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USDA-WASDE 2025/26: Expectativas para Soja, Milho, Trigo e Algodão no Mercado Global

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O mais recente relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado em agosto de 2025, trouxe uma análise detalhada sobre o balanço de oferta e demanda de grãos e algodão para a safra 2025/26. As projeções indicam impactos relevantes nos mercados globais de soja, milho, trigo e algodão.

Soja: Produção Global Cresce, Mas EUA e Argentina Sofrem Redução

A produção mundial de soja deve alcançar 426 milhões de toneladas (MMt), um aumento de 1% em relação à safra anterior. Entre os principais produtores, o cenário se mostra desigual:

  • Brasil: previsão de crescimento de 4%, chegando a 175 MMt.
  • Estados Unidos: redução de 2% na produção, totalizando 117 MMt, com queda nos estoques finais de 8,4 para 7,9 MMt.
  • Argentina: produção projetada em declínio de 5%.
  • China: mantém suas importações estáveis em 112 MMt.

O estoque global de soja foi revisado para 125 MMt, levemente abaixo das estimativas anteriores.

Milho: Produção Americana Impulsiona Mercado Global

O milho apresenta crescimento global de 5%, com produção estimada em 1.289 MMt. A alta é majoritariamente puxada pelos Estados Unidos, com produção projetada em 425 MMt, um aumento de 13%. Outros destaques:

  • Ucrânia: aumento de 19%, chegando a 32 MMt.
  • Brasil e União Europeia: pequenas quedas na produção, de 1% e 2%, respectivamente.
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Mesmo com variações regionais, o estoque final global foi revisado para 283 MMt, indicando um cenário de oferta confortável.

Trigo: Estoques Mundiais Sofrem Pressão

A produção global de trigo deve atingir 807 MMt, representando aumento de 1%. Entre os principais países produtores:

  • União Europeia e Argentina: crescimento significativo, de 13% e 6%, respectivamente.
  • Brasil: redução de 5% na produção, totalizando 8 MMt.

O relatório aponta queda nos estoques finais mundiais de trigo, de 262 para 260 MMt, e redução nos estoques dos EUA, de 24,2 para 23,6 MMt. As exportações russas permanecem estáveis em 46 MMt.

Algodão: Produção Global em Retração, Brasil se Destaca

Para o algodão, a previsão é de queda de 2% na produção global, totalizando 25,4 MMt. Destaques regionais:

  • Estados Unidos: redução de 8%, para 2,9 MMt.
  • Índia e China: também projetam recuo nas safras.
  • Brasil: crescimento de 7%, atingindo 4,0 MMt.

O estoque final global de algodão foi ajustado para baixo, de 16,8 para 16,1 MMt, refletindo a menor produção em países-chave.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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