BRASIL
Aprendizagem profissional bate recorde histórico com mais de 664 mil jovens contratados em 2025
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O número de jovens entre 14 e 24 anos que ingressam no mercado de trabalho por meio da Lei da Aprendizagem tem crescido de forma consistente. Somente em maio de 2025, foram registrados 8.170 novos contratos de aprendizagem profissional. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o saldo já soma 65.414 jovens contratados. Com isso, o total de contratos ativos alcançou um novo recorde histórico: 664.313 aprendizes com carteira assinada, em processo de qualificação profissional e com a continuidade dos estudos garantida.
Os dados são do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), responsável pela fiscalização do cumprimento da Lei da Aprendizagem (Lei nº 10.097/2000). O saldo leva em conta a diferença entre admissões e desligamentos no período.
Para Magno Lavigne, secretário de Qualificação, Emprego e Renda do MTE, a falta de experiência ainda é uma das principais barreiras enfrentadas pelos jovens que buscam o primeiro emprego. Ele ressalta que a aprendizagem profissional é a forma mais eficaz de inserção no mercado, pois alia experiência prática, formação técnica, direitos trabalhistas garantidos e acompanhamento psicossocial — tudo isso sem que o jovem precise abrir mão dos estudos.
“A aprendizagem é a principal política do governo federal voltada à empregabilidade da juventude, pois oferece uma entrada digna e estruturada no mundo do trabalho”, afirma o secretário.
Na comparação entre os períodos de janeiro a maio, o número de novos aprendizes cresceu 9,68% em 2025: foram 65.414 contratos assinados neste ano, contra 59.642 no mesmo período de 2024. No acumulado do ano, a indústria lidera as contratações, com 33.685 aprendizes, seguida pelos setores de serviços (13.803), comércio (11.160), construção civil (5.786) e agropecuária (980). Entre os jovens contratados, 50,46% são homens e 73,25% estão cursando o ensino médio.
Quem pode ser aprendiz
Para participar da aprendizagem profissional, é necessário ter entre 14 e 24 anos, estar matriculado e frequentando a escola, além de estar inscrito em um curso de formação técnico-profissional. A jornada de trabalho é reduzida e deve ser compatível com os horários de estudo.
O aprendiz tem garantidos diversos direitos trabalhistas, como registro em carteira, salário mínimo-hora, 13º salário, férias (preferencialmente durante o período escolar), vale-transporte e depósito do FGTS com alíquota reduzida de 2%.
Quem deve contratar
A contratação de aprendizes é obrigatória para empresas de médio e grande porte que tenham, no mínimo, sete empregados em funções que demandam formação profissional. A cota legal varia entre 5% e 15% do total desses cargos.
Consulte as entidades formadoras disponíveis na sua cidade: Microsoft Power BI
Acesse o Manual da Aprendizagem: manual-da-aprendizagem-profissional.pdf
BRASIL
Ministro Luiz Marinho defende a redução de jornada e o fim da escala 6×1 em Audiência Pública na Câmara
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou nesta quarta-feira (6), da primeira Audiência Pública na Comissão Especial da Câmara dos Deputados que discute a PEC 221/2019 que analisa a redução da jornada de trabalho e o fim da jornada 6×1 no Brasil
O ministro falou aos deputados e as entidades presentes na Audiência Pública da importância da aprovação da PEC de redução de jornada encaminhada pelo governo, com urgência constitucional, que estipula uma redução para 40 horas semanais e com dois dias de folga remunerados. A proposta do governo é de implementação imediata. A mudança, segundo o ministro, vai gerar mais produtividade, redução do absenteísmo e melhora no ambiente de trabalho.
“Já poderíamos estar trabalhando há muitos anos com jornada de 40 horas semanais”, afirmou o ministro, lembrando que a proposta de redução já ocorreu anteriormente, mas acabou não sendo aceita pelas entidades na época por ser uma proposta fracionada. “Foi um erro, não aceitamos a proposta fracionada e nem conseguimos garantir de forma imediata, ou seja, ficamos sem nada. Já poderíamos estar com a redução da jornada de 40 horas há muitos anos”, lembrou.
Vantagens
Durante sua palestra “Diagnósticos sobre o uso do tempo para o trabalho”, o ministro pontuou as vantagens da redução da jornada, que como salientou, “já é realidade em quase todos os países. A jornada 5×2 é a regra, a 6×1 é a exceção. A maioria dos países já não mais utiliza a jornada de 44 horas”, disse.
Para Luiz Marinho, o parlamento precisa estar em sintonia com a sociedade, “que clama pelo fim da jornada 6×1”. Ele citou experiências práticas em empresas que adotaram a escala 5×2 e obtiveram aumento de desempenho e redução de faltas. O diagnóstico produzido pelo Ministério, explicou o ministro, demonstra que a proposta é economicamente viável e necessária para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora brasileira”.
A discussão sobre jornada, avaliou, não pode ser limitada apenas ao impacto direto na folha salarial. “Existem custos invisíveis relacionados ao adoecimento físico e mental dos trabalhadores, ao absenteísmo, à rotatividade e aos acidentes de trabalho. A discussão da regulamentação deve ser construída em conjunto com negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores, respeitando especificidades de cada setor”, avaliou.
Luiz Marinho também comentou sobre uma compensação pedida por empregadores de algumas frentes do setor produtivo, que desejam desonerações para compensar a redução da jornada. “O fim da escala 6×1 será compensada pelo ganho no ambiente do trabalho. Ela é compensada pelo ganho de melhoria da qualidade e da produtividade. É comprovado que quando você reduz a jornada, você elimina absenteísmo, evita acidentes, evita doenças. Tem um custo oculto aqui que os empregadores estão carregando. Eles vão eliminar esse custo oculto e essa é a compensação”, afirmou.
O diretor da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, Vinícius Carvalho, pontuou posicionamentos da OIT a favor da redução da jornada, que segundo afirmou está associada a melhores indicadores de saúde e produtividade dos trabalhadores. “Há um esforço de todos os países de redução gradual da jornada, seguindo as convenções da OIT. É preciso ressaltar aqui que 745 mil das mortes por ano no mundo estão relacionadas ao excesso de trabalho, principalmente AVC e doenças cardíacas”, lembrou.
Para o deputado Pedro Uczai (PT-SC), líder da bancada, a redução da jornada precisa ser implementada de imediato, sem transição “O povo quer ver o cansaço e o adoecimento resolvidos agora. Não é sensato adiar uma resposta para 71% dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.
Presente na Audiência a vice-procuradora-geral do Ministério Público do Trabalho, Tereza Cristina Basto, afirmou que “o fim da escala 6×1 promove o trabalho decente e contribui para a construção de um meio ambiente de trabalho seguro, a redução de irregularidades trabalhistas e o fortalecimento das relações coletivas de trabalho”.
As audiências na Comissão Especial que discute a PEC continuam por todo o mês, com votação do relatório previsto para o dia 26 de maio.
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