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Debate sobre IA nas políticas educacionais é foco do BRICS

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O uso da inteligência artificial (IA) nas políticas educacionais foi um dos focos dos debates do encontro do BRICS, realizado entre 2 e 7 de junho, no Brasil. O tema da educação digital tem sido uma prioridade no bloco internacional desde a Declaração de Nova Déli, em 2016, que promoveu o uso de tecnologias para melhorar o ensino, capacitar professores e fortalecer a gestão educacional. O Ministério da Educação (MEC) apresentou à delegação internacional algumas experiências bem-sucedidas no país. 

Para viabilizar uma política robusta de IA na gestão macro da educação, é imprescindível assegurar dados de qualidade, acessíveis e bem estruturados. Nesse sentido, o MEC está revisando normas de uso e reuso de dados educacionais e implementando um Data Lake. Essa iniciativa integra a construção da Plataforma Nacional de Dados da Educação, que incluirá ambientes regulatórios seguros (sandbox), modelos abertos de desenvolvimento e um marketplace acessível a redes de ensino, de modo a assegurar a proteção de dados pessoais e institucionais.  

A efetividade dessa política depende do fortalecimento do regime de colaboração entre União, estados, municípios, universidades e Institutos Federais. A articulação federativa será essencial para garantir o compartilhamento seguro de dados e fomentar um ecossistema de inovação aberto e responsável. O objetivo é possibilitar a criação de soluções de IA educacional desenvolvidas em ambientes controlados, com avaliações de risco e impacto algorítmico, garantindo que estejam a serviço da qualidade da educação, da inclusão e da justiça social.   

O MEC também está elaborando o Referencial para Uso e Desenvolvimento Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação. O documento estabelece princípios e diretrizes para orientar o uso ético, seguro e alinhado à visão educacional brasileira e contempla tanto oportunidades quanto riscos associados à adoção da IA no setor educacional. O referencial contribui com a construção de uma base orientadora de iniciativas de inovação aberta para a educação, com o desenvolvimento seguro e confiável de inteligência artificial aplicada na educação. 

Entre os princípios norteadores que o documento trará, estão: alinhamento com os objetivos educacionais; promoção da equidade e inclusão; centralidade dos educadores; ética, segurança e efetividade; transparência e explicabilidade; governança de dados voltada à confiança e à privacidade; e qualificação do processo de ensino e aprendizagem.  

Educação básicaO MEC vem debatendo o tema da inteligência artificial em todas as etapas de ensino. Na educação básica, o tema é visto sob quatro perspectivas:  

  • Incorporação nos currículos: a IA como tema de reflexão crítica e como novo elemento no desenvolvimento de competências digitais de estudantes; 
  • Competências digitais dos profissionais de educação: a necessidade de professores, coordenadores pedagógicos e gestores entenderem sobre a IA pela perspectiva crítica, para serem capazes de usar a IA de forma ética, responsável e segura; 
  • Plataformas educacionais com o uso de inteligência artificial: garantir que a adoção e uso sejam orientados por princípios éticos e pedagógicos sólidos para assegurar a contratação de ferramentas que estejam a serviço do processo educativo, com base na ciência da aprendizagem e na valorização do papel docente; 
  • Sistemas de gestão com o uso de inteligência artificial: a IA como ferramenta para apoiar processos de gestão educacional. 
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Por meio da Estratégia Nacional Escolas Conectadas (Enec), o MEC atua para promover uma educação digital e midiática que traga inclusão e prepare os estudantes para serem cidadãos digitais. A política atua em seis eixos paralelos: conectividade; dispositivos; gestão e transformação digital; currículo; formação; e recursos educacionais digitais. 

Nesse sentido, a pasta oferta diversos cursos de capacitação, a começar pela formação de gestores das secretarias de educação no tema, a partir da Especialização de Educação Digital, que se iniciou em abril desse ano, com a participação de mais de 4.700 redes municipais e estaduais. Também foram lançados cursos no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação (Avamec). Mais de 60 cursos já estão disponíveis no site do Escolas Conectadas e são orientados por blocos temáticos como letramento digital, uso pedagógico de tecnologias e inteligência artificial na educação. 

Também estão sendo produzidos materiais de apoio aos professores e estudantes. O livro de educação digital do PNLD para o Ensino Médio, que está em fase de avaliação e chega às escolas em 2026, contempla o tema. Além disso, o Referencial de Saberes Digitais Docentes do MEC também incorpora discussões sobre a IA, com uma ferramenta de autodiagnóstico para apoiar professores a identificarem seu nível de desenvolvimento. Cerca de 82 mil professores já realizaram a autoavaliação. 

Ainda estão previstos, para os próximos meses, uma formação de gestores do ensino médio que trará um módulo sobre IA e um curso de referência no tema, que será desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e resultará em um evento com especialistas. 

Por fim, um documento com orientações para avaliação e contratação de recursos educacionais digitais, que incorpora pontos de atenção em relação a plataformas que tenham ferramentas de IA embarcadas, deve ser publicado até o fim de 2025. 

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Exemplo Uma das iniciativas pioneiras do uso da IA na educação básica brasileira ocorre no Piauí, estado onde mais de 120 mil estudantes do 9º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio da rede estadual têm aulas semanais sobre o tema desde 2024. 

Segundo o secretário de Educação do Piauí, Washington Bandeira, o estado é o primeiro território das Américas reconhecido pela Unesco por implementar a IA como disciplina obrigatória no currículo da educação básica. É uma proposta robusta, que envolve desde noções introdutórias até programação em IA e aprendizado de máquina, passando pela educação midiática, formação muito importante para que nossos jovens saibam utilizar a IA sabendo o que é verdade e o que é fake. É, portanto, um projeto muito exitoso, os alunos estão gostando bastante, estão muito atraídos por essa disciplina”, explica. 

A iniciativa é executada pela secretaria estadual de Educação (Seduc-PI) em parceria com o Google for Education e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Para isso, cerca de 250 professores de diversas áreas foram capacitados para aplicar IA em sala de aula. As escolas também foram adaptadas, com laboratórios de informática, de inovação e tecnologia, onde os alunos desenvolvem projetos com impacto real na vida das comunidades. 

A aposta na tecnologia também passa pela expansão das escolas de tempo integral e pela oferta de cursos técnicos voltados para áreas estratégicas, como desenvolvimento de sistemas, programação de jogos e informática para internet. O resultado é uma nova geração de estudantes que está usando o que aprende para resolver problemas concretos — desde a inclusão de colegas com deficiência até o ensino de idiomas por meio de jogos”, detalha o secretárioexecutivo de Educação do estado, Rodrigo Torres, referindo-se a aplicativos desenvolvidos pelos estudantes durante as aulas. 

Como resultado do projeto, a rede criou um hackathon que reúne estudantes dos cursos técnicos para desenvolver soluções com IA voltadas às suas comunidades. Em 2024, 55 jovens premiados participaram de intercâmbios nos Estados Unidos e na Coreia do Sul. Este ano, o evento acontece no fim de junho e selecionará 130 estudantes para uma missão educacional por seis países. 

 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Seduc-PI 

Fonte: Ministério da Educação

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Indústria estratégica e setores afetados pela guerra no Oriente Médio poderão acessar mais R$ 15 bi do Plano Brasil Soberano

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O governo brasileiro publicou Portaria Conjunta do Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Ministério da Fazenda, nessa quarta-feira (15/4), que define os setores que poderão acessar os recursos adicionais de R$ 15 bilhões do Plano Brasil Soberano, anunciados pelo presidente Lula no mês passado.

Os critérios priorizaram indústrias de maior intensidade tecnológica e com relevância estratégica para o país, além daquelas que tiveram suas exportações afetadas por medidas tarifárias dos EUA (seção 232) e pela guerra no Oriente Médio.

Os recursos são oriundos do superavit do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e as taxas de juros dos empréstimos deverão ser definidas nesta semana em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).

“A medida fortalece cadeias estratégicas e reduz vulnerabilidades externas”, destaca o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa. “A orientação do Presidente Lula é mantermos o foco na preservação de empregos, da capacidade produtiva e da competitividade da indústria nacional, utilizando instrumentos modernos e legítimos de política industrial, alinhados às melhores práticas internacionais”.

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A MP que instituiu o programa, estabelece que os recursos podem ser usados para: capital de giro; aquisição de bens de capital ou investimentos para adaptação de atividade produtiva; investimentos para ampliar a capacidade produtiva ou o adensamento da cadeia de produção; e investimento em inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos.

Setores

De acordo com Márcio Elias Rosa, a definição dos setores de média, média-alta ou alta intensidade tecnológica, listados na portaria como elegíveis ao programa, seguiu critérios técnicos baseados na classificação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), contando com a colaboração do BNDES.

A seleção também considerou a relevância dos setores para o comércio exterior brasileiro, incluindo cadeias estratégicas e aqueles que apresentam vulnerabilidade externa, com déficit na balança comercial.

“Os critérios são objetivos e técnicos: intensidade tecnológica, relevância para o comércio exterior e papel estratégico nas cadeias produtivas. Além disso, há recorte adicional de vulnerabilidade externa”, explicou o ministro.

Entre os setores elegíveis estão: máquinas, equipamentos e setor automotivo; produtos químicos e farmacêuticos; eletrônicos e equipamentos de informática; aeronáutica e demais equipamentos de transporte; máquinas elétricas, geradores e equipamentos industriais; borracha e plásticos industriais; têxtil e cadeia de transformação associada; e minerais críticos e terras raras.

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“A inclusão de minerais críticos e terras raras reflete a centralidade desses insumos nas cadeias globais de valor — especialmente em energia, defesa, semicondutores e mobilidade elétrica”, explica Márcio Elias Rosa.

EUA e Golfo Pérsico

Nos casos de exportadores e fornecedores afetados pela Seção 232 da lei comercial dos EUA, bem como daquelas que exportam para o Golfo Pérsico, são elegíveis as empresas cujo percentual de faturamento com exportação para esses destinos e produtos tenha sido, em 12 meses, igual ou superior a 5% do faturamento total no mesmo período.

Os países do Oriente Médio definidos na portaria são: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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