CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

AGRONEGOCIOS

Tecnologia e boas práticas fortalecem cultivo da pitaya no Distrito Federal

Publicados

AGRONEGOCIOS

O cultivo da pitaya no Distrito Federal ganhou impulso com o Dia de Campo promovido pela Embrapa Cerrados e Emater-DF, realizado na última quarta-feira (28) na Unidade de Apoio da Fruticultura da Embrapa Cerrados. Cerca de 50 fruticultores, além de técnicos e extensionistas, participaram do evento focado em cultivares geneticamente superiores e boas práticas agrícolas.

Produtores interessados e motivados

O encontro chamou a atenção de produtores que buscam diversificar a produção. Maristela Soeira, uma das participantes, destacou o aprendizado: “O que aprendi aqui hoje vou aplicar com certeza. Vou me tornar uma produtora de pitaya”. Ela revelou ter tentado cultivar a fruta anteriormente, sem sucesso, mas agora está confiante para recomeçar. Outra produtora, Norma Fernandes, celebrou a oportunidade inédita de participar do evento. “Vou levar daqui muito conhecimento e espero voltar outras vezes. Além disso, isso faz bem para a minha saúde mental”, afirmou.

Novas cultivares e versatilidade da pitaya

Na programação, Fábio Faleiro, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, apresentou as novas cultivares desenvolvidas pela instituição: BRS Lua do Cerrado, BRS Luz do Cerrado, BRS Granada do Cerrado, BRS Minipitaya do Cerrado e BRS Âmbar do Cerrado. Ele também destacou as boas práticas recomendadas para o manejo da pitaya e a versatilidade da fruta na culinária, divulgando a publicação “Pitaya: uma alternativa frutífera” e o livro “Pitaya: 200 formas de utilização em receitas doces e salgadas”.

Leia Também:  Café do Sul de Minas: Conab projeta safra recorde e clima reforça foco na eficiência hídrica
Visita técnica e recomendações de cultivo

Na segunda etapa do evento, os participantes visitaram a Unidade Experimental das Pitayas, guiados por Geovane de Andrade, técnico da Embrapa Cerrados, e Felipe Cardoso, extensionista da Emater-DF. Foram abordados temas como preparo do solo, plantio, espaldeiramento, controle de plantas invasoras, adubação, irrigação, colheita e tipos de poda indicados para a cultura. O material propagativo utilizado nas demonstrações foi destinado à Emater-DF para instalação de novas unidades demonstrativas na região.

Crescimento do cultivo no DF graças à parceria

Felipe Cardoso ressaltou os resultados da parceria entre Embrapa e Emater-DF para promover a pitaya no Distrito Federal. Um marco importante foi a criação de uma unidade de validação na feira AgroBrasília, que oferece oficinas anuais de poda. “A cada oficina, os produtores aprendiam sobre novas variedades e técnicas, e muitos levavam cladódios para iniciar suas plantações”, explicou. O número de produtores saltou de quatro para 103, com área plantada que já chega a 35 hectares no DF.

Capacitação online para interessados

Para ampliar o conhecimento, a Embrapa Cerrados oferece gratuitamente, pela plataforma e-Campo, o minicurso online “Fruticultura Tropical – Pitayas: melhoramento genético e sistemas de produção”. Com carga horária de seis horas, o curso aborda cultivares, melhoramento genético, sistemas de produção e boas práticas agrícolas, podendo ser realizado a qualquer momento, com certificação pela Embrapa.

Leia Também:  Incêndios em propriedades rurais: como produtores podem se proteger de prejuízos e evitar responsabilizações legais

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Propaganda

AGRONEGOCIOS

Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

Publicados

em

A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

Leia Também:  illycaffè anuncia finalistas do Prêmio Internacional de Café Ernesto Illy 2025 com três produtores brasileiros

Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

Leia Também:  Café do Sul de Minas: Conab projeta safra recorde e clima reforça foco na eficiência hídrica

A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA