BRASIL
Luiz Marinho defende transição justa como direito fundamental em evento da OEI
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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou a urgência da ação climática e a importância da transição justa como eixo central do futuro do trabalho, durante o lançamento da Cátedra OEI Elena Piscopia, na quarta-feira (9/4). Promovido pela Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), em parceria com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), o evento reuniu autoridades e especialistas nas áreas de clima, trabalho e desenvolvimento sustentável. A nova Cátedra tem como objetivo reconhecer a transição justa como um direito fundamental e incentivar o debate sobre seus impactos em temas estratégicos como inteligência artificial, equidade de gênero e sustentabilidade.
Em seu discurso, o ministro destacou que a transição justa deve ser reconhecida como um direito fundamental, essencial para enfrentar os desafios da crise climática de forma inclusiva, garantindo que ninguém seja deixado para trás. “As mudanças climáticas já impactam nossas economias e sociedades de forma brutal. A crise é do presente, e não do futuro. Precisamos agir com urgência e justiça”, afirmou.
O ministro lembrou a importância do financiamento climático como ferramenta de reparação histórica e combate às desigualdades estruturais. “Os países em desenvolvimento emitem menos, mas sofrem mais com os efeitos da crise climática. É preciso definir e quantificar os recursos para uma transição justa — não como caridade, mas como responsabilidade histórica.” Ao encerrar sua participação, o ministro reiterou que o trabalho decente é elemento central para o desenvolvimento sustentável. Ele também destacou conquistas recentes do governo federal, como a geração de mais de 3,7 milhões de empregos formais, a valorização do salário mínimo acima da inflação e a sanção da Lei da Igualdade Salarial entre homens e mulheres. “Estamos moldando um futuro mais justo para o planeta e para as próximas gerações, com os trabalhadores no centro das decisões.”
O diretor da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), Rodrigo Rossi, ressaltou que, apesar de parecer simples, o conceito de desenvolvimento sustentável representa uma crítica profunda ao modelo tradicional de crescimento econômico. Segundo ele, não é possível falar em progresso sem integrar as dimensões ambiental e social, especialmente diante dos desafios impostos pela transição ecológica e pela Indústria 4.0. Rossi destacou ainda que a Cátedra OEI Elena Piscopia nasce com a missão de articular esses temas por meio de grupos de pesquisa, chamadas para artigos, bolsas de estudo e programas de intercâmbio acadêmico, envolvendo ativamente estudantes e instituições parceiras.
Realizado no IDP, em Brasília, o evento contou com a presença de autoridades e especialistas, entre eles o ministro do Supremo Tribunal Federal e professor do IDP, Gilmar Mendes; a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho; a professora de Direito Constitucional da Universidade de Granada, Marta Pérez; o presidente da IndusALL Brasil, Aroaldo Oliveira da Silva; e a diretora de pós-graduação do IDP, Mônica Sapucaia.
BRASIL
Turismo plural é estratégia de competitividade, defendem especialistas no Fórum Internacional de Mulheres no Turismo
Ir além do óbvio e incluir recortes de gênero, raça, idade e ancestralidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de competitividade e mercado para os destinos brasileiros. Essa avaliação marcou o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, realizado nesta quinta-feira (4), durante o segundo dia do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB). O debate reuniu especialistas em afroturismo, turismo 60+ e turismo indígena para discutir como diferentes trajetórias, identidades e territórios influenciam a forma de viajar, empreender e consumir turismo no país.
A coordenadora-geral de Turismo Responsável e Sustentável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, destacou que as políticas públicas voltadas às mulheres precisam considerar essa pluralidade. “As mulheres viajam de maneiras diferentes, vivem realidades diferentes e se relacionam com os destinos de formas distintas. Pensar em um turismo mais inclusivo significa reconhecer essa diversidade e construir experiências que contemplem todas elas”, afirmou.
Afroturismo
Especialista em afroturismo, Thaís Rosa Pinheiro defendeu que os destinos brasileiros avancem no reconhecimento da diversidade racial presente no país e valorizem histórias que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
Segundo ela, os turistas buscam cada vez mais experiências autênticas, ligadas à identidade, à cultura e à memória dos territórios. ”O turismo é feito de pessoas para pessoas. As belezas naturais são importantes, mas o que conecta o visitante aos destinos são as histórias, a cultura e a identidade de quem vive nesses lugares”, ressaltou.
Para Thaís, ampliar o olhar sobre o afroturismo também significa qualificar o acolhimento e combater situações de discriminação, que ainda afetam viajantes negros em diferentes etapas da experiência turística.
Turismo 60+
A criadora do blog Sentidos do Viajar, Sylvia Yano, chamou a atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de o setor desenvolver produtos e experiências mais adequados a esse público. Segundo ela, muitas mulheres acima dos 60 anos ainda não se reconhecem na comunicação e na oferta turística disponíveis atualmente.
Dados apresentados pela especialista mostram que 74% das pessoas com mais de 60 anos não se enxergam representadas no turismo. Atualmente, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que tende a crescer nas próximas décadas.
”A população está envelhecendo e o turismo precisa se preparar para isso. Não estamos falando apenas de acessibilidade, mas de experiências significativas, autênticas e alinhadas aos interesses desse público”, ressaltou.
Protagonismo indígena
Representando a Rota dos Encantados Potiguara, a empreendedora indígena Îasypytã Potiguara defendeu que os povos originários deixem de ser vistos apenas como atrativos turísticos e passem a ocupar o papel de protagonistas na construção e na gestão das experiências oferecidas aos visitantes.
Segundo ela, iniciativas de etnoturismo sustentável têm contribuído para preservar tradições, fortalecer economias locais e gerar renda para mulheres indígenas em seus próprios territórios. ”Quem melhor para contar a história de um povo do que as pessoas que pertencem a ele? Quando os povos indígenas assumem o protagonismo do turismo, fortalecem sua cultura, preservam seus territórios e transformam a realidade das comunidades”, afirmou.
Encerrando o painel, as participantes defenderam que a ampliação da diversidade no turismo não deve ser vista apenas como uma pauta de inclusão, mas como uma estratégia para tornar os destinos mais competitivos, autênticos e preparados para atender aos diferentes perfis de viajantes que movimentam o setor.
Por Natália Moraes e Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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