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Produtores de soja e leite em Goiás podem recorrer à prorrogação de dívidas rurais diante de dificuldades financeiras
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Cenário desafiador pressiona produtores rurais em Goiás
Produtores de soja e leite em Goiás enfrentam um cenário marcado por preços em queda, juros elevados e instabilidade climática, fatores que têm pressionado a rentabilidade no campo e aumentado o risco de endividamento em 2026.
Diante desse contexto, especialistas apontam que muitos produtores podem recorrer a um instrumento previsto na legislação brasileira: a prorrogação de dívidas de custeio rural, mecanismo que permite o alongamento do prazo de pagamento quando há dificuldades financeiras provocadas por fatores externos.
Clima e preços da soja reduzem rentabilidade no estado
As condições climáticas adversas impactaram diretamente o calendário agrícola. O plantio da soja foi atrasado, reduzindo a janela ideal para a implantação da segunda safra.
Dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) indicam que a produção estadual pode apresentar leve queda nesta safra.
Durante a Expedição Safra Goiás 2025/2026, realizada em mais de 30 municípios das regiões Leste e Oeste do estado, a entidade estimou produtividade média entre 66,5 e 68,5 sacas por hectare, abaixo da média próxima de 70 sacas por hectare registrada no ciclo anterior.
Além da redução na produtividade, a rentabilidade do produtor também foi afetada pela queda no preço da soja. Em algumas regiões, a saca do grão está sendo negociada próxima de R$ 90, valor muito abaixo da expectativa inicial de mercado, que girava em torno de R$ 130 por saca.
Setor leiteiro também enfrenta dificuldades
Os produtores de leite de Goiás também podem recorrer ao mecanismo de prorrogação de dívidas, desde que comprovem prejuízos causados por fatores climáticos ou de mercado.
Nos últimos anos, o setor tem enfrentado dificuldades relacionadas à queda nos preços pagos ao produtor e aumento das importações de lácteos, principalmente de países como Uruguai, Argentina e Nova Zelândia.
Esse cenário tem reduzido a competitividade da produção nacional e levado muitos pecuaristas a abandonarem a atividade, diante da baixa rentabilidade e do aumento do endividamento.
Para parte dos produtores, o alongamento das dívidas rurais se torna uma alternativa necessária para manter a atividade e reorganizar as finanças da propriedade.
Prorrogação de dívidas é um direito previsto na legislação
O alongamento das dívidas rurais é um direito do produtor quando comprovadas dificuldades financeiras decorrentes de fatores externos, como frustração de safra ou queda no valor de comercialização da produção.
A medida está prevista no Manual de Crédito Rural (MCR) e possui respaldo jurídico, incluindo entendimento consolidado pela Súmula 298 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a advogada agrarista Márcia Alcântara, do escritório Celso Cândido de Souza Advogados, o cenário atual indica que muitos produtores podem enfrentar dificuldades para honrar compromissos financeiros.
“A conta não vai fechar para muitos produtores goianos. Tivemos um ano com problemas climáticos, presença de pragas, aumento dos custos de produção e dificuldades na comercialização da soja. Além disso, o plantio atrasado reduziu a janela da segunda safra”, explica.
Procedimento exige solicitação formal ao banco
Para solicitar a prorrogação da dívida, o produtor deve formalizar um pedido administrativo junto à instituição financeira responsável pelo financiamento rural.
O processo exige a apresentação de documentos técnicos que comprovem as dificuldades enfrentadas.
Entre os principais requisitos estão:
- Comprovação de incapacidade temporária de pagamento, causada por fatores como clima adverso ou crise de mercado
- Demonstração de capacidade futura de pagamento, indicando que o produtor poderá quitar a dívida após o período de prorrogação
- Laudo técnico, comprovando perdas de safra ou dificuldades de comercialização
Márcia Alcântara alerta que o produtor deve ficar atento aos prazos para solicitar o benefício, pois o pedido precisa ser feito antes do vencimento da dívida.
Assessoria jurídica pode ajudar produtores no processo
Especialistas recomendam que o produtor rural busque assessoria jurídica especializada antes de solicitar a prorrogação do crédito.
A análise detalhada do contrato e da situação financeira da propriedade pode evitar problemas e garantir que o produtor exerça corretamente seus direitos diante das instituições financeiras.
Segundo a advogada, a orientação profissional também ajuda a evitar cláusulas contratuais que possam colocar o produtor em situação de vulnerabilidade nas negociações.
Medida pode ajudar produtores a reorganizar a atividade
Diante de um cenário marcado por clima instável, custos elevados e preços desfavoráveis, a prorrogação das dívidas rurais pode ser uma alternativa importante para que produtores de soja e leite consigam reorganizar suas finanças e manter a atividade produtiva.
O mecanismo permite ganho de prazo para pagamento e reequilíbrio do fluxo de caixa, ajudando a preservar a continuidade das operações no campo em períodos de maior instabilidade econômica.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos
A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).
O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.
Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.
No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.
A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.
Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.
Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.
Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.
A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.
Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.
O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.
Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.
Serviço
VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)
Fonte: Pensar Agro



