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Soja inicia 2026 com preços em queda e ritmo lento de comercialização

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Mercado retraído e negociações escassas

O mercado brasileiro de soja iniciou 2026 com baixo dinamismo nas negociações e retração de compradores e vendedores, reflexo da queda nos preços internos e da combinação de fatores cambiais e internacionais. Apesar do bom andamento da colheita, o início de ano mostra um cenário de menor rentabilidade e pouca liquidez no mercado físico.

Segundo analistas de mercado, o comportamento dos dois principais indicadores de preço — Chicago e o câmbio — tem sido divergente. Enquanto os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) apresentaram recuperação, o dólar perdeu força frente ao real, reduzindo a atratividade das exportações brasileiras.

Colheita avança e confirma safra recorde

No campo, os produtores priorizam as operações de colheita e manejo da safra, com bom desempenho nas principais regiões produtoras. As condições climáticas seguem estáveis, e as produtividades obtidas reforçam as projeções de que o Brasil deve colher a maior safra de soja da história, estimada em 179 milhões de toneladas.

Ainda assim, a pressão sobre os preços é evidente. Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 kg iniciou o ano a R$ 138,00 e encerrou janeiro a R$ 124,00, queda de 10,14%. Em Cascavel (PR), a desvalorização foi de 14,71%, com o preço caindo para R$ 116,00. Já em Rondonópolis (MT), a saca recuou 13%, sendo cotada a R$ 107,00. No Porto de Paranaguá (PR), referência para exportação, o preço ficou em R$ 127,00, com baixa de 9,93% no mês.

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Chicago se recupera, mas câmbio limita ganhos internos

Na Bolsa de Chicago, os contratos com vencimento em maio de 2026 registraram alta de 1,8% em janeiro, cotados a US$ 10,66 por bushel no final do mês. O avanço foi sustentado por sinais de reaproximação comercial entre China e Estados Unidos, o que pode gerar novos compromissos de compra de soja, além da desvalorização global do dólar, que torna os produtos norte-americanos mais competitivos no mercado internacional.

A falta de chuvas na Argentina, observada no fim de janeiro, também contribuiu para sustentar os preços em Chicago. No entanto, o cenário global ainda aponta para oferta abundante com a entrada da safra brasileira e boas perspectivas de produção no país vizinho.

Dólar enfraquecido pressiona o mercado doméstico

Enquanto Chicago se manteve em alta, o câmbio brasileiro seguiu o caminho oposto. O dólar comercial perdeu 5,35% frente ao real em janeiro, cotado a R$ 5,19 no fechamento do mês. Essa desvalorização reduziu os preços internos da soja e limitou a competitividade das exportações brasileiras.

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De acordo com o Banco Central do Brasil (BCB), a queda da moeda americana reflete o movimento de entrada de capitais estrangeiros em economias emergentes e o cenário internacional mais favorável ao real, sustentado por juros elevados e melhora na percepção de risco do país.

O Relatório Focus do BCB também projeta estabilidade cambial para o primeiro semestre de 2026, com o dólar oscilando entre R$ 5,10 e R$ 5,25, o que pode manter os preços da soja sob pressão no curto prazo, mesmo com o cenário externo de recuperação parcial das cotações em Chicago.

Expectativas para os próximos meses

Com a safra recorde se confirmando e o câmbio mais fraco, o mercado de soja deve permanecer com baixa liquidez nas negociações internas, até que as exportações ganhem ritmo e o mercado internacional absorva o aumento da oferta sul-americana.

Analistas acreditam que a demanda chinesa será determinante para definir o comportamento dos preços no segundo trimestre. Enquanto isso, os produtores seguem atentos às variações do dólar e às decisões de política monetária dos EUA, que continuam a influenciar os fluxos financeiros globais e o valor das commodities agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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