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Pressão externa e projeções para 2026 mantêm queda nos preços do café nas bolsas internacionais

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Os preços do café registraram novas quedas na manhã desta sexta-feira (14) nas bolsas internacionais, acompanhando um movimento de forte volatilidade nos contratos mais próximos. Em Londres, o robusta recuou mais de 3%, refletindo um conjunto de fatores que têm pressionado o mercado.

Tarifas dos EUA e declarações de autoridades intensificam pessimismo

A possibilidade de isenção ou redução das tarifas americanas sobre o café brasileiro segue como um dos principais vetores de baixa. Segundo informações do Barchart, declarações feitas pelo presidente Donald Trump durante entrevista na terça-feira (11) ampliaram o movimento vendedor nos futuros.

Além disso, o comentário do secretário do Tesouro norte-americano, Bessent, de que haveria “anúncios substanciais nos próximos dias” referentes a culturas não produzidas nos EUA, incluindo o café, reforçou a pressão sobre os preços.

Condições climáticas no Brasil elevam expectativas para a safra 2026

O avanço favorável das floradas e o bom desenvolvimento inicial dos chumbinhos nas lavouras brasileiras também contribuem para o cenário baixista. De acordo com colaboradores do Cepea, a maior parte da florada já ocorreu, e agora a produtividade da próxima safra depende da continuidade das chuvas, essenciais para evitar abortamentos e garantir o desenvolvimento dos frutos.

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O consultor e engenheiro agrônomo Jonas Leme Ferraresso destacou que, embora não haja estresse hídrico no momento, as altas temperaturas exigem atenção, pois podem impactar o potencial produtivo das safras de 2026 e 2027.

Projeções internacionais indicam possível excedente global em 2026/27

Instituições financeiras internacionais reforçaram nos últimos dias suas projeções para a safra brasileira e para o equilíbrio global do mercado.

O Rabobank estima um excedente entre 7 e 10 milhões de sacas na temporada 2026/27, impulsionado pela recuperação do arábica no Brasil. Já a StoneX projeta produção nacional de 70,7 milhões de sacas para o mesmo ciclo — um avanço de 13,5% sobre 2025/26.

Desse total, 47,2 milhões de sacas seriam de arábica, com aumento de 29,3%, enquanto o robusta deve alcançar 23,5 milhões, registrando recuo de 8,9%. Ainda assim, a consultoria avalia que a produção permanece abaixo do potencial máximo possível em condições climáticas ideais.

Déficit global persiste, apesar das expectativas de recuperação

Em contraponto, o analista Marcelo Moreira, da Archer Consulting, observou que, mesmo com uma safra brasileira estimada em 55 milhões de sacas, produção de 29,40 milhões no Vietnã (dados Vicofa) e 14 milhões na Colômbia, o mercado global ainda enfrentaria um déficit de aproximadamente 17 milhões de sacas.

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Para ele, a relação estoque/consumo só deve voltar a níveis mais confortáveis — acima de 10% — após a safra 2028/29.

Estoques certificados continuam em queda desde agosto

Apesar da pressão baixista, a Hedgepoint Global Markets destaca que os estoques certificados vêm diminuindo desde agosto, com reduções observadas em diversas origens, como México, Honduras, Nicarágua, Peru, Uganda e Brasil. O país permanece como o principal fornecedor para esses estoques nos últimos anos.

Desempenho nas bolsas: arábica e robusta registram novas quedas

Por volta das 9h20 (horário de Brasília), os preços futuros recuavam de forma generalizada:

  • Nova York – Arábica
    • Dez/25: queda de 715 pontos, cotado a 394,55 cents/lbp
    • Mar/26: baixa de 660 pontos, a 367,65 cents/lbp
    • Mai/26: perda de 680 pontos, a 351,85 cents/lbp
  • Londres – Robusta
    • Nov/25: recuo de US$ 23, a US$ 4.369/tonelada
    • Jan/26: desvalorização de US$ 153, a US$ 4.190/tonelada
    • Mar/26: queda de US$ 148, a US$ 4.098/tonelada

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Custos da safra 2026/27 sobem para milho e soja em Mato Grosso, enquanto algodão registra queda, aponta Imea

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Os custos de produção das principais culturas agrícolas de Mato Grosso devem apresentar comportamentos distintos na safra 2026/27. Levantamento divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra aumento dos gastos para o cultivo de milho e soja, enquanto o algodão deve registrar redução nos desembolsos por hectare.

O avanço dos custos está relacionado, principalmente, às maiores despesas com fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes, fatores que seguem impactando a rentabilidade das atividades e exigindo maior planejamento financeiro dos produtores.

Custo do milho sobe mais de 14% em Mato Grosso

De acordo com o Imea, o custeio do milho para a safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare, alta de 14,46% em relação ao consolidado da temporada 2025/26.

O aumento foi impulsionado pelos maiores gastos com fertilizantes e defensivos, além da elevação nos custos das sementes, refletindo tanto o encarecimento dos insumos quanto a adoção de materiais genéticos mais tecnológicos.

Como consequência, o Custo Operacional Efetivo (COE) foi projetado em R$ 5.528,49 por hectare, avanço de 15,03% na comparação anual.

Já o Custo Total (CT) atingiu R$ 7.418,49 por hectare, crescimento de 10,30% frente à safra anterior.

Preço mínimo para cobrir os custos

Com os custos mais elevados, o produtor precisará de maior eficiência na gestão comercial da safra.

Considerando uma produtividade de referência de 120,28 sacas por hectare, o Imea estima que a saca de milho deverá ser comercializada a pelo menos R$ 45,96 para cobrir o COE da atividade.

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O cenário reforça a importância da comercialização antecipada e do travamento de preços em momentos favoráveis do mercado para preservar margens de rentabilidade.

Soja também terá aumento nos custos de produção

Para a soja, as projeções apontam um cenário de cautela para a temporada 2026/27.

Segundo o levantamento elaborado pelo Sistema Famato, Senar-MT e Imea, o custeio da oleaginosa foi estimado em R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21% em relação à safra 2025/26.

Os principais fatores responsáveis pela elevação dos custos foram:

  • Fertilizantes e corretivos: aumento de 5,40%;
  • Defensivos agrícolas: alta de 10,97%.

Além dos custos mais elevados, o setor continua atento às condições climáticas para a próxima temporada.

As incertezas relacionadas ao clima seguem sendo apontadas como um dos principais riscos para a produtividade das lavouras, podendo impactar diretamente o potencial produtivo e os resultados econômicos da atividade.

Crédito restrito preocupa produtores

Outro fator que preocupa o setor é a maior restrição ao crédito rural.

Segundo o Imea, a limitação dos recursos disponíveis para financiamento pode reduzir a capacidade de investimento dos produtores e provocar ajustes nos pacotes tecnológicos adotados nas propriedades.

Como reflexo desse cenário, o ponto de equilíbrio da soja para cobrir os custos de custeio aumentou 9,13% em relação à temporada passada.

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Diante das margens mais apertadas, os produtores acompanham com atenção a compra dos insumos ainda pendentes e as oportunidades de comercialização da safra futura.

Algodão apresenta redução nos custos

Na contramão de milho e soja, o algodão foi a única das principais culturas analisadas a registrar queda no custo de produção.

O custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 10.652,39 por hectare, redução de 1,14% em comparação ao consolidado da temporada anterior.

A diminuição foi influenciada principalmente pela redução das despesas com:

  • Manutenção de máquinas e equipamentos;
  • Operações mecanizadas;
  • Defensivos agrícolas.

Apesar do alívio nos custos, a cultura continua exigindo elevados investimentos por hectare, mantendo-se entre as atividades agrícolas de maior intensidade de capital no país.

Produtores enfrentam cenário de margens mais pressionadas

Os dados do Imea mostram que a safra 2026/27 deverá exigir maior planejamento financeiro dos produtores mato-grossenses.

Com custos mais elevados para milho e soja e um ambiente marcado por incertezas climáticas, restrição de crédito e volatilidade dos mercados, a gestão eficiente dos insumos e a estratégia de comercialização ganham ainda mais relevância.

Nesse contexto, o monitoramento dos custos de produção e das oportunidades de mercado será decisivo para a manutenção da rentabilidade das propriedades rurais na próxima temporada.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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