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Safrinha: produção cresce, mas estiagem impõe ajustes nas projeções

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A produção do milho segunda safra, popularmente conhecido como safrinha, continua sendo um dos pilares da agricultura brasileira, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sul. A temporada 2024/25, no entanto, tem enfrentado uma série de desafios climáticos que influenciam diretamente as projeções de produtividade e o volume total colhido.

Estima-se que a colheita nacional do cereal deverá atingir cerca de 135 milhões de toneladas, número ligeiramente inferior à previsão inicial feita no início do ano. Essa leve queda está relacionada principalmente à estiagem que afetou regiões produtoras durante o mês de março e começo de abril, comprometendo o desenvolvimento das lavouras plantadas mais tarde.

Apesar desse revés, o desempenho ainda é superior ao da safra anterior, que ficou em torno de 125 milhões de toneladas. O crescimento é impulsionado principalmente pelo avanço da área plantada e pelas condições climáticas favoráveis em algumas regiões-chave, como Mato Grosso do Sul e Paraná. Nesses estados, os índices de precipitação ficaram entre 10% e 50% acima da média histórica recente, e os indicadores de vigor vegetativo sugerem que as lavouras apresentam desenvolvimento bastante positivo.

O chamado NDVI, índice que avalia a saúde da vegetação a partir de imagens de satélite, registrou os melhores níveis dos últimos dez anos em áreas do Mato Grosso do Sul, sinalizando lavouras bem estabelecidas e com boas perspectivas de colheita. O Paraná, embora tenha apresentado uma leve piora recente no índice, ainda mantém boas condições agronômicas para o milho safrinha.

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Por outro lado, estados como Goiás e Minas Gerais enfrentam um cenário oposto. A escassez de chuvas e a dificuldade na recomposição da umidade do solo vêm preocupando os produtores locais. A precipitação nessas regiões ficou 50% abaixo do esperado, o que limita o desenvolvimento pleno das plantas e pode comprometer parte da produtividade.

No Mato Grosso, há sinais de que a seca também começa a afetar algumas áreas. Oscilações nos dados de vegetação podem estar ligadas à baixa pluviosidade ou até à cobertura de nuvens que dificulta o monitoramento por satélite. Embora o início de abril tenha trazido chuvas que superaram os volumes registrados no mesmo período de 2022, o acumulado desde fevereiro ainda é considerado abaixo do ideal para um desempenho pleno.

As previsões meteorológicas para as próximas semanas trazem um certo alívio. Modelos climáticos apontam para continuidade das chuvas em boa parte do território nacional, com destaque para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e partes do Nordeste. As temperaturas devem permanecer dentro da normalidade, sem expectativa de ondas de frio ou calor extremo que poderiam comprometer o ciclo final das lavouras.

A área destinada ao milho safrinha nesta temporada foi estimada em pouco mais de 21 milhões de hectares, o que representa uma leve expansão em relação ao ciclo anterior. No entanto, a área ainda é um pouco menor do que o projetado inicialmente, reflexo das dificuldades climáticas enfrentadas em regiões como o norte do Paraná, Minas Gerais e São Paulo, que tiveram parte do plantio comprometida pela seca.

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A produtividade média esperada é de aproximadamente 6.265 quilos por hectare, abaixo da estimativa anterior, mas ainda superior à registrada na safra passada. O aumento na área cultivada e a maior eficiência em regiões com clima favorável explicam o desempenho positivo.

Na porção Centro-Sul do país, a segunda safra deve alcançar quase 96 milhões de toneladas, desempenho superior ao do ano anterior, quando a produção ficou na casa dos 85 milhões de toneladas. Já nas regiões Norte e Nordeste, a colheita tende a ser um pouco maior do que no ciclo anterior, mesmo com perdas pontuais registradas em estados castigados pela estiagem no verão. Nessas regiões, a área plantada também avançou levemente, embora a produtividade esteja abaixo da expectativa inicial.

O cenário da safrinha em 2024/25 reforça a importância do monitoramento climático constante e do planejamento técnico por parte dos produtores. Ainda que os desafios sejam significativos, a resiliência da agricultura brasileira, aliada às novas tecnologias de monitoramento e manejo, continua garantindo ao país uma posição de destaque na produção mundial de milho.

Fonte: Pensar Agro

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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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