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Soluções biológicas ganham destaque na recuperação de pastagens degradadas no Brasil
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Um levantamento recente da Embrapa revelou que o Brasil possui aproximadamente 28 milhões de hectares de pastagens cultivadas em estágios intermediários ou severos de degradação, com potencial para conversão em áreas agrícolas. Se destinadas ao cultivo de grãos, essas terras representariam um acréscimo de cerca de 35% na área total plantada em comparação com a safra 2022/23, que somou 74,3 milhões de hectares, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Diante desse cenário, especialistas reforçam a necessidade de conscientizar os produtores rurais e demais agentes da cadeia agropecuária sobre a importância da preservação do solo, considerado o principal recurso produtivo do setor. “Um solo de boa qualidade apresenta altos níveis de carbono e biodiversidade, favorecendo processos essenciais como a ciclagem de nutrientes, a infiltração de água e a supressão natural de pragas e doenças”, explica Fernando Bonafé Sei, gerente de serviços técnicos para a América Latina da Novonesis, líder global em biossoluções.
O manejo sustentável do solo vem se consolidando como uma estratégia eficaz, impulsionado por estudos e tecnologias baseadas em insumos biológicos. Entre as alternativas destacam-se inoculantes, promotores de crescimento, biofertilizantes e agentes de controle biológico de pragas e doenças. “Essas ferramentas podem ser determinantes na recuperação da terra”, observa Bonafé Sei.
Um dos principais destaques entre essas soluções é a fixação biológica de nitrogênio (FBN), tecnologia considerada ambientalmente segura e economicamente vantajosa por reduzir a necessidade de fertilizantes sintéticos, responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa. “Por serem tecnologias renováveis e não poluentes, elas favorecem o equilíbrio da biodiversidade do solo, controlando a presença de organismos benéficos e nocivos, promovendo a reciclagem de nutrientes e aumentando a produtividade das lavouras”, complementa o especialista.
A adoção de insumos biológicos, segundo ele, potencializa a ação de microrganismos benéficos, estabilizando o solo e aumentando sua capacidade de sustentar o desenvolvimento das plantas, o que se traduz em ganhos expressivos de produtividade. Dados da Embrapa indicam que o uso desses insumos pode elevar a produtividade da soja em até 8%. “Os benefícios, naturalmente, variam conforme as condições regionais, tipo de solo, clima e nível tecnológico adotado. No Brasil, estima-se que mais de 130 milhões de doses de inoculantes sejam aplicadas anualmente nas lavouras, contribuindo para a conservação dos recursos naturais e o avanço da produção agrícola”, destaca.
Indicadores de qualidade do solo
A saúde do solo é medida a partir de indicadores físicos, químicos e biológicos. Entre os parâmetros físicos, estão a porosidade, a densidade aparente e a resistência à penetração. Já os indicadores químicos incluem a capacidade de troca de cátions (CTC), acidez (pH), teores de alumínio e disponibilidade de nutrientes como fósforo e potássio. No âmbito biológico, são avaliados fatores como a presença de macrofauna, a atividade microbiana, o teor de matéria orgânica e a análise BioAS (Bioanálise do Solo). Uma avaliação integrada desses indicadores permite compreender os efeitos das práticas de manejo sobre a saúde e o potencial produtivo do solo.
Panorama das áreas degradadas
Segundo a Embrapa, dos 28 milhões de hectares de pastagens degradadas no país, cerca de 10,5 milhões apresentam degradação severa, enquanto 17,5 milhões estão em estágio intermediário — ambas com alto potencial de conversão para a agricultura. Os estados com as maiores áreas de pastagens degradadas são: Mato Grosso (5,1 milhões de hectares), Goiás (4,7 milhões), Mato Grosso do Sul (4,3 milhões), Minas Gerais (4,0 milhões) e Pará (2,1 milhões).
Esses dados reforçam a urgência em adotar tecnologias regenerativas que promovam a recuperação do solo e impulsionem a sustentabilidade do agronegócio nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Queijo de cabra de Barbacena (MG) conquista Super Ouro no Festival do Queijo Artesanal de Minas 2026
Barbacena (MG) celebra destaque nacional na produção de queijos artesanais
O queijo maturado de leite de cabra meia cura com sabor defumado, produzido pelo laticínio Caprikil, de Barbacena (MG), foi um dos grandes vencedores do Festival do Queijo Artesanal de Minas 2026 ao receber a distinção Super Ouro.
Entre os 22 queijos que alcançaram nota máxima (100 pontos) e foram considerados sem defeitos pelos jurados, apenas dez conquistaram o título especial. A produção mineira estreou no concurso já entre os destaques, consolidando reconhecimento imediato no cenário da queijaria artesanal.
Da criação de cabras à produção premiada
A história da Caprikil começou de forma inesperada em 2022, quando a produtora Ádila Gomes iniciou a criação de cabras com o objetivo inicial de comercializar leite como alternativa de renda rural.
O plano mudou quando o transporte do leite deixou de atender a propriedade, dificultando o escoamento da produção. Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de transformar o leite em queijo.
Uma mensagem recebida por uma rede social de um restaurante de Barbacena acabou sendo o ponto de virada. Sem experiência prévia na área, Ádila decidiu apostar na produção artesanal, buscou capacitação e realizou cursos especializados em queijos de leite de cabra, iniciando uma nova fase do negócio.
Assistência técnica fortalece gestão e produção rural
Desde setembro de 2025, a queijaria passou a integrar o programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), executado pelo Sistema Faemg Senar em parceria com o Sindicato Rural de Barbacena.
A técnica de campo Letícia Campos acompanha a propriedade e atua em áreas como manejo do rebanho, higiene, processos produtivos e gestão empresarial.
Segundo ela, um dos principais desafios iniciais foi a ausência de controle gerencial e produtivo estruturado. Com o acompanhamento técnico, a propriedade avançou na organização interna e ampliou o número de produtos registrados no Serviço de Inspeção Municipal (SIM): de um para quatro itens certificados, com mais um em fase de regularização.
Produção cresce com foco em qualidade e gestão profissional
Atualmente, a Caprikil processa cerca de 600 litros de leite de cabra por mês, resultando em aproximadamente 70 quilos de queijos artesanais mensais.
O destaque da produção é o queijo tipo boursin, de origem francesa, reconhecido pela textura cremosa e sabor suave. Já o queijo meia cura defumado foi o produto premiado com o Super Ouro no festival.
Para a equipe técnica, o diferencial da propriedade está na combinação entre técnica e gestão. A produção de queijos de cabra ainda enfrenta resistência no mercado, mas o trabalho de qualificação tem elevado o padrão dos produtos e ampliado a aceitação do consumidor.
Gestão profissional e expansão do laticínio
Com o suporte técnico, a propriedade passou a adotar indicadores de produção e planejamento estratégico, permitindo decisões mais estruturadas sobre investimentos e expansão.
A produtora Ádila Gomes destaca que a atividade passou a ser tratada como uma empresa rural, sem perder o caráter artesanal da produção.
A expectativa agora é expandir o laticínio, diversificar a linha de produtos derivados do leite de cabra e fortalecer a presença no mercado, mantendo o foco na qualidade e na identidade artesanal que garantiu o reconhecimento no Festival do Queijo Artesanal de Minas 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio

