AGRONEGOCIOS
Sojicultores e apicultores se unem em São Gabriel (RS) para fortalecer agricultura sustentável
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A convivência sustentável entre a apicultura e a sojicultura foi o tema central de um encontro técnico realizado no final de fevereiro na sede do Sindicato Rural de São Gabriel. A iniciativa, parte do projeto Mel de Florada de Soja do Pampa Gaúcho, reuniu cerca de 50 produtores para discutir práticas que promovem sustentabilidade, produtividade e proteção das abelhas.
Capacitação técnica e atividades práticas no campo
O evento contou com especialistas renomados, como:
- Décio Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja
- Maria Eduarda Carneiro, representante do Sou Polinizado
- Hamilton Humberto Ramos, diretor do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico de Campinas
- Antônio Loures Júnior, da AgSafe
- Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade da BASF Soluções para Agricultura
Os participantes participaram de módulos sobre comunicação no campo, boas práticas agrícolas, manejo apícola, tecnologia de aplicação e segurança no uso de defensivos. Produtores de soja receberam orientações sobre aplicação responsável de defensivos e proteção de polinizadores, enquanto apicultores focaram em manejo, rentabilidade e qualidade do mel.
Integração gera produtividade e benefícios econômicos
Segundo Maurício do Carmo Fernandes, o projeto cria uma relação de ganha-ganha entre produtores e apicultores: “Com ferramentas digitais, o sojicultor informa suas aplicações de defensivos, permitindo que o apicultor proteja suas colmeias. O resultado é mais mel para o apicultor e maior produtividade para o agricultor por meio da polinização das flores.”
Décio Gazzoni reforça os resultados: “Na soja, temos observado aumento médio de 10% a 20% na produtividade. Na apicultura, enquanto a média brasileira é de 19 quilos de mel por caixa por ano, os produtores do projeto chegam a 120 a 130 quilos, metade durante a floração da soja. É um ganho espetacular.”
O apicultor Aldo dos Santos destaca ainda a qualidade do mel: “O mel da florada da soja tem coloração clara, sabor delicado, aroma floral e baixa cristalização, ideal para envase e consumo.”
Sustentabilidade e boas práticas no campo
Além das capacitações, o projeto inclui ações de fortalecimento da pastagem apícola, adoção de práticas agrícolas responsáveis e plantio de árvores nativas proporcional à produção de mel de florada da soja.
A iniciativa segue a cartilha Boas Práticas para Integração entre Apicultura e Sojicultura, desenvolvida em parceria com Senar e Embrapa, consolidando recomendações validadas ao longo de diferentes safras.
O projeto reforça o compromisso da BASF de promover alta produtividade agrícola aliada à proteção da biodiversidade, beneficiando produtores, apicultores, comunidades e o meio ambiente.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Chuva falha no Centro-Oeste e sobra no Sul na largada da safra
Outubro começa com risco de replantio da soja no Centro-Oeste e de paralisação das máquinas no Sul. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuva abaixo da média em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul pode receber até 200 milímetros acima do normal em algumas áreas.
O contraste ocorre no início do plantio da safra 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 366,6 milhões de toneladas de grãos. A soja deverá ocupar 49,3 milhões de hectares, mas a semeadura ainda ocorre de forma pontual nas áreas de sequeiro de Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e no Paraná, as condições permitiram o início dos trabalhos.
O maior risco no Centro-Oeste não é apenas o atraso do plantio. O Inmet alerta que chuvas isoladas, seguidas por períodos secos, podem provocar germinação irregular, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio. Em Goiás e no Distrito Federal, as temperaturas podem superar em mais de 2°C a média histórica de outubro, acelerando a perda de água do solo.
A decisão de esperar pela regularização das chuvas também afeta o milho segunda safra. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, menor será a janela para implantar o cereal dentro do período de menor risco climático.
No Matopiba, formado por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão também é desfavorável. As precipitações de setembro aliviaram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recompor a umidade do solo na maioria das áreas de sequeiro. O plantio de soja e milho deverá depender de chuvas mais regulares.
Em Mato Grosso do Sul, a condição tende a ser melhor, principalmente no sudoeste e no leste do Estado. Mesmo assim, o centro-norte e o Pantanal podem receber chuva abaixo da média, o que exige atenção antes da entrada das semeadoras.
No Sul, o excesso de umidade cria o problema inverso. A chuva pode reduzir as janelas para o preparo do solo e o plantio de soja, milho e arroz. No Rio Grande do Sul, o acumulado de outubro pode ficar aproximadamente 75 milímetros acima da média e alcançar excesso de até 200 milímetros no oeste do Estado.
O trigo é a cultura mais exposta neste momento. Parte das lavouras está em fases críticas de desenvolvimento ou de colheita. A combinação de chuva frequente e calor favorece doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares, além de aumentar o risco de perda de qualidade e germinação do grão ainda na espiga.
Em São Paulo, a chuva tende a favorecer o plantio da soja e o desenvolvimento da cana-de-açúcar, das pastagens e das hortaliças. Minas Gerais e Espírito Santo, porém, devem enfrentar precipitações irregulares e temperaturas elevadas. Para o café, a condição pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos.
A previsão é influenciada pelo El Niño, que tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O fenômeno ajuda a explicar a tendência de seca no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul, mas não determina sozinho o volume que cairá em cada propriedade.
Para o produtor, a recomendação prática é não definir a semeadura apenas pela ocorrência de uma chuva. No Centro-Oeste, será necessário conferir se existe umidade suficiente no perfil do solo para sustentar a emergência das plantas. No Sul, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo seco sem entrar com máquinas em áreas encharcadas.
Fonte: Pensar Agro



