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“O salário mínimo é um símbolo de dignidade, justiça social, distribuição de renda e valorização do povo brasileiro”, afirma Luiz Marinho
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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizou, na manhã desta segunda-feira (10), evento em comemoração aos 20 anos da Política de Valorização do Salário Mínimo e lançou o livro Salário Mínimo no Brasil: 90 anos de Histórias, Lutas e Transformações, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A cerimônia também marcou a entrega de medalhas alusivas às duas datas.
Participaram do evento o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz; a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo; o presidente da Casa da Moeda do Brasil, Sérgio Perini; o presidente do IBGE, Márcio Pochmann; além de parlamentares e representantes das centrais sindicais.
Luiz Marinho afirmou que “se não fosse a Política de Valorização do Salário Mínimo, implementada na gestão do presidente Lula, com aumentos anuais acima da inflação, o piso hoje seria de R$ 852,00”. Segundo o ministro, o salário mínimo deve “corresponder ao sustento necessário de uma família, objetivo que o Governo do Brasil busca alcançar”. Ele também destacou que “o salário mínimo é um símbolo de dignidade, justiça social, distribuição de renda e valorização do povo brasileiro”.
O ministro acrescentou que “toda política de distribuição de renda enfrenta reações negativas, com argumentos de que pode gerar desemprego e afetar a economia”. “Foi assim também quando Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo”, ressaltou.
Luiz Marinho voltou a manifestar preocupação com o futuro do trabalho no país e alertou para a necessidade de preservar direitos já conquistados. “Esse tema me preocupa. Não podemos permitir que determinadas mudanças destruam conquistas importantes. Não sou contra o MEI, mas ele não pode ser utilizado para fraudar as relações de trabalho. O Congresso Nacional precisa pautar essa discussão. É fundamental regulamentar o trabalho por aplicativos e estabelecer regras claras para as empresas, pois o trabalhador não é um algoritmo”, defendeu.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que a valorização do salário mínimo representa uma “conquista do povo brasileiro”. O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antonio Fernandes dos Santos Neto, ressaltou o papel do piso na distribuição de renda e no fortalecimento da economia. “O trabalhador que recebe o salário mínimo não investe na bolsa de valores; ele consome e movimenta a economia local”, destacou.
A trabalhadora Vânia Rodrigues de Souza também enfatizou os impactos diretos do reajuste em sua rotina familiar. Segundo ela, o aumento do salário mínimo acima da inflação garante mais dignidade e melhores condições de vida. “Assim, conseguimos ter uma mesa mais farta de alimentos”, afirmou.
Impacto social e econômico
O salário mínimo completa 90 anos consolidado como uma das políticas públicas mais relevantes para a elevação da renda de trabalhadores e trabalhadoras. Ao longo desse período, tem contribuído para a redução das desigualdades salariais entre as regiões do país e para o estímulo à atividade econômica nos âmbitos local e nacional.
Embora ainda não atenda plenamente a todas as necessidades básicas — como transporte, alimentação, vestuário e higiene —, conforme previsto na Constituição, o salário mínimo segue como um instrumento fundamental no combate à fome e na ampliação do consumo, fortalecendo a economia e promovendo maior inclusão social.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua indica que o país conta com quase 33 milhões de trabalhadores e trabalhadoras que recebem um salário mínimo por mês, o equivalente a praticamente um terço (32%) dos 102,5 milhões de ocupados. Somam-se a esse contingente 23,9 milhões de aposentados e pensionistas e 6,4 milhões de beneficiários assistenciais que também têm seus rendimentos vinculados ao piso nacional.
O reajuste do salário mínimo para R$ 1.518,00, em janeiro de 2025, deve injetar cerca de R$ 120 bilhões na economia, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O salário mínimo também funciona como referência para outras faixas de rendimento do trabalho, alcançando, segundo estudo de Saboia e Hallak, até o sétimo decil da distribuição da renda laboral. Seu valor serve ainda de base para benefícios como o seguro-desemprego, o abono salarial e o seguro-defeso, cujos pagamentos não podem ser inferiores ao piso nacional.
Instituído pela Lei nº 185, de 14 de janeiro de 1936, por iniciativa do então presidente Getúlio Vargas, o salário mínimo foi resultado de intensas mobilizações dos trabalhadores, marcadas por greves em categorias estratégicas, e de estudos que evidenciavam a dificuldade de garantir alimentação suficiente para si e suas famílias. Desde sua criação, teve como propósito assegurar condições dignas de subsistência.
Na regulamentação da legislação, em 1938, ficou estabelecido que o benefício deveria ser pago tanto a homens quanto a mulheres. Em 1940, ao ser efetivamente implementado por meio do Decreto-Lei nº 2.162, o salário mínimo ainda não contemplava os trabalhadores rurais, que só seriam incluídos na década seguinte, em meio à forte resistência de setores das elites em assegurar uma remuneração adequada a esses profissionais.
Na década de 1950, movimentos grevistas denunciaram a manipulação dos índices regionais de preços, utilizada para reduzir os valores pagos aos trabalhadores. Esse contexto impulsionou a realização de pesquisas independentes e contribuiu para a criação do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), instituição que recentemente completou 70 anos.
Entre 1964 e 1985, o salário mínimo perdeu cerca de 57% de seu valor real, cenário que desencadeou uma nova onda de mobilizações em defesa da recomposição do poder de compra. Cabe destacar que, até 1984, quando passou a ser unificado em âmbito nacional, as regiões menos desenvolvidas praticavam valores significativamente inferiores aos pagos na capital e nos principais polos industrializados.
Foi durante o governo Lula que se instituiu uma política de valorização do salário mínimo, baseada em reajustes anuais que recompunham as perdas inflacionárias e incorporavam um percentual vinculado ao crescimento real da economia observado dois anos antes, considerando o tempo necessário para a consolidação dos dados do PIB. Essa metodologia foi transformada em lei em 2011 e permaneceu em vigor até 2018, sendo descontinuada entre 2019 e 2022 e retomada em 2023.
Ainda assim, parte dos analistas financeiros e econômicos defende a contenção do salário mínimo, em vez de enfrentar, de forma estruturada, o desafio de assegurar a arrecadação das fontes de financiamento das políticas públicas que têm o piso nacional como referência, especialmente a Seguridade Social.
Cabe destacar que o valor do salário mínimo ainda se mantém próximo ao custo da cesta básica. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Dieese, o custo médio desse conjunto de produtos na cidade de São Paulo foi estimado em R$ 813,46 em 2024. Assim, o salário mínimo nacional de R$ 1.412,00 apresentou poder de compra equivalente a 1,74 cesta básica ao longo do ano.
Considerando a estimativa de R$ 850,00 para o conjunto de alimentos básicos em janeiro de 2025, o novo salário mínimo de R$ 1.518,00 passa a adquirir cerca de 1,79 cesta básica por mês, indicando uma leve ampliação do poder de compra.
Exposição no MTE
Para conhecer mais sobre essa trajetória e compreender a importância do salário mínimo ao longo das décadas, visite a exposição dedicada à sua linha do tempo no edifício-sede do MTE. O espaço reúne os principais marcos históricos, avanços e desafios dessa política pública essencial para a promoção da dignidade, da justiça social e do desenvolvimento do país.
Uma trajetória de avanços
Instituído em janeiro de 1936 pela Lei nº 185, o salário mínimo completa 90 anos como um dos principais marcos da proteção social no Brasil. Embora tenha sido criado durante o governo de Getúlio Vargas, o instrumento só foi regulamentado em 1938, com a instituição das Comissões do Salário Mínimo, e passou a ser efetivamente pago a partir de maio de 1940.
Naquele período, os valores variavam de acordo com a região — o país chegou a ter 14 salários mínimos distintos —, sendo o maior deles de 240 mil réis, praticado na então capital federal, o Rio de Janeiro.
Acesse mais informações sobre o assunto no boletim elaborado pelo Dieese.
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Ministro do Turismo destaca parcerias para desenvolvimento do setor: ‘não fazemos nada sozinhos’
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, afirmou nesta segunda-feira (15), que a ação conjunta entre municípios, estados e o Governo do Brasil é fundamental para o desenvolvimento do setor e para ampliar seus impactos positivos na economia e na geração de emprego e renda.
A afirmação foi feita na abertura da 9ª edição do Conexidades, realizada em Campos do Jordão (SP). O evento, que segue até a próxima sexta-feira (19), reúne representantes dos setores público e privado, incluindo gestores, empresários, especialistas e lideranças de todo o país, com o objetivo de promover debates e construir soluções voltadas ao desenvolvimento dos municípios brasileiros.
O turismo é um dos destaques do encontro, que tem como tema “Governança e Inovação Sustentável”.
“Quando a gente vem para um evento como esse, o Conexidades, podendo fazer essa interlocução com o setor produtivo, as prefeituras, as Câmaras Municipais, ou seja, dialogar com quem toma as decisões para a transformar a vida do povo, é algo muito importante. Uma das características do setor turístico é que não fazemos nada sozinhos”, afirmou Gustavo Feliciano.
Ele acrescentou que o Ministério do Turismo tem atuado em conjunto com estados e municípios para oferecer crédito para empreendedores do setor.
“Por meio do Fungetur [Fundo Geral de Turismo], por exemplo, disponibilizamos mais de R$ 1 bilhão para operações em 2026”, disse.
O Fungetur pode ser usado para financiar projetos, obras, adquirir equipamentos e capital de giro para empresas do setor. A política pública amplia as oportunidades de acesso ao crédito com condições facilitadas, contribuindo para a modernização dos serviços turísticos, a geração de emprego e renda e o fortalecimento da economia em todas as regiões do país.
“O turismo é, acima de tudo, uma verdadeira ferramenta de inclusão social, que gera emprego, renda e proporciona dignidade nos quatro cantos deste país. Estamos no caminho certo. Como sempre diz o presidente Lula: ‘o cidadão deve estar sempre no foco das nossas ações’. O turismo brasileiro está sendo bem cuidado e temos trabalhado incansavelmente para que os nossos números continuem crescendo. O turismo tem o poder de transformar vidas. A gente vê isso acontecer na prática quando um novo hotel se instala em uma região e garante carteira assinada para um trabalhador, dando uma condição melhor para a sua família. A gente vê isso acontecer em eventos grandiosos como este aqui. São transformações reais como essas que nos movem todos os dias”, emendou o ministro.
Além de discussões voltadas à gestão pública, a programação do Conexidades reserva espaço ao debate sobre a participação das mulheres na vida pública. A agenda inclui painéis a respeito de turismo e empreendedorismo, enfrentamento à violência de gênero e a proteção de crianças e adolescentes.
Gustavo Feliciano apontou o protagonismo feminino no turismo nacional.
“As mulheres vêm assumindo um papel cada vez mais relevante no nosso setor. Hoje, elas representam mais de 52% da força de trabalho do turismo. Mais do que isso: 57% dos negócios ligados ao turismo têm mulheres no comando”, comentou o ministro, lembrando que o Fungetur proporciona condições especiais a empreendedoras turísticas em situação de vulnerabilidade por violência doméstica ou de gênero.
Segundo o ministro, a crescente participação de mulheres tem contribuído para tornar o turismo mais inovador, inclusivo e competitivo.
“São empresárias, gestoras, guias, empreendedoras que movimentam a economia e fazem esse importante segmento ser mais inovador e mais humano. Por isso, promover a participação feminina não é apenas uma questão de justiça, é uma estratégia de desenvolvimento”, defendeu Feliciano, que lembrou da realização do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, promovido pelo Ministério do Turismo em junho deste ano, em João Pessoa (PB).
Ele citou também o Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas. nas versões em inglês e espanhol. A publicação reúne dados e orientações para promover um turismo mais seguro e inclusivo para o público feminino. No mês passado, em João Pessoa, o Ministério do Turismo lançou as versões em inglês e espanhol do material. O Guia pode ser acessado neste link.
“É muito importante que este evento tenha espaço dedicado às mulheres. Isso demonstra que construir cidades melhores significa construir cidades mais justas e mais inclusivas”, complementou.
Programação
Durante o Conexidades, haverá uma série de debates sobre os principais desafios da gestão pública, englobando temas a exemplo de inovação, desenvolvimento econômico, sustentabilidade, políticas sociais e transformação digital, sempre com foco na aplicação prática e nos resultados para os municípios.
Especialistas e gestores também discutirão questões estruturais, como planejamento urbano, saúde, educação e segurança pública, além de pautas que envolvem cidades inteligentes, o uso de dados na administração pública e a adaptação às mudanças climáticas.
A proposta é incentivar a troca de experiências e a construção de soluções capazes de impulsionar o desenvolvimento local em diferentes regiões do país.
Por Marco Guimarães
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo

