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Rabobank projeta desafios e oportunidades para o agronegócio brasileiro em 2026

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O relatório “Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2026”, elaborado pelo RaboResearch Food and Agribusiness, aponta que a economia brasileira deve crescer 1,6% em 2026, após avanço de 2% em 2025. A desaceleração reflete os efeitos da política monetária restritiva e o esgotamento do impulso fiscal.

Mesmo com inflação moderando, o Copom deverá adiar o início do ciclo de cortes de juros, mantendo a taxa Selic acima de 12% até o segundo trimestre de 2026. A combinação entre incertezas fiscais e cenário eleitoral tende a aumentar a volatilidade do real, que pode perder parte do suporte obtido com o diferencial de juros.

O Rabobank alerta ainda que o déficit primário pode chegar a 1% do PIB em 2026, elevando a relação dívida/PIB para 83,6%. “A consolidação fiscal continua sendo o principal risco de médio prazo”, destaca o estudo.

Custos de produção e fertilizantes pressionam margens no campo

Mesmo com expectativa de recuperação a partir de 2027, o setor de insumos agrícolas seguirá sob pressão em 2026. Produtores de grãos, especialmente soja e milho, continuam enfrentando margens operacionais apertadas e alto endividamento.

Os custos de adubação subiram 7,4% em 2025 e devem continuar elevados em 2026, com destaque para a cana-de-açúcar, cujo custo de fertilização aumentou 10,7%. O fósforo segue sendo o principal gargalo, com preços internacionais elevados devido à restrição de exportações pela China.

O Brasil deve registrar recorde de importações e entregas de fertilizantes, com cerca de 47 milhões de toneladas em 2026. Já o mercado de defensivos agrícolas tende a crescer 1,5% em volume e 1% em valor, enquanto o segmento de biológicos deve manter ritmo de expansão moderado.

Cana, açúcar e etanol: novo ciclo traz dilema no mix de produção

O setor sucroenergético inicia 2026 sob o desafio de equilibrar a produção entre açúcar e etanol. A safra 2025/26 deve encerrar em 590 milhões de toneladas de cana, enquanto a 2026/27 poderá superar 620 milhões de toneladas, caso o clima permaneça favorável.

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O preço do açúcar caiu 18% em dólar em 2025, pressionado pela virada do balanço global de déficit para excedente, impulsionada por Índia e Tailândia. Mesmo assim, os estoques de etanol devem seguir baixos até março de 2026, sustentando os preços.

Com a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina elevada para 30%, o Rabobank projeta que a oferta de etanol de milho deve subir para até 11,5 bilhões de litros em 2026/27. No entanto, a expansão da moagem pode reacender o dilema do mix: priorizar açúcar pode pressionar preços internacionais; focar em etanol pode reduzir a rentabilidade do combustível.

Café: tarifas dos EUA e EUDR aumentam volatilidade do mercado

O mercado de café enfrenta um cenário de incertezas geopolíticas e de produção. O Rabobank projeta exportações brasileiras entre 39 e 41 milhões de sacas em 2025/26, abaixo das 42 milhões do ciclo anterior, refletindo estoques menores e quebra parcial da colheita.

A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao café brasileiro afetou cerca de 18% das exportações nacionais, favorecendo concorrentes como Colômbia e Vietnã. Já na Europa, a regulamentação EUDR, que exige rastreabilidade e comprovação de origem sem desmatamento, tende a reconfigurar os fluxos comerciais até 2026.

Para o próximo ciclo, a produção nacional deve atingir 62,8 milhões de sacas, com queda de 14% no arábica e recorde de 24,7 milhões no robusta. O banco estima preços do arábica entre US$ 3,10 e US$ 3,55/lp ao final de 2026.

Soja: recordes de produção e exportação, mas cenário externo traz riscos

O Brasil deve colher um novo recorde de 177 milhões de toneladas de soja em 2025/26, com crescimento de 2% na área plantada. As exportações devem se manter em 111 milhões de toneladas, sustentadas pela forte demanda chinesa.

No entanto, um eventual acordo comercial entre Estados Unidos e China pode reduzir a competitividade da soja brasileira e pressionar os prêmios nos portos nacionais. A elevação da mistura de biodiesel para 16% em 2026 deverá ampliar a demanda por óleo de soja, mas o excesso de farelo pode reduzir as margens industriais.

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Mesmo com o risco geopolítico, o Rabobank avalia que o Brasil seguirá como principal fornecedor da China, mantendo cerca de 30% das compras já comprometidas para o novo ciclo.

Milho: mercado interno ganha força com etanol e ração animal

A safra 2024/25 foi recorde, com 142 milhões de toneladas, mas a produção deve cair para 137 milhões em 2025/26. O crescimento de 2,2% na área plantada não será suficiente para compensar a base elevada e a normalização climática.

O consumo interno continua em expansão: o uso de milho para rações animais deve atingir 69 milhões de toneladas, e para etanol, cerca de 28 milhões de toneladas — ambos em novos recordes históricos.

Com o avanço da produção norte-americana para 427 milhões de toneladas, os preços internacionais do milho devem seguir pressionados. Ainda assim, o forte consumo doméstico e o câmbio mantêm o Brasil competitivo. As exportações brasileiras devem atingir 37 milhões de toneladas em 2026.

Algodão: Brasil deve se consolidar como maior exportador mundial

Com previsão de 2,1 milhões de hectares plantados em 2025/26, o Brasil deve ultrapassar 4 milhões de toneladas de pluma, mantendo-se como líder global nas exportações. O país deverá representar 31% das vendas mundiais, à frente dos Estados Unidos, que recuam para 28%.

Os preços internos, contudo, vêm recuando por cinco meses consecutivos, reflexo da colheita recorde e das exportações abaixo do esperado. A comercialização da safra 2025/26 alcança 30%, ainda 13 pontos percentuais abaixo da média histórica.

O Rabobank prevê estabilidade no consumo doméstico e continuidade do avanço nas exportações, sustentadas pela qualidade e competitividade da fibra brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Cachaças de Salinas brilham na Alimentaria 2026 em Barcelona

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Minas Gerais apresenta a cachaça de alambique no maior evento europeu de alimentos

A qualidade e a diversidade das cachaças mineiras chamaram atenção na Alimentaria 2026, considerada a maior feira internacional de alimentos da Europa, realizada na última semana de março em Barcelona.

Minas esteve representada pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em parceria com a Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs), destacando o potencial da cachaça de alambique, licores à base de cachaça e a caipirinha em lata.

Versatilidade do produto atrai público B2B e novas oportunidades

Segundo Manoela Teixeira, assessora técnica da Seapa, a presença na feira evidenciou a versatilidade da cachaça mineira, tanto para consumo puro quanto em coquetelaria e novos formatos de mercado.

“Houve boa aceitação do público B2B nas degustações, além da aproximação com potenciais compradores, distribuidores e contatos institucionais que podem gerar parcerias internacionais”, afirmou.

Estratégia de promoção internacional reforça identidade e valor agregado

A participação integra a ação Agroexporta, iniciativa da Seapa para fortalecer as exportações de produtos agropecuários de Minas com identidade, origem e valor agregado. A cachaça de alambique, símbolo da cultura produtiva mineira, teve destaque nessa estratégia.

“Minas Gerais concentra o maior número de estabelecimentos regularizados do Brasil, cerca de 40% dos produtores, além de liderar em número de municípios com ao menos um elaborador registrado — 256 municípios, ou 30% do total do estado”, destacou Manoela Teixeira.

Exportações de cachaça mineira e potencial de crescimento

A assessora ressalta o potencial de ampliação da presença da cachaça mineira no mercado internacional. Em 2025, Minas exportou cerca de US$ 1,5 milhão, o equivalente a 337 toneladas, representando 8,8% do valor exportado pelo país no setor.

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No caso da Espanha, as exportações mineiras somaram US$ 18,9 mil, indicando espaço para crescimento naquele mercado.

Indicação de Procedência fortalece diferencial regional

A região de Salinas possui Indicação de Procedência (IP) “Região de Salinas”, que garante exclusividade de uso do nome apenas para cachaças produzidas na área delimitada, que abrange Salinas, Novorizonte e partes de Taiobeiras, Rubelita, Santa Cruz de Salinas e Fruta de Leite.

Participação da Apacs marca consolidação internacional

Para o presidente da Apacs, Jean Henrique de Oliveira, a feira representou um divisor de águas: “Com o apoio do Estado, foi possível mostrar um produto genuinamente brasileiro em uma feira internacional”.

A associação reúne 27 produtores associados, mais de 100 rótulos e cerca de 60 marcas, sendo responsável pela promoção da cachaça de alambique da região.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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