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Soja: mercado brasileiro se aquece enquanto Chicago recua com incertezas internacionais

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O mercado da soja no Brasil segue com movimentações distintas entre as regiões produtoras, em meio a um cenário internacional instável. Enquanto os preços na Bolsa de Chicago (CBOT) apresentam queda, os prêmios nos portos brasileiros sustentam a comercialização interna, refletindo em um ritmo mais aquecido em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Já em outras regiões, como Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, o ritmo das vendas é mais moderado, com desafios logísticos e cautela nas negociações.

Paraná: demanda externa mantém firmeza nas vendas

No Paraná, a comercialização de soja segue em ritmo firme, sustentada principalmente pela demanda externa. Em Paranaguá, a saca foi cotada a R$ 141,77 (+0,70%). Nas demais regiões, os preços oscilaram levemente: Cascavel registrou R$ 126,01 (-0,17%), Maringá R$ 126,57 (-0,51%), Ponta Grossa R$ 127,44 (-0,29%) e Pato Branco R$ 139,04 (+0,76%). No balcão, os valores em Ponta Grossa ficaram em R$ 118,00 por saca.

Rio Grande do Sul: prêmios elevados animam expectativas para nova safra

No Rio Grande do Sul, os prêmios elevados nos portos mantêm o otimismo entre os produtores. Segundo a TF Agroeconômica, os preços para pagamento em 08/08 (com entrega até 07/08) alcançaram R$ 141,80 por saca (+1,29%) no porto. No interior, os preços variaram de acordo com cada praça:

  • Cruz Alta: R$ 133,00 (pagamento 29/08)
  • Passo Fundo: R$ 132,00 (fim de agosto)
  • Ijuí: R$ 132,00 (29/08, para fábrica)
  • Santa Rosa / São Luiz: R$ 132,00 (11/09)
  • Panambi (preço de pedra): R$ 122,00
Santa Catarina: mercado ativo e com preços firmes

Santa Catarina também apresentou aquecimento nas negociações, impulsionado pela demanda e pelos prêmios portuários. No porto de São Francisco do Sul, a saca foi cotada a R$ 137,99. Segundo analistas, o estado acompanha o cenário nacional de comercialização fortalecida.

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Mato Grosso do Sul: ritmo lento e preços mais baixos

No Mato Grosso do Sul, a comercialização continua em ritmo lento, com poucas informações atualizadas. Segundo dados anteriores, os preços apresentaram queda de 0,62% na maioria das praças:

  • Dourados: R$ 121,27
  • Campo Grande: R$ 121,27
  • Maracaju: R$ 121,27
  • Chapadão do Sul: R$ 118,85 (-0,75%)
  • Sidrolândia: R$ 121,27
Mato Grosso: produção menor e pressão sobre logística

Apesar da previsão de queda na produção, o Mato Grosso ainda opera com ritmo de comercialização relativamente intenso. No entanto, a logística e a armazenagem já enfrentam pressão, com necessidade de escoamento imediato para evitar gargalos nos silos. As cotações seguem em alta:

  • Campo Verde: R$ 122,13 (+1,20%)
  • Lucas do Rio Verde: R$ 118,37 (+1,36%)
  • Nova Mutum: R$ 118,37 (+1,36%)
  • Primavera do Leste: R$ 122,13 (+1,20%)
  • Rondonópolis: R$ 122,13 (+1,20%)
  • Sorriso: R$ 118,37 (+1,36%)
Chicago opera com estabilidade, mas cenário internacional preocupa

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros da soja registraram leve estabilidade na manhã desta quarta-feira (6), com o contrato de setembro a US$ 9,73 e o de novembro a US$ 9,92 por bushel. O mercado aguarda o novo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para a próxima semana. As expectativas apontam para uma possível redução nas exportações dos EUA, em virtude da ausência da China nas compras.

Prêmios no Brasil compensam cautela em Chicago

Enquanto o mercado internacional segue sem grandes novidades, os prêmios nos portos brasileiros continuam em patamares elevados, contribuindo para a formação de preços mais atrativos internamente. Com isso, a comercialização da safra 2024/25 segue acelerada, com quase 1 milhão de toneladas vendidas na semana. Em contrapartida, as negociações da safra 2025/26 seguem abaixo da média dos últimos anos.

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Pressão de baixa em Chicago com temor por retração na demanda

Apesar da estabilidade na quarta, o pregão da terça-feira (5) foi de queda em Chicago, pressionado pelo temor de desaceleração da demanda global por soja e derivados. O contrato para agosto encerrou estável a US$ 969,00 por bushel, enquanto o de setembro caiu 0,41%, sendo negociado a US$ 971,25.

No mercado de derivados, o farelo de soja para agosto recuou 0,07% (US$ 273,60 por tonelada curta), e o óleo de soja teve queda de 1,21%, cotado a US$ 53,84 por libra-peso. O contrato de setembro do óleo caiu ainda mais, para US$ 1.185,40 por tonelada (-US$ 13,89).

Tensões geopolíticas e comerciais elevam a aversão ao risco

O mercado foi impactado também pelas recentes declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou aumentar substancialmente as tarifas sobre importações da Índia, maior compradora global de óleos vegetais, caso continue comprando petróleo da Rússia. A China e o Brasil também foram citados como possíveis alvos de medidas semelhantes, o que gerou instabilidade entre os agentes financeiros e abriu espaço para maior cautela nas negociações internacionais.

Enquanto o mercado internacional de soja lida com incertezas políticas e comerciais, o Brasil segue aproveitando os prêmios portuários e a demanda firme para impulsionar a comercialização da safra. A expectativa agora se volta para o novo relatório do USDA, que poderá trazer novos direcionamentos para os preços globais da oleaginosa.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Plano Safra 2026/2027: crédito rural enfrenta barreiras e exclui até 40% da agricultura familiar

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O acesso ao crédito rural no Brasil segue marcado por desigualdades estruturais que devem ganhar protagonismo nas discussões do Plano Safra 2026/2027. Levantamentos recentes indicam que até 40% dos agricultores familiares, especialmente povos indígenas e comunidades tradicionais, enfrentam dificuldades para acessar financiamento por falta de documentação e entraves burocráticos.

Crédito rural não alcança todos os produtores

Embora seja a principal política pública de financiamento do setor, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar ainda apresenta forte concentração regional e produtiva.

Na prática, produtores ligados à sociobioeconomia — como extrativistas, pescadores artesanais e sistemas agroflorestais — encontram mais obstáculos para acessar crédito, sobretudo em regiões remotas do Norte e Nordeste.

Entre os principais entraves estão:

  • Exigência de documentação, como o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF)
  • Dificuldade de atualização cadastral
  • Baixa oferta de assistência técnica qualificada
  • Limitações logísticas e acesso restrito a serviços financeiros

Esse cenário acaba excluindo uma parcela significativa de produtores que atuam em sistemas sustentáveis e de baixo impacto ambiental.

Falta de documentação é um dos principais gargalos

O Cadastro da Agricultura Familiar é requisito essencial para acessar linhas como o Pronaf e programas públicos de comercialização.

No entanto, estimativas apontam que cerca de 40% das famílias da sociobioeconomia não possuem o cadastro ativo, o que limita o acesso não apenas ao crédito, mas também a políticas como:

  • Programa Nacional de Alimentação Escolar
  • Programa de Aquisição de Alimentos
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Em regiões mais isoladas, o problema se agrava com a dificuldade de emissão de documentos, falta de internet e distância de agências bancárias.

Recursos seguem concentrados na pecuária

Outro ponto crítico é a concentração dos recursos do crédito rural. Atualmente:

  • Cerca de 70% do crédito do Pronaf está nas regiões Sul e Sudeste
  • Mais de 85% das operações estão ligadas à pecuária

Na região Norte, por exemplo, 85,4% dos recursos foram destinados à atividade pecuária em 2025, enquanto menos de 8% chegaram às cadeias da sociobioeconomia.

Entre as atividades menos financiadas estão:

  • Produção de açaí, cacau e castanha-do-Brasil
  • Óleos vegetais
  • Pesca artesanal
  • Sistemas agroflorestais

Apesar de algum avanço recente, as operações ainda se concentram fortemente em poucas cadeias — como o cacau — impulsionadas por fatores de mercado, como valorização de preços.

Plano Safra será decisivo para reequilibrar o crédito

Especialistas apontam que o Plano Safra 2026/2027 será estratégico para corrigir distorções e ampliar o acesso ao financiamento rural.

Entre as principais medidas esperadas estão:

  • Ampliação do crédito para cadeias da sociobioeconomia
  • Descentralização da emissão do CAF
  • Fortalecimento da assistência técnica no campo
  • Criação de mecanismos de garantia para cooperativas
  • Incentivos para instituições financeiras ampliarem a oferta de crédito

O objetivo é tornar o crédito mais alinhado à diversidade produtiva do país, promovendo inclusão e desenvolvimento sustentável.

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Sociobioeconomia ganha espaço como estratégia de desenvolvimento

A sociobioeconomia tem ganhado destaque como alternativa estratégica para o agronegócio brasileiro, ao combinar geração de renda com conservação ambiental.

Essas cadeias produtivas apresentam alto valor agregado e potencial de expansão, especialmente em regiões com forte presença de biodiversidade.

No entanto, a falta de acesso ao crédito ainda limita o crescimento dessas atividades, reduzindo oportunidades de desenvolvimento local e manutenção dos ecossistemas.

Tecnologia surge como aliada no acesso ao crédito

Iniciativas digitais começam a surgir como solução para reduzir barreiras. Um exemplo é o desenvolvimento de plataformas que auxiliam cooperativas e produtores na organização documental e na elaboração de projetos de financiamento.

Essas ferramentas permitem:

  • Facilitar o cadastro para acesso ao crédito
  • Organizar documentação exigida
  • Conectar produtores a instituições financeiras

A digitalização pode acelerar a inclusão financeira no campo, especialmente em regiões mais isoladas.

Desafio vai além do volume de recursos

Mais do que ampliar o volume de crédito, o principal desafio do Plano Safra está em reestruturar o modelo atual, tornando-o mais acessível, inclusivo e eficiente.

A reorientação do crédito rural é vista como essencial para:

  • Fortalecer a agricultura familiar
  • Valorizar comunidades tradicionais
  • Impulsionar cadeias sustentáveis
  • Promover desenvolvimento regional equilibrado

O sucesso dessa agenda pode redefinir o papel do crédito rural como instrumento de transformação econômica e ambiental no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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