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Projeto Soja Sustentável na Amazônia promove agricultura regenerativa e rastreabilidade na cadeia produtiva
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O Projeto Soja Sustentável na Amazônia, liderado pela Fundepag e financiado pela fundação britânica Jacobs Futura Foundation (JFF), tem como objetivo transformar a produção de soja na região amazônica, promovendo práticas agrícolas regenerativas e sustentáveis. A iniciativa atua nos estados do Acre, Rondônia e Pará, combinando produtividade, preservação ambiental e rastreabilidade de origem.
Segundo Luciana Akissue Teixeira, assessora de Negócios e Inovação da Fundepag, o projeto surge como resposta aos desafios ambientais ligados à cadeia da soja, frequentemente associada ao desmatamento. “Apesar de avanços em acordos multilaterais, ainda existem obstáculos na rastreabilidade e na inclusão de fornecedores indiretos. O projeto utiliza tecnologia, ciência e articulação multissetorial para consolidar uma nova lógica produtiva”, afirma.
Transição para agricultura regenerativa e sustentável
Com o financiamento da JFF, o projeto implementa um Protocolo de Agricultura Regenerativa Sustentável, inspirado nos princípios da Economia Ecológica. O objetivo é apoiar a transformação de sistemas agrícolas intensivos em produtos químicos para modelos que recuperem o solo, reduzam emissões, valorizem serviços ecossistêmicos e aumentem a rentabilidade do produtor.
Luciana ressalta que a iniciativa oferece suporte técnico-operacional, promovendo práticas que conciliam produção eficiente e responsabilidade ambiental.
Parcerias internacionais e multissetoriais fortalecem a iniciativa
O projeto conta com colaboração de parceiros estratégicos com expertise técnica e soluções inovadoras:
- AgriTIERRA (Reino Unido): apoia a transformação digital e sustentável dos sistemas agroalimentares na América Latina.
- Alauda Consulting (Reino Unido): oferece consultoria em commodities de risco de desmatamento, sustentabilidade e sistemas alimentares.
- Imaflora (Brasil): promove uso responsável de recursos naturais, socio-bioeconomia, políticas ESG e cadeias agrícolas sustentáveis.
O financiamento da JFF possibilita o acesso a protocolos técnicos, monitoramento digital e orientação para práticas sustentáveis, garantindo transparência e rastreabilidade em conformidade com normas internacionais, como o Regulamento Europeu de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
Ferramentas digitais e rastreabilidade aumentam competitividade
O projeto disponibiliza aos produtores ferramentas digitais que permitem monitoramento contínuo, rastreabilidade de origem e diagnóstico multicritério das propriedades. Essas medidas promovem transparência, eficiência produtiva e competitividade internacional, reforçando a integração entre sustentabilidade e negócios rentáveis.
Resultados serão apresentados no Congresso Raízes da Inovação
Nos dias 2 e 3 de dezembro, a Fundepag realizará o Congresso Raízes da Inovação, no Expo Dom Pedro, em Campinas (SP). O evento reunirá empresas, startups, instituições de pesquisa e representantes governamentais para estimular negócios, parcerias e soluções inovadoras em IA, agricultura regenerativa, inovação e meio ambiente.
Durante o congresso, o Projeto Soja Sustentável na Amazônia será apresentado, destacando dados, resultados e perspectivas futuras, consolidando o compromisso da Fundepag com o desenvolvimento sustentável e a valorização da cadeia produtiva da soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Chuva trava colheita enquanto mercado internacional paga mais pelo produto
O produtor de cana do Centro-Sul brasileiro chegou à reta final da safra 2026/27 com parte da lavoura ainda esperando para ser colhida. As chuvas de setembro interromperam o trabalho das máquinas, atrasaram o transporte até as usinas e reduziram a concentração de açúcar na matéria-prima justamente quando o mercado internacional voltou a pagar mais pelo produto.
O atraso brasileiro coincidiu com a entrada da Índia no mercado comprador. Tradicional exportador e segundo maior produtor mundial, o país abriu uma cota para importar 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos. Os pedidos de autorização já alcançam aproximadamente 800 mil toneladas, parte delas destinada à compra de açúcar brasileiro.
A pressão sobre a oferta levou as cotações internacionais ao maior nível desde março de 2025 no início de setembro. Os preços recuaram posteriormente, mas continuam sustentados pelas dúvidas sobre quanto açúcar o Brasil conseguirá produzir até o encerramento da moagem.
A safra do Centro-Sul começa normalmente em abril e perde ritmo entre novembro e dezembro. Portanto, as usinas entraram no período decisivo: precisam colher e processar a cana que permanece no campo antes que novas chuvas reduzam ainda mais os dias disponíveis para o trabalho.
Até o fim de agosto, haviam sido processadas 413,55 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, crescimento de 2,2% sobre o mesmo período da temporada anterior. O aumento do volume, entretanto, não se transformou em maior produção de açúcar. As usinas direcionaram uma parcela maior da matéria-prima ao etanol, enquanto a umidade reduziu a qualidade da cana destinada à indústria.
Uma pesquisa realizada com dez analistas estimou que a moagem caiu 35,4% na primeira quinzena de setembro, para 29,8 milhões de toneladas. A produção de açúcar teria recuado 42,5%, para 2,09 milhões de toneladas. Os números ainda são estimativas de mercado, mas mostram a dimensão da paralisação provocada pelas chuvas.
Para o produtor, o problema não se resume ao atraso da colheita. A chuva mantém a cana em crescimento, aumenta seu peso e retarda a maturação. O resultado pode ser uma planta aparentemente mais produtiva, mas com menos Açúcares Totais Recuperáveis, o ATR, por tonelada.
Na primeira metade de setembro, o ATR foi estimado em 147,53 quilos por tonelada, abaixo dos 154,59 quilos registrados um ano antes. Como grande parte dos fornecedores recebe de acordo com a quantidade de açúcar recuperável entregue, a queda afeta diretamente a remuneração.
A cana que permanece no campo também aumenta o risco operacional. Quando o solo está encharcado, as colhedoras não conseguem entrar na lavoura sem provocar compactação, atolamentos e danos às soqueiras. Mesmo depois que a chuva para, pode ser necessário esperar vários dias até que as condições permitam a retomada das máquinas.
O transporte fica mais caro e irregular. As usinas recebem menos matéria-prima e operam abaixo da capacidade, enquanto produtores e prestadores de serviço precisam reorganizar equipes, caminhões e frentes de corte. Se o atraso não for recuperado, parte da cana poderá permanecer no campo para ser processada somente na próxima safra.
A Companhia Nacional de Abastecimento estimou em agosto uma produção brasileira de 705,2 milhões de toneladas de cana, crescimento de 4,7%. Apesar do aumento, a fabricação de açúcar deverá cair 2,9%, para 42,89 milhões de toneladas, em razão da qualidade da matéria-prima e da maior destinação ao etanol.
No Centro-Sul, a previsão oficial era de 39,51 milhões de toneladas de açúcar. Com a continuidade das chuvas, avaliações mais recentes já trabalham com a possibilidade de o volume ficar abaixo de 38 milhões de toneladas.
O açúcar voltou a oferecer remuneração superior à do etanol para as usinas, mas a indústria não consegue alterar rapidamente o mix quando falta cana ou quando a matéria-prima chega com baixa concentração de sacarose. A demanda pelo biocombustível também permanece firme e disputa espaço dentro das unidades industriais.
A procura indiana pode sustentar as exportações e melhorar os preços negociados pelas usinas. Isso, porém, não garante automaticamente ganho maior ao fornecedor. O resultado dependerá do ATR, do modelo de contrato, do momento da entrega e da capacidade de cada região de recuperar o atraso da colheita.
O Brasil tem produto para abastecer o mercado interno e manter as exportações. A preocupação não é falta de açúcar no país, mas redução do excedente disponível para venda ao exterior. Entre abril e julho, os embarques brasileiros já haviam caído 13,1%, para 9,3 milhões de toneladas.
Nas próximas semanas, o clima será mais importante que a própria cotação internacional. Uma sequência de dias secos permitirá acelerar a colheita e ampliar a moagem. Se as chuvas continuarem, produtores e usinas entrarão em dezembro com mais cana no campo, menor concentração de açúcar e menos tempo para encerrar a safra.
Fonte: Pensar Agro



