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Brasil compartilha modelo de enfrentamento ao tráfico de pessoas em missão técnica em Moçambique
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Maputo, 03/06/2025 – Mais de 30% do fluxo transnacional de vítimas de tráfico de pessoas ocorre na África, de acordo com o Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) de 2024, com dados de 2020 a 2023. Com o objetivo de contribuir para o enfrentamento dessa realidade, o Brasil está em uma missão técnica internacional, em Maputo, capital de Moçambique, até quinta-feira (5).
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), integra a delegação brasileira que busca o fortalecimento da cooperação bilateral no enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao contrabando de migrantes. O grupo participa de um intercâmbio de boas práticas e da construção de estratégias integradas para melhorar a resposta institucional de Moçambique frente a esses crimes transnacionais.
Ao representar o MJSP, a coordenadora-geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, Marina Bernardes, apresentou, nesta terça-feira (3), a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (PNETP) e as principais ações desenvolvidas pelo Brasil no combate ao crime. Ela também falou sobre o IV Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (2024–2028), que reforça ações de prevenção, proteção, repressão e cooperação nacional e internacional.
Marina destacou o modelo brasileiro baseado no compartilhamento de responsabilidades entre as esferas federal, estadual e municipal, além da articulação com organizações da sociedade civil e organismos internacionais. “A atuação em rede é essencial para garantir a proteção das vítimas e a responsabilização dos autores. Essa é uma prioridade do ministério no enfrentamento a crimes que violam direitos humanos fundamentais”, afirmou.
A coordenadora detalhou ainda os instrumentos normativos brasileiros, como o Decreto nº 5.948/2006, que institui a PNETP, e a Lei nº 13.344/2016, que tipifica o tráfico de pessoas. Outro destaque foi a atuação da rede de Núcleos de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e dos Postos Avançados de Atendimento Humanizado, que operam em pontos estratégicos como aeroportos e rodoviárias. Esses postos oferecem acolhimento, orientação e encaminhamento das vítimas e das potenciais vítimas.
A apresentação incluiu as explicações sobre o Sistema Nacional de Dados e Monitoramento, os avanços legislativos e administrativos recentes, como a Portaria Interministerial MJSP/MTE nº 46/2024, que regulamenta a autorização de residência a vítimas de tráfico, trabalho escravo e violações agravadas pela condição migratória.
Além do MJSP, a delegação brasileira é composta por representantes do Ministério Público Federal e do UNODC Brasil. A secretária-adjunta de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República, procuradora Stella Scampini, contribuirá com a apresentação de mecanismos de investigação e persecução penal adotados no Brasil, bem como propostas de atuação conjunta no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Missão técnica
Moçambique, pelas suas características geográficas e socioeconômicas, é país de origem, trânsito e destino tanto para vítimas de tráfico de pessoas como para migrantes objeto de contrabando. A pobreza e a falta de oportunidades facilitam o aliciamento. Além disso, sua posição no continente africano, voltado para o Oceano Índico, o insere em rotas regionais e internacionais desses crimes.
A experiência do Brasil pode contribuir com elementos do modelo apresentado a serem adaptados à realidade de Moçambique, sobretudo no que diz respeito à coordenação interinstitucional e aos fluxos de atendimento humanizado.
Durante a missão brasileira em Moçambique, estão programadas oficinas, estudos de caso e debates bilaterais entre especialistas dos dois países. A reunião começou, na segunda-feira (2) e segue até quinta-feira (5). Ao final, será apresentado um plano de ação conjunto com recomendações e metas para subsidiar a implementação da política moçambicana de combate ao tráfico de pessoas e ao contrabando de migrantes.
A missão faz parte do programa de cooperação Sul-Sul promovido pelo UNODC e conta com a presença de autoridades brasileiras e moçambicanas, além de representantes da sociedade civil. A atividade é financiada pelo governo da Noruega e fortalece os compromissos assumidos pelos dois países no âmbito do Protocolo de Palermo e da Agenda 2030 da ONU, especialmente o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, que trata da promoção da paz, da justiça e das instituições eficazes.
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Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação



