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Senado avalia projeto de retaliação a barreiras comerciais internacionais
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A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado incluiu na pauta desta terça-feira (1º) a análise de um projeto que estabelece diretrizes para a aplicação de medidas de reciprocidade diante de barreiras comerciais impostas a produtos brasileiros. A iniciativa busca conter sobretaxas e restrições adotadas por outros países, com especial atenção ao setor do agronegócio.
O texto a ser analisado é um substitutivo apresentado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) ao projeto original de autoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA). O parecer da relatora já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente em 18 de março.
A proposta conta com o apoio da bancada ruralista e tem como foco a resposta a países e blocos econômicos que impuserem restrições ambientais ao comércio com o Brasil. Apresentado em abril de 2023, o projeto ganhou força neste ano após a posse do presidente norte-americano Donald Trump, que estabeleceu uma tarifa de 25% sobre importações de aço e alumínio, além de ameaçar novas taxações.
Critérios para retaliação
No relatório, Tereza Cristina propõe que o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) possa autorizar contramedidas caso países ou blocos econômicos adotem medidas que:
- Interfiram nas decisões soberanas do Brasil;
- Violem ou entrem em conflito com acordos comerciais dos quais o Brasil faça parte;
- Representem medidas unilaterais baseadas em padrões ambientais mais rigorosos do que os estabelecidos pela legislação brasileira.
Dentre as ações previstas para retaliação, estão a suspensão de concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual. Segundo o relatório, as contramedidas deverão ser proporcionais ao impacto econômico causado pelas práticas protecionistas.
O projeto também determina que consultas diplomáticas sejam conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores, com o objetivo de mitigar ou anular os efeitos das barreiras comerciais e das medidas de retaliação adotadas pelo Brasil. Além disso, a Camex deverá implementar mecanismos de monitoramento periódico para avaliar os impactos das contramedidas e a evolução das negociações internacionais.
A proposta tramita em regime terminativo, o que significa que, caso seja aprovada na CAE e não haja pedido para apreciação no plenário do Senado, seguirá diretamente para a Câmara dos Deputados.
Discussão paralela na Câmara
Paralelamente, a Câmara dos Deputados analisa um outro projeto relacionado à reciprocidade em relação a acordos internacionais. A proposta busca garantir que o Brasil não assine tratados que possam restringir suas exportações sem que os demais países signatários adotem medidas ambientais equivalentes. A matéria tramita em regime de urgência desde novembro do ano passado e tem como relator o deputado Nilto Tatto (PT-SP).
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Vendas de máquinas agrícolas e industriais caem em 2026 e acendem alerta no setor, aponta Abimaq
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos iniciou 2026 sob pressão. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostram retração nas vendas em março e no acumulado do primeiro trimestre, refletindo um ambiente de demanda mais fraca e maior concorrência com produtos importados.
O faturamento do setor somou R$ 23,8 bilhões em março, queda de 3,4% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do trimestre, a receita líquida alcançou R$ 61,7 bilhões, recuo expressivo de 11% frente aos três primeiros meses do ano anterior.
Mercado interno recua e importações avançam
O desempenho negativo foi puxado principalmente pela queda nas vendas no mercado doméstico. A receita líquida interna recuou 0,9% em março e acumulou queda de 12,6% no trimestre, evidenciando a perda de ritmo da demanda nacional.
Em contrapartida, as importações de máquinas e equipamentos cresceram de forma significativa, avançando 21,4% em março e 4,2% no acumulado do trimestre. O aumento reforça a competitividade dos produtos estrangeiros no mercado brasileiro e pressiona ainda mais a indústria local.
Exportações mostram resiliência, mas com sinais de desaceleração
No mercado externo, o desempenho foi mais estável. As exportações somaram US$ 1,03 bilhão em março, praticamente estáveis na comparação anual. No acumulado do trimestre, houve crescimento de 7,5%, atingindo US$ 2,9 bilhões.
Os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações brasileiras do setor. As vendas para o país totalizaram US$ 709 milhões no trimestre, acima dos US$ 631 milhões registrados no mesmo período de 2025.
No entanto, na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve retração de 10,5% nas exportações para o mercado norte-americano. O recuo foi puxado por quedas em segmentos relevantes, como máquinas agrícolas (-32%), componentes (-16%) e equipamentos para logística e construção civil (-13,5%).
Com isso, a participação dos Estados Unidos nas exportações do setor ficou em 24,3% no primeiro trimestre, abaixo do pico de 29,3% registrado em 2023, embora ligeiramente acima dos 23,3% observados em 2025.
Capacidade instalada sobe, mas pedidos indicam fraqueza
A utilização da capacidade instalada da indústria atingiu 79,9% em março, acima dos 77,6% registrados no mesmo mês de 2025, indicando melhora operacional.
Por outro lado, a carteira de pedidos, importante indicador de demanda futura, apresenta sinais de enfraquecimento. Em março, houve leve alta frente a fevereiro, com 9 semanas de pedidos, mas ainda assim queda de 1,5% na comparação anual.
No acumulado do trimestre, a retração foi de 5,2%, reforçando a perspectiva de um ano mais desafiador para o setor.
Perspectivas para 2026
Segundo a Abimaq, o comportamento da carteira de pedidos indica que a indústria deve enfrentar um período de receitas mais fracas ao longo de 2026. A combinação de demanda interna desaquecida, avanço das importações e incertezas no mercado externo compõe um cenário de cautela.
Para o agronegócio, o desempenho do setor de máquinas é um termômetro importante, já que reflete diretamente o nível de investimento no campo. A evolução desse mercado será decisiva para medir o ritmo de modernização e expansão da produção agrícola nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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