca que ainda há resistência entre produtores em abandonar práticas antigas, como o uso fixo de fórmulas NPK.
“Mesmo com os avanços tecnológicos, muitos agricultores não consideram o balanço de nutrientes na hora de definir a adubação, muitas vezes por desconhecerem sua importância”, afirma.
Segundo a Embrapa, o manejo baseado na restituição de nutrientes pode ser ajustado de forma precisa por talhão, inclusive com o uso de tecnologias digitais e equipamentos já disponíveis nas fazendas. Essa abordagem permite corrigir o fornecimento de nutrientes ao longo das safras, de acordo com as necessidades reais do solo e das plantas.
Sustentabilidade e ganhos ambientais
Além de otimizar custos, a adoção dessa estratégia também reduz a pegada de carbono das lavouras e aumenta a eficiência energética dos sistemas agrícolas.
“Desequilíbrios no balanço de nutrientes — tanto por falta quanto por excesso — causam prejuízos econômicos e ambientais”, explica Resende. “O uso racional de fertilizantes contribui para a neutralidade de carbono e para uma agricultura mais sustentável nas áreas consolidadas do Cerrado.”
A metodologia validada pela Embrapa permite ajustar adubações com base científica e de forma acessível, reforçando o compromisso com uma produção eficiente, rentável e ambientalmente responsável.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro



