BRASIL
Fórum Internacional na PRF discute a modernização do combate ao crime organizado no País
BRASIL
Brasília, 11/3/2026 – O Fórum Internacional de Policiamento Inteligente e de Centros de Fusão começou na terça-feira (10), na sede da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A iniciativa é realizada em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), e reúne outros órgãos de segurança pública. O evento segue até 13 de março.
O fórum discute novas estratégias para a segurança pública brasileira e promove um espaço de articulação entre especialistas nacionais e internacionais. O objetivo é substituir respostas isoladas por ações baseadas em inteligência e evidências. A ação busca fortalecer a capacidade do Estado de prevenir e reprimir o crime organizado, com integração entre União, estados e municípios.
Segundo o diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, José Anchieta Nery Neto, é preciso garantir que informações e dados importantes das operações não se percam.
“Neste encontro, temos uma missão: aperfeiçoar processos de trabalho e profissionalizar ainda mais a gestão da segurança pública, para garantir que as informações cheguem a quem está na ponta. O evento é oportuno porque reúne líderes do Paraguai e do Chile, além de palestrantes dos Estados Unidos e da Argentina — países que visitamos para conhecer experiências de inteligência aplicada às operações. Será uma ocasião essencial para troca de aprendizados”, afirmou o diretor.
A cerimônia de abertura contou também com a presença do representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Fernando Gabriel Cafferata; do diretor da Força Nacional, Fernando Alencar Medeiros; e do diretor da Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, Humberto Freire de Barros.
Conhecimento aplicado à segurança
Diante dos desafios da criminalidade organizada no Brasil, o Governo busca ampliar sua capacidade de resposta por meio do policiamento orientado por inteligência.
A programação inclui debates sobre policiamento baseado em evidências. O principal convidado é o professor Jerry Ratcliffe, renomado especialista em análise criminal. Seu trabalho é considerado referência na implementação de modelos contemporâneos voltados à redução da violência.
Além das discussões conceituais, a pauta inclui avaliação sobre o panorama atual dos números de emergência no Brasil, com foco na apresentação de propostas para melhorar os serviços prestados à população.
Integração operacional: o papel dos CICCs
Paralelamente ao fórum, ocorre o Encontro Técnico dos Centros Integrados de Comando e Controle (CICCs), que traz uma abordagem prática ao focar na interoperabilidade entre órgãos de segurança pública. A meta é transformar a cooperação entre as instituições em prática cotidiana.
Entre os temas centrais do encontro técnico, destacam-se:
* Padronização de protocolos: alinhamento de diretrizes para ativação de salas de crise e fluxos de informação;
* Gestão de crises e acionamento: definição de níveis de acionamento e critérios para integração das forças;
* Lições aprendidas: compartilhamento de experiências em operações rotineiras, grandes eventos e respostas a desastres;
* Integração institucional: reforço da coordenação permanente entre as forças de segurança estaduais e federais;
* Centros de fusão: estímulo à criação e ao aprimoramento de centros de fusão de inteligência, com base em modelos internacionais.
Ao unificar diretrizes de comando e controle, o evento busca ampliar a agilidade das operações e o uso inteligente de dados, para aumentar a eficiência no combate ao crime e na proteção da sociedade.
BRASIL
Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação



