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Vinícola mineira alia tradição italiana e inovação técnica para fortalecer a vitivinicultura sustentável em Andradas
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Tradição e inovação impulsionam o vinho mineiro
Entre as montanhas de Andradas, no Sul de Minas Gerais, a Vinícola Stella Valentino se tornou um exemplo de como tradição, ciência e empreendedorismo podem caminhar juntos. Liderada pelo agrônomo José Procópio Stella, o empreendimento combina a herança de uma família italiana centenária com técnicas modernas de produção e uma visão sustentável de mercado.
Com formação técnica e vivência entre as parreiras plantadas pelos antepassados, Stella transformou o antigo consumo doméstico de vinho em um negócio estruturado e inovador. O projeto une manejo de precisão, pesquisa aplicada e foco na experiência do visitante, consolidando a marca como referência na vitivinicultura mineira.
Herança italiana e raízes mineiras
A trajetória da família Stella começou em 1888, quando imigrantes vindos do Vêneto, no norte da Itália, se estabeleceram em Andradas. Inicialmente dedicados ao café, passaram também a cultivar uvas e produzir vinho artesanal para consumo próprio.
Durante o século XX, a produção de uvas na região oscilou com as transformações econômicas e tecnológicas, mas nunca deixou de fazer parte da rotina familiar. Ao retornar à propriedade no início dos anos 2000, José Procópio encontrou solo fértil e memória produtiva preservada. A partir daí, iniciou uma nova fase da vinícola, respeitando a tradição italiana e agregando inovação sem perder a identidade regional.
Produção com método e identidade
Um dos diferenciais da Stella Valentino é o uso pioneiro da técnica da dupla poda, desenvolvida pelo pesquisador Murilo Regina, da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais). O método inverte o ciclo da videira, permitindo a colheita no inverno — época mais seca e propícia para maturação das uvas.
Essa técnica garante maior sanidade dos cachos e qualidade no vinho, reduzindo riscos climáticos e fortalecendo a consistência da produção. A seleção de variedades e o controle rigoroso da colheita transformam o vinhedo em parte estratégica do negócio.
Na vinificação, cada rótulo é tratado como um projeto técnico exclusivo, com ajustes de temperatura, leveduras e maturação para alcançar o perfil desejado. Com produção anual entre 15 mil e 18 mil garrafas, a vinícola mantém caráter familiar e aposta em consistência e qualidade.
Terroir mineiro reconhecido em premiações
O terroir do Sul de Minas — marcado por solo vulcânico, altitude e alta incidência solar — tem contribuído para vinhos equilibrados e expressivos, o que já rendeu prêmios à Stella Valentino.
O Tempranillo 2022 conquistou o título de campeão da categoria no All The Best – Grande Prova de Vinhos do Brasil 2025, com 93 pontos e medalha Duplo Ouro. Já o Tempranillo Gran Reserva 2023 foi agraciado com medalha de Ouro no Brasil Selection 2025, etapa brasileira do Concours Mondial de Bruxelles.
Esses reconhecimentos reforçam o potencial da vitivinicultura mineira quando aliada à pesquisa e à valorização do território. “O reconhecimento é consequência de um trabalho que começa no campo e respeita o tempo do vinho”, destaca o produtor.
Enoturismo fortalece o negócio
Compreendendo os desafios do mercado de vinhos finos e os altos custos de produção, a Stella Valentino adotou o enoturismo como estratégia central. A vinícola recebe cerca de 600 visitantes por mês, que participam de degustações orientadas e conhecem de perto o processo produtivo.
A venda direta e a experiência no local agregam valor à marca e estreitam o relacionamento com o público. Para 2026, o plano é inaugurar um wine bar e continuar investindo em variedades mais resistentes e acessíveis, ampliando o alcance dos vinhos mineiros. “Se conseguirmos unir qualidade e preço justo, o mercado cresce junto”, afirma Stella.
Sustentabilidade como princípio
A vinícola também se destaca pelo compromisso ambiental. Detentora do Selo Pró-Ambiente ESG, a Stella Valentino adota práticas sustentáveis, como o reaproveitamento de resíduos da vinificação e o reflorestamento de áreas da propriedade. A gestão responsável dos recursos naturais faz parte da filosofia que orienta toda a produção.
Parcerias fortalecem o setor
A iniciativa integra ações do Sebrae Minas, que apoia vinícolas familiares e pequenos produtores do agronegócio com capacitações e incentivo à inovação. A parceria ajuda a ampliar o acesso a novos mercados e eventos estratégicos, como o Origem Vulcânica, que valoriza o terroir do Sul de Minas e promove o enoturismo na região.
“O apoio do Sebrae Minas amplia nossa visibilidade e nos conecta a consumidores que valorizam o vinho mineiro de qualidade”, ressalta o produtor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil e Guatemala fortalecem parceria agropecuária ao celebrarem 50 anos de cooperação
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala (MAGA) assinaram, nesta quarta-feira (3), na Cidade da Guatemala, um Memorando de Entendimento (MoU) para fortalecer a cooperação bilateral em áreas estratégicas para o desenvolvimento agropecuário.
A assinatura do documento marca os 50 anos de cooperação entre Brasil e Guatemala e amplia a atuação conjunta em temas como pesquisa agropecuária, inovação tecnológica, sanidade animal e vegetal, recursos genéticos, bioinsumos, agricultura regenerativa, recuperação de solos, capacitação técnica, promoção de investimentos e facilitação do comércio agropecuário.
A agenda integra a missão oficial do Mapa à América Central, liderada pelo secretário-executivo, Cleber Soares, e também representa a retribuição da visita realizada recentemente pela ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala, María Fernanda Rivera Dávila, ao Brasil. Na ocasião, foram fortalecidos os entendimentos bilaterais e avançadas pautas de interesse comum, incluindo a habilitação de seis plantas frigoríficas brasileiras de carne bovina para exportação ao mercado guatemalteco.
Durante a reunião bilateral, as delegações identificaram oportunidades para ampliar a cooperação entre instituições brasileiras e guatemaltecas, com destaque para o intercâmbio de conhecimentos em manejo sustentável de solos, bioinsumos, agricultura resiliente às mudanças climáticas, monitoramento agroclimático e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade agrícola.
O Memorando de Entendimento também prevê a criação de mecanismos permanentes de coordenação entre os ministérios, incluindo grupo de trabalho conjunto, intercâmbio de especialistas, realização de missões técnicas, capacitações e desenvolvimento de projetos de interesse comum.
A Guatemala manifestou interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil em áreas como o melhoramento genético de pescado e de bovinos, com o objetivo de promover o desenvolvimento da pecuária e ampliar a transferência de tecnologia. Durante as discussões, o governo guatemalteco reconheceu a experiência brasileira como referência internacional em inovação agropecuária e solicitou apoio para ações voltadas ao aprimoramento genético e ao fortalecimento do rebanho bovino do país.
As delegações também discutiram temas relacionados à ampliação do comércio agropecuário bilateral, incluindo avanços em processos sanitários para produtos de origem animal e oportunidades para fortalecer as relações comerciais entre os dois países.
A programação incluiu ainda uma reunião estratégica no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), na Cidade da Guatemala. Durante o encontro, foram discutidas oportunidades de cooperação regional em temas como bioinsumos, cafeicultura, agricultura sustentável, adaptação às mudanças climáticas, genética animal e fortalecimento institucional.
As discussões ampliaram as perspectivas de atuação conjunta entre Brasil, Guatemala e organismos internacionais para o desenvolvimento de iniciativas voltadas à inovação, à sustentabilidade e ao fortalecimento da agricultura na região.
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