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Governo Federal e Interpol formalizam parceria para enfrentar tráfico transnacional de drogas na América do Sul
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Brasília, 24/02/2026 – O Brasil formalizou, nessa segunda-feira (23), parceria com a Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) para fortalecer o combate ao tráfico transnacional de drogas e ao crime organizado na América do Sul. A iniciativa será liderada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com financiamento da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), por meio do Fundo Nacional Antidrogas (Funad), e apoio operacional da Polícia Federal.
A formalização ocorreu durante a assinatura de uma Declaração de Intenções, no Palácio da Justiça, com a presença de autoridades brasileiras e internacionais.
A cooperação prevê atuação integrada de especialistas em segurança pública de países sul-americanos, com acesso às bases de dados e aos sistemas da Interpol e das agências nacionais. O objetivo é ampliar o compartilhamento de informações estratégicas e viabilizar operações conjuntas, em tempo real, contra redes criminosas que atuam além das fronteiras.
Na solenidade, o ministro Wellington César Lima e Silva afirmou que o mecanismo de cooperação terá resultados práticos e duradouros.
“Temos a oportunidade, com a liderança de um brasileiro na Interpol, de ampliar os benefícios dessa organização para a América do Sul, com impacto regional e reflexos diretos na segurança pública do Brasil”, afirmou.
Base operacional e financiamento
O programa terá como base principal o Escritório Regional da Interpol em Buenos Aires, na Argentina, onde ficarão sediadas as equipes de especialistas.
No Brasil, o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), em Manaus, funcionará como polo complementar, com foco na segurança da região amazônica e no enfrentamento aos fluxos ilícitos nas áreas de fronteira.
O Brasil será o principal financiador da iniciativa. Agentes selecionados entre os quadros da Polícia Federal e de forças policiais parceiras da região participarão do programa. Os profissionais serão recrutados pela Interpol e atuarão de forma integrada, com intercâmbio permanente de dados e inteligência.
Entre as prioridades estão o mapeamento e o monitoramento contínuo das rotas do tráfico de drogas e de atividades criminosas relacionadas, especialmente na Amazônia, onde a extensão territorial favorece a atuação de organizações transnacionais.
O modelo segue a experiência das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), coordenadas pela Polícia Federal no Brasil, com a proposta de ampliar essa atuação para o âmbito regional.
A iniciativa também prevê o fortalecimento da identificação, do rastreamento, da recuperação e da destinação de ativos de origem ilícita. A medida busca descapitalizar organizações criminosas e permitir o reinvestimento dos recursos em políticas públicas.
O diretor-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, afirmou que a organização disponibilizará suas ferramentas e capacidades à força integrada.
“Todos os instrumentos e capacidades da Interpol serão colocados à disposição dessa força internacional, que contará com a presença de policiais da organização e de agências da região”, disse.
A secretária da Senad, Marta Machado, afirmou que a iniciativa representa avanço na cooperação regional e amplia a integração entre os países sul-americanos.
Também participou da cerimônia o diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad. Ele destacou a experiência da corporação na implantação e na gestão de bases integradas de investigação.
Antes do evento, o ministro reuniu-se com Valdecy Urquiza para alinhar estratégias entre as instituições.
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Diagnóstico Equidade 2026 mostra avanço das políticas de educação étnico-racial
Os dados do Diagnóstico Equidade 2026, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), mostram que as estratégias de equidade racial estão cada vez mais presentes nos estados e municípios brasileiros. Entre 2024 e 2026, o percentual de redes municipais que declararam contar com áreas especificas para a gestão dessas ações passou de 15% para 42%; entre as redes estaduais, o indicador chegou a 100% em 2026.
Esse diagnóstico é uma iniciativa criada em 2024 pelo MEC, pondo fim a uma lacuna de dados cuja ausência comprometia a capacidade estatal de promoção da equidade. Em sua segunda edição, o diagnóstico manteve participação próxima à universalidade, com resposta ao questionário de 97% das redes municipais e 100% das redes estaduais. O resultado está ligado ao primeiro biênio de execução da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), em regime de colaboração interfederativa.
Do ponto de vista institucional, por exemplo, houve um aumento no percentual de redes de ensino com áreas específicas para fazer a gestão de ações de equidade racial. Entre 2024 e 2026, o número saiu de 15% para 42% entre os municípios, e alcançou 100% em 2026 entre as redes estaduais. Além disso, a presença de normativa local relacionada à promoção da educação para as relações étnico-raciais (Erer) passou de 43% para 55% entre municípios e de 74% para 93% entre as redes estaduais.
Os dados também mostram crescimento percentual de redes municipais que realizam campanhas de declaração racial, ação para promover o reconhecimento e a valorização das identidades étnico-raciais, bem como para permitir análises educacionais racializadas cada vez mais precisas. O levantamento revela que este crescimento foi de 66% para 86% em dois anos nas redes municipais, e de 63% para 93% nas redes estaduais.
Houve também uma redução do percentual de estudantes sem declaração racial no Censo Escolar entre 2023 e 2025, representando uma queda de 24% para 10%, sendo que o indicador vinha se mantendo constante em torno de 26%, nos anos anteriores.
Os novos dados apresentam um crescimento da maturidade de organização das redes em diferentes frentes e que a temática da equidade racial entrou no centro da agenda da política pública, demonstrando as ações da Pneerq e de mecanismos indutores, tais como o Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva e a complementação-VAAR Fundeb da União.
O Diagnóstico Equidade 2026 tem o objetivo de identificar diferentes aspectos da implementação de políticas equitativas no país, particularmente aquelas ligadas à promoção da educação para as relações étnico-raciais, em cumprimento à Lei 10.639/03, modificada pela Lei 11.645/08, e ao fortalecimento da educação escolar quilombola.
Equidade racial no planejamento educacional – No indicador de incorporação da equidade racial como objetivo presente no Plano de Ações Articuladas (PAR), as redes municipais passaram de 30% para 67%. Nas redes estaduais, o avanço foi de 56% para 93%. Esse panorama revela a preocupação crescente das redes de ensino em planejar e buscar apoio técnico e financeiro para estratégias de enfrentamento das desigualdades.
Formação em relações étnico-raciais – Outro indicador que apresentou avanço foi o percentual de redes municipais de ensino que ofereceram formações, seminários, oficinas e palestras sobre equidade racial, passou de 48%, no ano de 2024, para 69%, em 2026. Todas as redes estaduais declararam realizar essa oferta. Esse resultado demonstra que o tema da equidade racial também foi inserido no planejamento formativo das secretarias, ação crucial para trabalhar a difusão de práticas pedagógicas antirracistas entre os professores da rede pública.
Monitoramento das Leis de Erer – O diagnóstico permitiu identificar o acompanhamento da implementação das leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. O indicador passou de 18% para 34% para as redes municipais, e de 30% para 59% para as redes estaduais. O monitoramento permite às redes identificarem escolas onde há maior dificuldade de execução de práticas pedagógicas de educação para as relações étnico-raciais e gargalos operacionais, e assim planejar de forma mais efetiva as estratégias para cumprimento das leis.
Identificação e resposta ao racismo e injúria racial – Cresceu também a adoção de protocolos para casos de racismo ou injúria racial nas redes estaduais, de 59% para 93% (mais de 30 pontos percentuais). Nas redes municipais, o percentual saiu de 36% para 53%. Nesse contexto, o Ministério da Educação publicou, em 2026, uma série de protocolos nacionais, os quais podem servir de referência para o trabalho das escolas públicas.
Práticas de gestão – O conjunto de perguntas com menor avanço no período foi o relacionado à dimensão das práticas de gestão das redes de ensino em relação a suas escolas. Acerca da evolução das respostas sobre protocolos de resposta ao racismo e de campanhas de declaração racial, que fazem parte desta dimensão, o Diagnóstico de Equidade 2026 permitiu identificar que alguns indicadores cruciais ainda não avançaram como o esperado.
Os pontos de atenção para o próximo ciclo estão na implementação de estratégias de incentivos às escolas e aos professores para a implementação da educação para as relações étnico-raciais, bem como a consideração de conhecimentos sobre Erer nos processos seletivos de professores e diretores escolares. No período, passou de 44% para 74% o percentual de redes estaduais que incluíram a avaliação de conhecimentos sobre relações étnico-raciais nos processos de escolha da gestão escolar.
Metodologia – O levantamento contou com 44 perguntas dirigidas às Secretarias de Educação de estados, municípios e do Distrito Federal. Foram realizadas 32 questões sobre Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer) e 12 sobre Educação Escolar Quilombola (EEQ).
Para acompanhar os resultados, as informações foram organizadas em indicadores que avaliaram áreas como gestão, formação de profissionais, materiais didáticos, financiamento, avaliação e monitoramento. Os índices recebem notas de 0 a 100.
As respostas foram declaradas pelos responsáveis pelas secretarias de educação ou, no caso dos municípios, pela prefeitura, o que contribui para a confiabilidade das informações. O questionário e os indicadores foram construídos com a participação de especialistas, pesquisadores e profissionais com experiência em políticas de equidade racial e combate ao racismo.
Resultados do Diagnóstico de Equidade 2026
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secadi
Fonte: Ministério da Educação



