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Reforma tributária pode elevar custos e carga de impostos em toda a cadeia do agronegócio, aponta Martinelli Advogados
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Segundo análise do escritório Martinelli Advogados, um dos mais respeitados do país, a nova estrutura de tributos tende a aumentar a carga fiscal em praticamente todos os elos da cadeia produtiva do agronegócio, sobretudo pela eliminação de benefícios fiscais hoje aplicados a insumos, produtores e agroindústrias. Além disso, o novo modelo poderá elevar os custos operacionais, com reflexos sobre os preços finais ao consumidor.
Fim de incentivos fiscais pode aumentar carga tributária
A reforma tributária prevê a extinção de benefícios atualmente concedidos à cadeia do agronegócio, como alíquotas zeradas ou reduzidas para PIS, Cofins, ICMS e IPI. Com isso, a carga tributária tende a crescer desde a aquisição de insumos até a comercialização do produto final. A avaliação é da tributarista Camila Lotito, sócia do Martinelli Advogados.
Segundo a especialista, esse aumento não se limita à perda de incentivos, mas também decorre de fatores como o acréscimo de custos nos serviços logísticos e operacionais, essenciais ao setor. “O aumento da carga tributária poderá ocorrer em todos os elos da cadeia, inclusive pela elevação dos custos de transporte, armazenagem e arrendamento mercantil”, destaca.
Benefícios atualmente concedidos ao setor
A análise do Martinelli Advogados detalha os principais pontos da cadeia produtiva que hoje contam com tratamento fiscal diferenciado:
- Insumos agropecuários: alíquota zero para PIS e Cofins; ICMS com isenção, diferimento ou redução de base de cálculo; IPI com alíquota zero ou não incidência.
- Produtor rural pessoa física: não contribuinte de PIS e Cofins; ICMS com benefícios como isenção ou diferimento; IPI não incidente.
- Produtor rural pessoa jurídica: suspensão ou alíquota zero de PIS e Cofins; benefícios semelhantes em ICMS e IPI.
- Agroindústria: crédito presumido para PIS, Cofins e ICMS, conforme o produto e o Estado.
- Exportações: imunidade para PIS, Cofins, ICMS e IPI.
Mesmo com a previsão de redução de 60% na alíquota dos tributos para produtos agropecuários — conforme estabelecido pela Emenda Constitucional 132/2023 — o escritório jurídico alerta para o risco de aumento geral da carga tributária.
Impacto varia conforme o perfil da empresa
De acordo com Camila Lotito, o impacto efetivo da reforma dependerá de uma série de variáveis, como a estrutura da empresa, os preços praticados pelos fornecedores, a logística envolvida, os contratos estabelecidos e o modelo de processamento industrial. “Será necessário analisar toda a cadeia produtiva, pois a tributação poderá afetar de maneira distinta fornecedores, parceiros e clientes”, afirma.
Custos operacionais devem subir com a reforma
A reforma também deve gerar um aumento nos custos operacionais do agronegócio. Entre os principais pontos afetados estão:
- Insumos agropecuários: atualmente com alíquota zero, passarão a ser tributados, ainda que com redução de 60%. Isso representa custo direto adicional para os produtores.
- Serviços essenciais: transporte, armazenagem e arrendamento, hoje com tratamento tributário diferenciado, passarão a ser tributados integralmente pelo IBS e CBS, impactando o caixa das empresas logo no momento da contratação.
- Exportações: mesmo mantidas como isentas, devem gerar acúmulo de créditos tributários. A demora no ressarcimento desses créditos pode comprometer o capital de giro das empresas e influenciar a formação dos preços.
Reflexo no mercado consumidor
Com o fim dos benefícios fiscais e o aumento de custos ao longo de toda a cadeia produtiva, a tendência é de pressão sobre os preços praticados pelos produtores rurais. Isso pode gerar impacto direto no mercado consumidor, encarecendo alimentos e outros produtos agropecuários.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil e Guatemala fortalecem parceria agropecuária ao celebrarem 50 anos de cooperação
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala (MAGA) assinaram, nesta quarta-feira (3), na Cidade da Guatemala, um Memorando de Entendimento (MoU) para fortalecer a cooperação bilateral em áreas estratégicas para o desenvolvimento agropecuário.
A assinatura do documento marca os 50 anos de cooperação entre Brasil e Guatemala e amplia a atuação conjunta em temas como pesquisa agropecuária, inovação tecnológica, sanidade animal e vegetal, recursos genéticos, bioinsumos, agricultura regenerativa, recuperação de solos, capacitação técnica, promoção de investimentos e facilitação do comércio agropecuário.
A agenda integra a missão oficial do Mapa à América Central, liderada pelo secretário-executivo, Cleber Soares, e também representa a retribuição da visita realizada recentemente pela ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala, María Fernanda Rivera Dávila, ao Brasil. Na ocasião, foram fortalecidos os entendimentos bilaterais e avançadas pautas de interesse comum, incluindo a habilitação de seis plantas frigoríficas brasileiras de carne bovina para exportação ao mercado guatemalteco.
Durante a reunião bilateral, as delegações identificaram oportunidades para ampliar a cooperação entre instituições brasileiras e guatemaltecas, com destaque para o intercâmbio de conhecimentos em manejo sustentável de solos, bioinsumos, agricultura resiliente às mudanças climáticas, monitoramento agroclimático e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade agrícola.
O Memorando de Entendimento também prevê a criação de mecanismos permanentes de coordenação entre os ministérios, incluindo grupo de trabalho conjunto, intercâmbio de especialistas, realização de missões técnicas, capacitações e desenvolvimento de projetos de interesse comum.
A Guatemala manifestou interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil em áreas como o melhoramento genético de pescado e de bovinos, com o objetivo de promover o desenvolvimento da pecuária e ampliar a transferência de tecnologia. Durante as discussões, o governo guatemalteco reconheceu a experiência brasileira como referência internacional em inovação agropecuária e solicitou apoio para ações voltadas ao aprimoramento genético e ao fortalecimento do rebanho bovino do país.
As delegações também discutiram temas relacionados à ampliação do comércio agropecuário bilateral, incluindo avanços em processos sanitários para produtos de origem animal e oportunidades para fortalecer as relações comerciais entre os dois países.
A programação incluiu ainda uma reunião estratégica no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), na Cidade da Guatemala. Durante o encontro, foram discutidas oportunidades de cooperação regional em temas como bioinsumos, cafeicultura, agricultura sustentável, adaptação às mudanças climáticas, genética animal e fortalecimento institucional.
As discussões ampliaram as perspectivas de atuação conjunta entre Brasil, Guatemala e organismos internacionais para o desenvolvimento de iniciativas voltadas à inovação, à sustentabilidade e ao fortalecimento da agricultura na região.
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