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Preço do frango cai ao menor nível desde julho de 2023, enquanto ovos vermelhos registram alta histórica
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Queda do preço do frango reflete demanda fraca e incertezas externas
Os preços da carne de frango continuam em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela fraca demanda doméstica e pelas incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras.
No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73/kg na parcial de março (até 18/03), recuo de 5,2% frente a fevereiro e o menor valor registrado desde julho de 2023, considerando os ajustes pelo IPCA de fevereiro de 2026.
Pesquisadores do Cepea destacam que essa desvalorização torna a carne de frango mais competitiva frente às carnes suína e bovina. Embora a carne suína também registre quedas, o recuo do frango é mais intenso. Na comparação com a carcaça casada bovina, o cenário é ainda mais favorável ao setor avícola, já que os preços da proteína bovina seguem em alta.
Diferença entre ovos vermelhos e brancos supera 40%
Enquanto o frango perde valor, os ovos vermelhos apresentam valorização expressiva em relação aos ovos brancos. No município de Santa Maria de Jetibá (ES), principal polo produtor do país, o diferencial entre os dois tipos ultrapassou 40% em março, superando o registrado em fevereiro.
O aumento se deve principalmente à menor oferta interna de ovos vermelhos, combinada com a demanda mais aquecida neste período da Quaresma. Colaboradores e produtores afirmam que algumas granjas estão atendendo apenas cargas previamente programadas, em função da produção mais enxuta, o que mantém os preços médios em alta.
Cenário para avicultura e ovos no curto prazo
O cenário avícola brasileiro apresenta assim um movimento divergente: a carne de frango sofre pressão por fatores internos e externos, enquanto os ovos vermelhos se valorizam diante de oferta limitada e demanda sazonal.
Para o setor, a situação reforça a importância de monitorar a dinâmica de consumo e exportação, ajustando estratégias de produção e comercialização de acordo com a evolução do mercado interno e das oportunidades externas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas
A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.
Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.
“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.
“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.
Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.
A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.
O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.
A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.
O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.
As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.
A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.
O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.
Fonte: Pensar Agro



