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Preço do diesel S10 sobe 9,6% no Brasil após início do conflito entre EUA e Irã
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Diesel registra forte alta nas primeiras semanas do conflito
O preço médio do diesel S10 no Brasil aumentou 9,6% nas primeiras semanas após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, segundo dados do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, elaborado com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
De acordo com o levantamento, o valor médio do combustível passou de R$ 6,06 por litro em 25 de fevereiro para R$ 6,64 em 9 de março, o que representa um aumento de R$ 0,58 por litro no período.
Já a gasolina comum registrou alta mais moderada de 1,1%, saindo de R$ 6,37 para R$ 6,45 por litro. O etanol, por sua vez, permaneceu praticamente estável, mantendo média próxima de R$ 4,74 por litro.
Primeiros dias após o conflito tiveram leve queda nos preços
Logo após o início das tensões geopolíticas, entre 28 de fevereiro e 1º de março, os combustíveis chegaram a registrar uma leve retração nos preços.
Nesse período, os valores médios foram:
- Gasolina: R$ 6,34 (-0,6%)
- Etanol: R$ 4,73 (-0,2%)
- Diesel: R$ 5,99 (-1,1%)
Segundo a análise do monitor, esse movimento inicial pode ter sido influenciado pela presença de estoques acumulados no mercado brasileiro ou pela antecipação das tensões geopolíticas nos preços internacionais antes do início efetivo do conflito.
Mercado começou a sentir pressão na semana seguinte
Na semana seguinte, em 3 de março, os combustíveis apresentaram valores próximos aos registrados antes da guerra, indicando os primeiros sinais de pressão no mercado de derivados de petróleo.
Os preços médios ficaram em:
- Gasolina: R$ 6,37 (-0,2%)
- Etanol: R$ 4,73 (-0,2%)
- Diesel: R$ 6,10 (+0,6%)
Esse comportamento indicou o início de uma tendência de ajuste, que se intensificou nos dias seguintes.
Diesel reage mais rapidamente a choques no mercado de petróleo
De acordo com Mauro Kondo, superintendente comercial da Veloe, o diesel costuma reagir de forma mais rápida a oscilações internacionais do petróleo.
“O diesel tende a responder mais rapidamente a choques externos no mercado de petróleo. Por ser um combustível fortemente ligado à dinâmica internacional e essencial para logística e transporte de cargas, qualquer tensão geopolítica relevante pode se refletir primeiro nesse segmento”, explica.
Impacto pode atingir inflação e custos logísticos
Segundo a análise do monitor, a recente alta pode refletir tanto mudanças na oferta e distribuição doméstica quanto uma antecipação de movimentos por agentes da cadeia de abastecimento, diante de possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado global de petróleo.
No Brasil, a evolução dos preços dos combustíveis é acompanhada de perto devido ao peso que possuem no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Uma elevação mais prolongada do diesel tende a pressionar custos logísticos e cadeias produtivas, especialmente nos setores de transporte rodoviário e agronegócio, podendo influenciar também o custo de vida nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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