BRASIL
Governo Federal discute novo programa de fomento ao uso de hidrovias
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Brasília, 02/04/2025 – Representantes dos Ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e de Portos e Aeroportos (MPor) reuniram-se, nessa quarta-feira (2), para estruturar um programa visando garantir a segurança nas hidrovias brasileiras, principalmente na Região Norte, onde embarcações enfrentam desafios como roubo de cargas, pirataria e tráfico de entorpecentes.
Segundo dados apresentados no encontro, o prejuízo anual causado por furtos e roubos de cargas cometidos por piratas em rios do Amazonas (AM) chega a R$ 100 milhões. Além disso, mais de 4 milhões de litros de combustíveis foram roubados de embarcações nos últimos 18 meses na mesma região. As ações criminosas vão além: foram registrados danos às embarcações, tancagens irregulares e até agressões com vítimas fatais.
O secretário-executivo do MJSP, Manoel Carlos de Almeida Neto, destacou o papel da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública no tema como fundamental. Ele defendeu a necessidade de reestruturação e a ampliação das atribuições da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que enfrentam desafios devido a efetivos reduzidos, apesar de serem forças competentes.
“O ministro Ricardo Lewandowski teve a sensibilidade de contemplar as duas corporações e transformar, por meio da PEC, a PRF em Polícia Viária Federal, ampliando as suas atribuições. Isso inclui o patrulhamento das hidrovias do nosso País, que servem, muitas vezes, de porta de entrada para os mais diversos crimes”, apontou.
A secretária-executiva do MPor, Mariana Pescatori, fez uma introdução sobre as iniciativas em desenvolvimento e já executadas pela pasta e reforçou a necessidade de integrar ações de segurança pública e infraestrutura no setor hidroviário. “Em conversa com o MJSP, vimos que temos outros aspectos para atuar conjuntamente, entendendo quais os pleitos do setor”, completou.
Também participaram do encontro a secretária-executiva adjunta do MJSP, Angelita da Rosa; o secretário-executivo adjunto do MPor, Fábio Lavor; os secretários nacionais de Segurança Pública, Mario Sarrubbo; de Hidrovias e Navegação, Dino Batista; e de Portos, Alex Ávila; o diretor-geral da PRF, Antônio Fernando Oliveira; o diretor de Polícia Administrativa da PF, Fabrício Kerber; o presidente da Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis da PF, Marcelo João; e o diretor do Departamento de Navegação e Fomento, Otto Burlier.
O avanço do projeto representa um compromisso do Governo Federal em garantir que as hidrovias brasileiras, fundamentais para a economia do País, sejam mais seguras e eficientes. Com a integração entre tecnologia, forças de segurança e concessões hidroviárias, a expectativa é transformar os rios brasileiros em corredores logísticos seguros e modernos, beneficiando o setor produtivo e a população que depende desse modal de transporte.
BRASIL
Turismo plural é estratégia de competitividade, defendem especialistas no Fórum Internacional de Mulheres no Turismo
Ir além do óbvio e incluir recortes de gênero, raça, idade e ancestralidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de competitividade e mercado para os destinos brasileiros. Essa avaliação marcou o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, realizado nesta quinta-feira (4), durante o segundo dia do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB). O debate reuniu especialistas em afroturismo, turismo 60+ e turismo indígena para discutir como diferentes trajetórias, identidades e territórios influenciam a forma de viajar, empreender e consumir turismo no país.
A coordenadora-geral de Turismo Responsável e Sustentável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, destacou que as políticas públicas voltadas às mulheres precisam considerar essa pluralidade. “As mulheres viajam de maneiras diferentes, vivem realidades diferentes e se relacionam com os destinos de formas distintas. Pensar em um turismo mais inclusivo significa reconhecer essa diversidade e construir experiências que contemplem todas elas”, afirmou.
Afroturismo
Especialista em afroturismo, Thaís Rosa Pinheiro defendeu que os destinos brasileiros avancem no reconhecimento da diversidade racial presente no país e valorizem histórias que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
Segundo ela, os turistas buscam cada vez mais experiências autênticas, ligadas à identidade, à cultura e à memória dos territórios. ”O turismo é feito de pessoas para pessoas. As belezas naturais são importantes, mas o que conecta o visitante aos destinos são as histórias, a cultura e a identidade de quem vive nesses lugares”, ressaltou.
Para Thaís, ampliar o olhar sobre o afroturismo também significa qualificar o acolhimento e combater situações de discriminação, que ainda afetam viajantes negros em diferentes etapas da experiência turística.
Turismo 60+
A criadora do blog Sentidos do Viajar, Sylvia Yano, chamou a atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de o setor desenvolver produtos e experiências mais adequados a esse público. Segundo ela, muitas mulheres acima dos 60 anos ainda não se reconhecem na comunicação e na oferta turística disponíveis atualmente.
Dados apresentados pela especialista mostram que 74% das pessoas com mais de 60 anos não se enxergam representadas no turismo. Atualmente, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que tende a crescer nas próximas décadas.
”A população está envelhecendo e o turismo precisa se preparar para isso. Não estamos falando apenas de acessibilidade, mas de experiências significativas, autênticas e alinhadas aos interesses desse público”, ressaltou.
Protagonismo indígena
Representando a Rota dos Encantados Potiguara, a empreendedora indígena Îasypytã Potiguara defendeu que os povos originários deixem de ser vistos apenas como atrativos turísticos e passem a ocupar o papel de protagonistas na construção e na gestão das experiências oferecidas aos visitantes.
Segundo ela, iniciativas de etnoturismo sustentável têm contribuído para preservar tradições, fortalecer economias locais e gerar renda para mulheres indígenas em seus próprios territórios. ”Quem melhor para contar a história de um povo do que as pessoas que pertencem a ele? Quando os povos indígenas assumem o protagonismo do turismo, fortalecem sua cultura, preservam seus territórios e transformam a realidade das comunidades”, afirmou.
Encerrando o painel, as participantes defenderam que a ampliação da diversidade no turismo não deve ser vista apenas como uma pauta de inclusão, mas como uma estratégia para tornar os destinos mais competitivos, autênticos e preparados para atender aos diferentes perfis de viajantes que movimentam o setor.
Por Natália Moraes e Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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