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Preço do trigo segue firme no Brasil, mas baixa liquidez trava novos negócios no mercado

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O mercado brasileiro de trigo atravessou mais uma semana de negociações limitadas, marcada pela baixa liquidez e pelo reduzido volume de negócios. O cenário reflete o período de transição entre safras, quando a oferta disponível diminui e compradores adotam uma postura mais cautelosa.

Segundo análise da Safras & Mercado, a disponibilidade da safra velha segue restrita, principalmente nos estados da Região Sul, fator que mantém os preços sustentados mesmo diante da demanda enfraquecida por parte da indústria moageira.

Moinhos mantêm postura defensiva nas compras

De acordo com o analista de Safras & Mercado, Elcio Bento, os moinhos continuam operando com cautela devido ao ritmo mais lento de moagem e às dificuldades para repassar aumentos de custos ao mercado consumidor.

A menor rentabilidade da farinha e dos derivados tem levado a indústria a reduzir sua agressividade nas aquisições, contribuindo para a lentidão das negociações.

“O mercado permanece sustentado pela escassez da oferta, mas a demanda segue retraída, limitando a fluidez dos negócios”, destaca o analista.

Paraná registra impasse entre compradores e vendedores

No Paraná, principal produtor nacional de trigo, o mercado permaneceu praticamente travado ao longo da semana.

As indicações de compra dos moinhos ficaram entre R$ 1.370 e R$ 1.400 por tonelada CIF, enquanto os produtores mantiveram pedidas entre R$ 1.400 e R$ 1.450 por tonelada FOB.

A diferença entre os preços desejados por vendedores e compradores dificultou o fechamento de novos contratos, mesmo com a baixa oferta disponível.

Rio Grande do Sul também enfrenta mercado lento

No Rio Grande do Sul, o comportamento foi semelhante.

As negociações concentraram-se em embarques programados para julho, com pagamentos previstos para agosto ou em prazos mais longos.

Os produtores mantiveram pedidas próximas de R$ 1.350 por tonelada FOB no interior do estado, enquanto os moinhos permaneceram afastados do mercado, alegando estoques confortáveis e baixa necessidade de reposição imediata.

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Cotações permanecem firmes nas principais praças

Apesar da redução dos negócios, os preços do trigo seguiram relativamente sustentados nas principais regiões consumidoras do país.

No encerramento da semana, as indicações registradas foram:

  • Curitiba (PR): R$ 1.480 por tonelada CIF;
  • Porto Alegre (RS): R$ 1.440 por tonelada CIF;
  • São Paulo (SP): R$ 1.641 por tonelada CIF.

O suporte continua vindo da escassez da oferta interna e da ausência de um fator de pressão mais intenso sobre as cotações.

Trigo argentino continua sendo referência para importação

No mercado externo, a Argentina segue como principal fornecedora de trigo para os moinhos brasileiros.

As indicações FOB para embarques em julho permaneceram em US$ 245 por tonelada para o trigo com 11% de proteína, nível que ainda não proporciona redução significativa nos custos de reposição da indústria nacional.

Segundo Safras & Mercado, o cenário internacional também contribui para a postura conservadora dos compradores brasileiros, que seguem adquirindo apenas volumes necessários para o abastecimento imediato.

Importações de trigo superam 4,4 milhões de toneladas na temporada

Levantamento da Safras & Mercado mostra que a programação de desembarques de trigo no Brasil acumulou 4,49 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e junho de 2026.

Embora o volume seja expressivo, ele permanece abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior, quando os desembarques alcançaram 5,33 milhões de toneladas.

Ceará e São Paulo lideram recebimento do cereal

A concentração das importações continua ocorrendo nos principais polos consumidores do país.

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Os estados que mais receberam trigo na atual temporada foram:

  • Ceará: 963,7 mil toneladas (21,5%);
  • São Paulo: 941,3 mil toneladas (21,0%);
  • Bahia: 633,4 mil toneladas (14,1%);
  • Pernambuco: 575,9 mil toneladas (12,8%).

Na sequência aparecem:

  • Rio de Janeiro: 376 mil toneladas;
  • Paraná: 245,7 mil toneladas;
  • Rio Grande do Sul: 198,9 mil toneladas;
  • Paraíba: 154,6 mil toneladas;
  • Pará: 133,6 mil toneladas;
  • Espírito Santo: 93,7 mil toneladas;
  • Sergipe: 93,1 mil toneladas.
Argentina domina fornecimento de trigo ao Brasil

Entre abril e junho de 2026, a Argentina respondeu por 85,7% de todo o trigo importado pelo Brasil, totalizando 1,01 milhão de toneladas.

O desempenho reforça a posição estratégica do país vizinho no abastecimento do mercado brasileiro, favorecido pela proximidade geográfica, competitividade logística e complementaridade entre produção e consumo.

Outros fornecedores participaram com volumes menores:

  • Rússia: 30,1 mil toneladas;
  • Turquia: 26 mil toneladas;
  • Uruguai: 9,5 mil toneladas.

Também foram registrados 30 mil toneladas de cargas ainda sem origem definitiva confirmada.

Perspectiva segue de mercado sustentado no curto prazo

A expectativa para as próximas semanas é de manutenção do cenário de baixa liquidez, com os produtores mantendo posição firme nas pedidas e os moinhos atuando de forma seletiva nas compras.

Enquanto a oferta da safra velha continuar limitada e a nova colheita ainda não ganhar ritmo, o mercado tende a permanecer sustentado, embora sem força suficiente para acelerar o volume de negociações.

O comportamento da moagem, da demanda por farinha e da evolução da nova safra serão os principais fatores a definir a direção dos preços do trigo no segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil e Panamá avançam em parceria para fortalecer logística de fertilizantes e ampliar comércio agropecuário

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A missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ao Panamá avançou na construção de parcerias voltadas ao fortalecimento da segurança no abastecimento de fertilizantes para o Brasil e à ampliação do comércio agropecuário entre os dois países. A agenda permitiu identificar oportunidades de cooperação em logística de insumos agrícolas, bioinsumos e tecnologia agrícola, além de resultar na formalização da abertura do mercado panamenho para sementes brasileiras de coco e café.

A iniciativa integra os esforços do Governo Federal para diversificar rotas logísticas estratégicas, ampliar o acesso de produtos brasileiros aos mercados internacionais e promover ações que contribuam para a competitividade e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Com apoio institucional do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) no Panamá, a delegação brasileira realizou uma série de encontros com representantes dos setores público e privado panamenhos. O representante do organismo no país, Miguel Arvelo, acompanhou a programação e contribuiu para a articulação das atividades.

Um dos destaques da missão foi a visita técnica a três terminais portuários do complexo de Cristóbal, administrados por uma das maiores operadoras portuárias do Panamá. A comitiva conheceu a infraestrutura utilizada na recepção, movimentação, armazenamento e transbordo de cargas, além dos sistemas de integração logística que conectam o país às principais rotas marítimas internacionais.

Durante a visita, foram apresentados os procedimentos relacionados ao transporte de fertilizantes, grãos, gás natural e matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes. A agenda permitiu avaliar o potencial do Panamá como plataforma logística estratégica para o fornecimento desses insumos ao mercado brasileiro.

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A localização geográfica privilegiada do país e sua conectividade com os principais corredores marítimos globais, por meio do Canal do Panamá, reforçam sua relevância para futuras iniciativas de cooperação voltadas ao fortalecimento das cadeias de suprimentos do agronegócio.

A programação incluiu ainda visita ao Centro de Visitantes de Água Clara, no lado atlântico do novo Canal do Panamá. No local, a delegação acompanhou o funcionamento das eclusas e a passagem de embarcações de grande porte, aprofundando o conhecimento sobre a importância da via para o comércio marítimo internacional e para a logística global de cargas.

A comitiva também se reuniu com representantes da Asociación Nacional de Distribuidores de Insumos Agropecuarios y Maquinarias (ANDIA), entidade que reúne empresas dos setores de insumos agropecuários e máquinas agrícolas do Panamá. Durante o encontro, foram discutidos aspectos relacionados à produção, distribuição e logística de fertilizantes, além de oportunidades de cooperação em fertilizantes, bioinsumos e inovação tecnológica aplicada à agricultura.

Cooperação com o setor produtivo

A agenda incluiu reuniões com representantes das principais entidades do setor agropecuário panamenho. Os encontros abordaram oportunidades de cooperação técnica, intercâmbio de conhecimento, transferência de tecnologia, logística de insumos e ampliação das relações comerciais entre os dois países.

As discussões reforçaram o interesse mútuo em ampliar a integração entre os setores produtivos do Brasil e do Panamá, especialmente em áreas relacionadas à segurança alimentar, inovação e desenvolvimento sustentável da agropecuária.

Participaram do encontro Alicia Jiménez, presidente da Federación de Cámaras de Comercio, Industrias y Agricultura de la República de Panamá (FEDECAMARAS); Víctor Epifanio e Carlos Pitty, da Asociación Nacional de Porcicultores (ANAPOR); Ivvana Quintero, da Asociación Nacional de Molineros (ANALMO); Samuel Vernaza, da Asociación Nacional de Ganaderos (ANAGAN); e Italo Salcedo, da Asociación Nacional de Avicultores (ANAVIP).

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Abertura de mercado

No âmbito governamental, a delegação brasileira foi recebida pelo ministro do Desenvolvimento Agropecuário do Panamá, Roberto Linares, e pelo vice-ministro José Aníbal Rincón Stanziola, em reunião que contou com a participação de autoridades das áreas de sanidade vegetal, saúde animal, engenharia rural e irrigação, agricultura, pecuária, agroindústria e desenvolvimento rural.

Durante o encontro, foram assinados os documentos que formalizam a abertura do mercado panamenho para a importação de sementes brasileiras de coco e café. A medida representa mais um avanço na agenda de acesso a mercados conduzida pelo Mapa e fortalece o comércio agropecuário bilateral.

A abertura amplia as oportunidades para os exportadores brasileiros do setor de sementes e reforça a confiança entre os sistemas de controle sanitário dos dois países. A iniciativa também contribui para a diversificação das relações comerciais e para o fortalecimento da cooperação agropecuária entre Brasil e Panamá.

Os resultados da missão reforçam o compromisso do Mapa com a ampliação de mercados para os produtos agropecuários brasileiros e com a construção de parcerias estratégicas que fortaleçam o abastecimento de insumos essenciais à produção agropecuária nacional.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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