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Regulamentação da pesca do tubarão-azul oferece mais sustentabilidade para a espécie
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A Portaria Interministerial MPA/MMA nº 30/2025, publicada na semana passada, levantou diversas discussões sobre a sustentabilidade do tubarão-azul no país. O documento define medidas de ordenamento, monitoramento, controle e fiscalização para a pesca da espécie.
Apesar do permissionamento ser algo antigo, agora os Ministérios trouxeram normas mais rigorosas para controlar a atividade. É o que esclarece o Diretor do Departamento de Pesquisa e Estatística da Pesca e Aquicultura do MPA, Alex Souza Lira. “O objetivo da portaria é controlar a pesca do tubarão-azul, única espécie de tubarão que tem a atividade pesqueira permitida no país, pois não havia um monitoramento, nem um limite de captura. A partir desse controle que podemos evitar a sobrepesca, que é retirada além do limite biológico da espécie e suas eventuais consequências para os estoques”.
Alex também destaca que a criação de cotas pretende garantir a sustentabilidade da espécie no longo prazo. “O valor da cota foi estabelecido considerando as recomendações de órgãos internacionais, estudos técnico-científicos, levantamentos de disponibilidade da espécie, além dos valores registrados pelos mapas de bordo das embarcações pesqueiras”, completou.
O limite de captura total, em peso, do tubarão-azul é de 3.481 toneladas. Assim, se for ultrapassado, haverá um desconto dois anos após o registro, quando houver a consolidação dos dados da pesca nacional de atuns e afins, seguindo recomendações internacionais. No entanto, caso seja registrado um valor abaixo da cota, o excedente não será repassado para os anos posteriores. Ou seja, os valores declarados pelos pescadores repercutem nas próximas cotas.
Segundo Alex, a Portaria estabelece outra medida importante para o monitoramento: agora, os pescadores ficam obrigados a fazerem a Declaração de Entrada em Empresa Pesqueira. “Esse é um novo instrumento de controle, que obriga os pescadores a comercializarem o tubarão pescado apenas com empresas que tenham o selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, para garantir a conformidade sanitária”, acrescentou.
A Diretora de Ordenamento da Pesca Industrial, Amadora e Esportiva do MPA, Sandra Silvestre, esclarece que a regulamentação foi feita de forma participativa. “A portaria foi criada após inúmeras discussões com a sociedade civil, pesquisadores e pescadores artesanais e industriais. E isso foi feito de por meio de uma gestão compartilhada entre os Ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente”, ressaltou.
Pesca regulamentada internacionalmente
O Brasil é signatário da Convenção da ONU sobre Ordenamento de Populações de Peixes Transzonais e Altamente Migratórios, assinada em 1995, que afirma que a gestão da pesca atuns e afins (incluindo o tubarão-azul) deve ser realizada por meio de cooperação internacional.
O ordenamento e o monitoramento são realizados de acordo com recomendações estabelecidas no âmbito da Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns do Atlântico (ICCAT), que conta com mais de 54 países e reúne um comitê formado por pesquisadores e especialistas.
De acordo com a Lei de Crimes Ambientais, qualquer animal que figura na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção tem a pesca proibida no país. O tubarão-azul é a única espécie de tubarão que não está na lista e, portanto, tem a pesca liberada. Sandra Silvestre explica que os órgãos internacionais não orientam expressamente a proibição caso uma espécie esteja ameaçada de extinção, mas recomendam que a gestão pesqueira seja uma prioridade. “Por isso, a publicação da Portaria MPA/MMA nº 30 de 2025 é tão importante, ao trazer normas mais rigorosas de ordenamento, monitoramento e controle desta pescaria”.
Consumo interno
A pesca do tubarão-azul é uma prática tradicional no Brasil para o consumo do peixe, que muitas vezes é comercializado como cação. A coordenadora-geral de Gestão Participativa Costeiro-marinha, Adayse Bossolani da Guarda, destaca que o peixe é bastante consumido, principalmente no sul do Brasil. “É um peixe bastante apreciado porque, além de saboroso, não tem espinho, sendo recomendado até para a alimentação escolar. Sempre se comeu cação, ele é encontrado em qualquer mercado de peixe”, acrescentou.
Adayse explica, ainda, que a grande controvérsia em torno da pesca do tubarão-azul se dá pela prática de finning, na qual se extrai apenas a barbatana do animal, que é solto no mar. “O finning é bem comum no restante do mundo, mas é proibido no Brasil desde 1998. Além do mais, aqui se consome toda a carne, ele é totalmente aproveitado em uma cadeia produtiva completa, que inclui o beneficiamento e o comércio”, esclareceu.
Ela também destaca a relevância cultural e econômica da pesca do tubarão-azul. “Essa é uma pesca muito importante, que gera emprego e renda para muita gente. Não dá para cortar isso da vida das pessoas. O que os Ministérios estão fazendo é organizar a atividade, para que ela possa ser feita de forma sustentável.”, concluiu.
Confira a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 30/2025 na íntegra!
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Café robusta cresce no Brasil, dobra produção em 9 anos e reduz distância para o arábica
Produção de robusta deve chegar a 22,1 milhões de sacas em 2026, enquanto arábica segue liderança com 44,1 milhões; cenário indica diversificação e reconfiguração da cafeicultura brasileira.
Café robusta deixa de ser coadjuvante e avança na produção nacional
O café robusta, também conhecido como conilon ou canéfora, vem ganhando protagonismo na cafeicultura brasileira e ampliando sua participação na produção nacional.
Em nove anos, a produção praticamente dobrou: passou de 10,4 milhões de sacas em 2016 para 20,8 milhões de sacas no ano passado, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa recorde histórico da variedade.
Para 2026, a expectativa é de novo crescimento, com projeção de 22,1 milhões de sacas, alta de 6,4% em relação ao ano anterior e possibilidade de novo recorde.
Arábica mantém liderança, mas crescimento do robusta muda equilíbrio do setor
Apesar da expansão do robusta, o café arábica segue como principal variedade produzida no país.
Em 2024, a produção foi de 35,7 milhões de sacas, abaixo das 43 milhões registradas em 2016. Para 2026, a Conab projeta recuperação, com 44,1 milhões de sacas.
Segundo o head da Ascenza Brasil, Hugo Centurion, o cenário não representa substituição entre as variedades, mas sim uma mudança estrutural na cafeicultura brasileira.
“O robusta não está tomando o lugar do arábica, mas o Brasil vive um movimento de diversificação da cafeicultura nacional”, afirma.
Robusta já responde por mais de um terço da produção brasileira
Na safra mais recente, a produção total de café no Brasil foi de 56,5 milhões de sacas. Desse volume, o robusta respondeu por 37%, participação considerada histórica.
O avanço é explicado por fatores como:
- Alta produtividade por hectare
- Maior resistência ao calor e à seca
- Menor custo de produção
- Crescente demanda industrial
“O arábica continua muito importante, especialmente nas exportações, mas o robusta ganha espaço pela sua estabilidade produtiva”, destaca Centurion.
Produtividade do robusta supera em mais de 100% a do arábica
Os dados de produtividade reforçam a vantagem competitiva do robusta no campo.
- Robusta: 400 mil hectares → 20,8 milhões de sacas (52 sacas/ha)
- Arábica: 1,5 milhão de hectares → 35,7 milhões de sacas (24 sacas/ha)
Ou seja, o robusta apresenta produtividade mais que o dobro da registrada no arábica, com menor área cultivada.
Nova configuração da cafeicultura brasileira
Especialistas avaliam que o crescimento do robusta reflete uma mudança estrutural no setor, com maior foco em eficiência, previsibilidade e redução de riscos climáticos.
Segundo Centurion, o movimento não substitui o arábica, mas amplia a competitividade do Brasil.
“O que estamos vendo é uma reconfiguração da cafeicultura, com o robusta assumindo papel estratégico, sustentado por produtividade e pela demanda global por cafés industriais”, explica.
Expansão do robusta abre novas fronteiras agrícolas
O mapa da produção de café no Brasil também está em transformação.
O arábica se concentra principalmente em:
- Minas Gerais (Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Zona da Mata)
- São Paulo
- Paraná
- Bahia (Chapada Diamantina e Oeste)
- Já o robusta tem forte presença em:
- Espírito Santo (maior produtor nacional)
- Rondônia
- Expansão na Bahia e Mato Grosso
Enquanto o arábica exige clima ameno e altitude, o robusta avança em regiões mais quentes e de menor altitude, abrindo novas fronteiras agrícolas.
Café robusta atende demanda crescente da indústria global
O crescimento do robusta também está ligado ao aumento da demanda por cafés industriais, como:
- Café solúvel
- Cápsulas
- Blends comerciais
Além disso, o robusta possui maior teor de cafeína e perfil mais intenso, sendo amplamente utilizado em formulações industriais e misturas com arábica.
Mudanças no consumo global reforçam importância da variedade
No mercado internacional, o arábica ainda lidera com cerca de dois terços do consumo global, enquanto o robusta representa pouco mais de um terço.
Segundo a Conab, o Brasil exportou cerca de 40 milhões de sacas de café no último ano. Deste total:
- 75% a 80% foram de arábica
- 20% a 25% foram de robusta
Os principais compradores incluem Estados Unidos, Alemanha, Itália, Japão e Bélgica.
Robusta ganha papel estratégico na competitividade do café brasileiro
Além de ampliar a oferta para a indústria, o robusta também contribui para estabilizar preços no mercado interno, especialmente em momentos de alta do arábica.
Com maior produtividade e menor custo, a variedade ajuda a sustentar a cadeia produtiva e manter o café mais acessível ao consumidor final.
“O robusta funciona como elemento de equilíbrio do setor e contribui para a competitividade do café brasileiro”, conclui Centurion.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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