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Safra Brasileira de Grãos Avança com Clima Favorável, Apesar de Pressão nos Preços da Soja e Alta do Milho

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Os preços da soja no mercado interno brasileiro caíram 1% em dezembro em relação a novembro, segundo relatório mensal da RaboResearch Food & Agribusiness. A desvalorização foi impulsionada pela demanda mais fraca e pelas projeções de uma safra recorde, o que elevou a oferta e pressionou as cotações nas principais regiões produtoras.

Mesmo com o recuo recente, o cenário climático favorável e o bom andamento do plantio reforçam a perspectiva de alta produtividade na temporada 2025/26.

Milho Sobe 2% com Incertezas sobre o Plantio da Safrinha

Em contraste com a soja, o milho apresentou valorização de 2% no mesmo período. O movimento de alta reflete a preocupação dos produtores com a possibilidade de que parte da safrinha 2025/26 seja semeada fora da janela ideal — o que poderia reduzir o potencial produtivo e pressionar a oferta.

Esse cenário tem levado produtores e indústrias a buscar maior proteção no mercado físico, sustentando os preços nas regiões de Mato Grosso e Paraná.

Exportações de Soja e Milho Recuam em Novembro, mas Mantêm Bom Desempenho no Ano

As exportações de soja totalizaram 4,2 milhões de toneladas em novembro de 2025, queda de 38% frente ao mês anterior. Ainda assim, no acumulado do ano, os embarques estão 8% acima do mesmo período de 2024, somando 104,8 milhões de toneladas. A projeção do Rabobank para a temporada 2024/25 é de 110 milhões de toneladas exportadas.

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O milho também registrou retração nas exportações mensais, com 5 milhões de toneladas embarcadas em novembro, 23% a menos que em outubro. No acumulado do ano, as vendas externas do cereal ficaram 2% abaixo do volume observado em 2024.

Avanço do Plantio e Condições Climáticas Positivas Garantem Boa Perspectiva para a Safra

O relatório destaca que o plantio da soja já alcança 94% da área total prevista, com as condições das lavouras classificadas como boas ou excelentes na maioria das regiões. As chuvas registradas em dezembro melhoraram a umidade do solo e favoreceram o enchimento de grãos, especialmente em estados como Mato Grosso e Paraná, líderes na produção nacional.

Segundo o monitoramento climático, a regularização das precipitações também tem sido observada em áreas do Centro-Oeste e Sul, reduzindo o impacto de eventuais atrasos na semeadura e sustentando projeções otimistas para o rendimento médio.

Safrinha de Milho: Produtores Antecipam Vendas com Margem Favorável

A comercialização da próxima safrinha de milho avança em ritmo mais acelerado que a média histórica. Em Mato Grosso e no Paraná, os produtores têm aproveitado melhores preços de venda antecipada, impulsionados pela preocupação com o clima e pelos custos de produção mais elevados.

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A RaboResearch aponta que a sazonalidade de oferta e o aumento do consumo interno, tanto para ração animal quanto para exportação, devem manter o mercado aquecido nos primeiros meses de 2026.

Perspectivas para o Mercado de Grãos em 2026

Com o avanço da colheita e a melhora nas condições climáticas, a expectativa é de recuperação gradual dos preços da soja no médio prazo, especialmente se houver retomada da demanda chinesa e estabilidade cambial.

Para o milho, a tendência é de preços firmes até o início do segundo semestre de 2026, sustentados por um balanço ajustado entre oferta e demanda e pelo ritmo consistente de exportações.

No cenário internacional, o Rabobank projeta que as cotações da soja e do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) sigam influenciadas pelas condições climáticas na América do Sul e pelo comportamento das taxas de juros nos Estados Unidos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Brasil Soberano: Governo amplia crédito para fertilizantes

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Fabricantes de fertilizantes, produtores de matérias-primas intermediárias e mineradoras que abastecem o setor poderão contratar capital de giro pelo Plano Brasil Soberano. A mudança amplia o alcance do programa e procura dar fôlego financeiro a uma cadeia considerada estratégica para o agronegócio brasileiro.

Projetos industriais e tecnológicos ligados ao beneficiamento, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos também terão acesso a recursos com custo reduzido. O encargo da fonte de financiamento caiu para 3% ao ano, ante percentuais que chegavam a 8% na aquisição de máquinas e equipamentos e a 6,5% em determinados investimentos.

A decisão foi tomada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária realizada no fim de agosto. O colegiado também prorrogou por 12 meses o prazo para apresentação dos pedidos de financiamento ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas elegíveis poderão protocolar as solicitações até 31 de dezembro de 2027.

Para o produtor rural, o efeito não será direto. As linhas são destinadas às empresas que produzem, processam ou fornecem insumos para a fabricação de adubos. O objetivo é melhorar as condições financeiras da indústria e reduzir riscos de interrupção no abastecimento do campo.

A inclusão do capital de giro atende a uma característica do setor. Muitas empresas precisam pagar antecipadamente pelas matérias-primas importadas, arcar com frete, armazenagem e processamento e somente depois receber pelas vendas realizadas aos produtores ou distribuidores.

Esse intervalo exige grande disponibilidade de caixa. Quando o crédito fica caro ou escasso, as empresas podem reduzir compras, estoques e produção. A consequência chega às propriedades na forma de menor oferta, dificuldade para programar entregas e maior exposição às oscilações de preços.

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Antes da mudança, as empresas da cadeia de fertilizantes podiam recorrer ao Plano Brasil Soberano principalmente para comprar máquinas ou executar projetos de investimento. Agora, os recursos também poderão financiar despesas necessárias ao funcionamento diário das operações.

A medida ganha importância porque o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência deixa a produção agrícola vulnerável ao câmbio, às cotações internacionais, aos custos marítimos e a conflitos capazes de interromper rotas ou restringir a oferta mundial.

O país responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes e ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores. Soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% da demanda nacional, o que transforma o insumo em um componente decisivo dos custos das principais cadeias agrícolas.

O crédito mais barato para minerais estratégicos procura estimular investimentos em etapas que ainda são pouco desenvolvidas no Brasil. O país possui reservas minerais importantes, mas parte do material extraído é exportada sem processamento ou não chega a ser transformada internamente nos produtos necessários à agricultura.

Ao apoiar o beneficiamento, o refino e a transformação dentro do país, o governo tenta ampliar a capacidade industrial e diminuir a dependência de produtos acabados vindos do exterior. O resultado, entretanto, dependerá da execução dos projetos, que podem exigir licenciamento, infraestrutura, tecnologia e vários anos até o início da produção.

O percentual de 3% ao ano não representa necessariamente a taxa final que será paga pelas empresas. Ele corresponde ao custo da fonte de recursos e já considera a remuneração do BNDES. Nas operações indiretas, realizadas por bancos credenciados, ainda podem existir encargos do agente financeiro e custos relacionados ao risco do tomador.

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Por isso, a medida também não garante uma queda imediata no preço do fertilizante vendido ao agricultor. As cotações continuarão sujeitas ao câmbio, aos preços internacionais, ao frete, à oferta mundial de nutrientes e à demanda no período de plantio.

O ganho mais provável no curto prazo é a melhora das condições para que fabricantes e fornecedores mantenham estoques e cumpram contratos. No longo prazo, se os investimentos aumentarem a produção e o processamento de matérias-primas no Brasil, o setor poderá reduzir a exposição a crises externas e ganhar maior previsibilidade.

O acesso às linhas será restrito aos segmentos definidos conjuntamente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério da Fazenda. A relação de atividades autorizadas consta das portarias que regulamentam o Plano Brasil Soberano.

Criado para apoiar empresas afetadas pelo aumento das tarifas norte-americanas e pela instabilidade do comércio internacional, o programa passa a alcançar uma cadeia diretamente ligada à segurança produtiva do país. Para o campo, o efeito concreto será medido pela capacidade da política de ampliar a oferta interna, evitar falta de insumos e reduzir a dependência que hoje transforma qualquer crise internacional em custo adicional dentro da porteira.

Fonte: Pensar Agro

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