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Senado aprova SC Rural 2: projeto vai gerar mais renda e fortalecer agricultura catarinense
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O Projeto SC Rural 2 foi aprovado pelo Senado Federal, marcando um passo significativo para o desenvolvimento rural em Santa Catarina. A resolução nº 23/2025, publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (28), autoriza o governo estadual a financiar US$ 120 milhões junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), com contrapartida de US$ 30 milhões do Estado.
O objetivo é promover aumento da renda, competitividade e resiliência frente a eventos extremos, por meio da inovação tecnológica e da melhoria de serviços públicos para agricultores e pescadores catarinenses.
SC Rural 2: foco em agricultura familiar, inovação e sustentabilidade
O crédito será destinado ao Programa de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Familiar de Santa Catarina: Resiliência Ambiental, Inovação e Inclusão Social no Espaço Rural – o SC Rural 2.
O projeto foi proposto pelo Governo de Santa Catarina, articulado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), em parceria com órgãos como:
- Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural)
- Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola)
- IMA (Instituto do Meio Ambiente)
- SAQ (Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca)
O projeto também recebeu apoio da Secretaria de Fazenda (SEF), Infraestrutura e Mobilidade (SIE) e Planejamento (Seplan).
Próximos passos: diretoria executiva e assinatura do contrato
Com a aprovação do Senado, o governo estadual dará início à criação da Diretoria Executiva do SC Rural 2, sendo a assinatura do contrato prevista para setembro.
O governador Jorginho Mello destacou a importância do projeto:
“Esse financiamento é uma conquista histórica para Santa Catarina. O SC Rural 2 vai fortalecer a nossa agricultura e melhorar a vida de quem está no campo, alcançando mais famílias e oportunidades para quem vive da agricultura e da pesca.”
O secretário da Agricultura, Carlos Chiodini, reforçou que metade do valor da operação (US$ 75 milhões) será destinado a apoio direto aos produtores, permitindo investimentos em melhorias nas propriedades sem necessidade de reembolso.
Continuidade de programas anteriores e estrutura do SC Rural 2
O projeto dará sequência a iniciativas anteriores, como Microbacias 1 e 2 e SC Rural 1, e será executado ao longo de seis anos. Suas ações estão estruturadas em três eixos principais:
Empreendedorismo e inovação: inclusão social, aumento de renda e estímulo a empreendimentos rurais e pesqueiros.
- Meio ambiente: fortalecimento de recursos hídricos, adoção de sistemas de produção de baixo impacto ambiental e adequação ambiental.
- Bens e serviços públicos: suporte estratégico para ações de apoio direto aos produtores.
Histórico da aprovação
O SC Rural 2 passou por diversas etapas antes da sanção final:
- Março de 2024: aprovação pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex).
- Setembro de 2024: aprovação na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
- Janeiro de 2025: negociação e aprovação das minutas contratuais entre governos estadual e federal.
- Agosto de 2025: aprovação final pelo Senado Federal.
O projeto agora entra na fase de implementação operacional, com foco em gerar mais oportunidades, renda e sustentabilidade para o meio rural catarinense.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.
As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.
O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.
Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.
A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.
Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.
Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.
O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.
O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.
Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.
A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.
Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.
A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.
A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.
Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.
A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.
Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.
A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.
O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.
Fonte: Pensar Agro



